→ 05/02/2010 @23:32

O pai que amarrava o filho ao poste de iluminação

Criança acorrentada na rua

Uma criança acorrentada como um cão – mas esta foto da AFP, não assinada, não conta a história toda


Os que repararam na criança e chamaram a polícia pensavam que aquele era um caso de extrema crueldade: um rapazinho de dois anos ficava todos os dias preso a cadeado num poste de iluminação, sozinho na rua, enquanto o pai ia trabalhar.

Interrogado pelas autoridades, o pai – um homem de 42 anos chamado Chen Chuanliu – explicou que prendê-lo era a única forma de ter a certeza de que não o perderia. Chen conduz um táxi-bicicleta em Pequim, na China, terceira maior economia do mundo; o que ganha ao fim de um dia de trabalho – pouco mais de 5 euros – não lhe permite pagar a um jardim-de-infância para o filho.

Mas Chen tinha mais para contar: prendeu a criança porque a sua outra filha, uma menina de 4 anos, lhe fora roubada há um mês. «Nem sequer tenho uma foto da minha filha para fazer um poster de pessoa desaparecida», contou. «Não posso perder o meu filho também».

Num país com leis familiares muito restritas como forma de combater o excesso populacional, os raptos costumam ser frequentes. E as adopções clandestinas também. «Ofereceram-me muito dinheiro pelo meu filho, mas eu não aceitei».

Chan emigrou de outra região da China e é um trabalhador clandestino – o que significa que, por lei, não tem direito ao hukou – um documento de residência permanente. Sem o hokou, a criança não tem acesso aos serviços de assistência social. A mãe da criança, com problemas psicológicos, não pode cuidar do rapaz.

Depois de ser denunciado às autoridades, a polícia ordenou a Chen que libertasse o filho e não o voltasse a prender, mas não fazia parte das funções policiais resolver o problema.


O pai com a criança

A criança, feliz por ter sido libertada, sorri ao colo do pai: uma história inacreditável de amor e pobreza


Este caso de absoluta pobreza e miséria chegou aos media: o Global Times publicou as fotos e contou a história deste taxista em situação ilegal por não ter licença de trabalho, forçado a amarrar o filho a um poste para não perdê-lo.

E foi assim que a história chegou ao conhecimento do presidente do jardim de infância Aibei, situado no distrito de Fangshan.

«O pagamento pelos três anos em que a criança ficará no jardim serão assegurados por mim», revelou ele. Três anos de cuidados infantis custam 40,000 yuan por criança, cerca de 4,200 euros. «Quero mostrar-lhe apenas alguma compaixão», explicou o benfeitor. «Nunca pensei muito na chamada responsabilidade social».

Não é o fim da história porque o taxista continua a ser um trabalhador ilegal e não tem o desejado documento, o hokou, sem o qual dificilmente o jardim o poderá aceitar – mesmo havendo dinheiro. O Comité de Protecção Juvenil já prometeu que vai ajudar.

8 comentários

  • 1
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    6 de Fevereiro de 2010 - 00:54 | Link permamente

    Hoje em dia, quando leio as notícias por aí, já adivinho quais vais comentar no Bitaites.

    Não é uma crítica, acho é que começo a conhecer-te melhor, o que só diz coisas boas do teu blog.

  • 2
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    6 de Fevereiro de 2010 - 12:03 | Link permamente

    Cruel… Não tinha visto esta notícia ainda. Cadê os direitos humanos nesse momento. Senti uma pena do pai, porém o menino ser tratado como um animal (doméstico) é deprimente. Espero que realmente consigam levá-lo para o jardim. Será que o garoto recebe comida enquanto o pai trabalha? 8O

  • 3
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    6 de Fevereiro de 2010 - 12:33 | Link permamente

    Poderá não ser a solução mais indicada, mas temos de compreender o pai, nao concordar atenção.

    Espero que neste momento já esteja tudo bem :D

  • 4
    pinguim encardido
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    7 de Fevereiro de 2010 - 00:43 | Link permamente

    e ficamos divididos entre dois tipos de cinzentos. com tantas leis e regras instituídas existe alguém que acaba por sofrer de uma maneira ou de outra, tendo que recorrer a este tipo de medidas para sobreviver e ter alguma normalidade na sua vida (neste caso uma família)

  • 5
    afonso
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    7 de Fevereiro de 2010 - 01:49 | Link permamente

    é um mundo filho da puta

  • 6
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    7 de Fevereiro de 2010 - 02:27 | Link permamente

    Mas que história! Só mesmo na China.
    Só vim aqui comentar para avisar que no início da 3ª linha está um pequeno erro:

    post

    mas sim poste

  • 7
    veronica
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    8 de Fevereiro de 2010 - 07:48 | Link permamente

    é daquelas coisas que so acontecem na china (ou nao…), é triste, mas é verdade… e o que é mais triste ainda é que o pai daquela criança dificilmente se conseguira legalizar na cidade… a china tem leis muito restritas no que diz respeito á migraçao das zonas rurais para as cidades. primeiro, quem vive na cidade tem muitos mais direitos do que quem vive no campo, e depois, quem vive no campo nao pode ir viver para a cidade pelo menos legalmente. ate a documentaçao para uns e outros é diferente. e quando falamos de direitos diferentes, estes sao ao nivel do acesso aos cuidados de saude, educaçao…
    sao vidas muito complicadas estas dos trabalhadores ilegais na china…
    vendo as coisas pelo lado do pai, que alternativas lhe restam?

  • 8
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    8 de Fevereiro de 2010 - 23:52 | Link permamente

    Paulo, já corrigi. Obrigado :)

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