A confirmar-se, é uma grande descoberta.
Uma equipa de mergulhadores chefiada pelo brasileiro José Eduardo Galindo encontrou perto da costa do Rio de Janeiro restos de uma nau portuguesa do século XVIII. A carga que transportava foi avaliada em 670 milhões de euros. A notÃcia foi publicada ontem pelo jornal O Globo.
Como muitas descobertas, esta também aconteceu por acaso. José Galindo procurava uma hélice perdida por um rebocador no ano passado quando o seu olhar experiente notou restos de madeiras. Galindo é um mergulhador, mas o que ele procura debaixo de água é a História. Numa entrevista publicada a 27 de Dezembro de 1998 pelo Correio Braziliense, disse acreditar que os mares brasileiros escondem mais de «oito mil carcaças de caravelas, naus, brigues, bergantins, vapores, galeões, couraçados, fragatas e submarinos.»
(O artigo Cinco Séculos de Naufrágios, de Ana Magno e Wanderley Pozzembom, vale a leitura.)
Galindo pensa que os restos descobertos podem ter pertencido ao Rainha dos Anjos, que se afundou a 17 de Julho de 1722 diante da baÃa da Guanabara. O navio viajava da China para Lisboa e tinha feito escala no Rio de Janeiro carregado com 136 peças de porcelana chinesa da era do Imperador Kangxi (1654 ou 1662, consoante as fontes-1722), terceiro da dinastia Qing. Desta dinastia apenas um vaso sobreviveu: está no Museu Imperial da China.
O que leva o mergulhador brasileiro a pensar que estamos perante uma carga tão preciosa (e valiosa) é o facto de os chineses serem conhecidos «pelos cuidados com que embalavam a porcelana». Por isso, conclui, «é muito provável que encontremos peças inteiras».
Os vestÃgios foram enviados a laboratórios nos Estados Unidos para confirmar a sua origem, mas já existem várias empresas internacionais interessadas em patrocinar as investigações arqueológicas. As contas de Galindo são as seguintes: 196 mil euros para desenterrar parte da nau e mais de 1100 milhões de euros para a trazer à superfÃcie.































3 comentários
É… O comércio com a China trazia porcelanas, luxo. Hoje, traz bugingangas de qualidade duvidosa e livros de Mao Tsetung…
1296 milhões de € para um valor de 670M€ não me parece uma boa troca…Fiquem-se pelos 196mil que já mostra alguma história.
E se o barco e a carga forem resgatados, a quem pertencerão? A Portugal? Ao Brasil? É para dividir? Ainda damos um vaso ou dois aos chinos? Vai ser bonito…