Por vezes acontece um determinado assunto revolver-nos o estômago de tal forma que não descansamos enquanto não escrevermos. Também sucede serem outros a fazê-lo por nós – e fazem-no tão bem que nos esvaziam o cérebro (não no sentido zombie da expressão) e nada nos resta a não ser o prazer da leitura – o que já é muito. É o caso dos textos da Jonasnuts e do Pedro Marques. Ambos excelentes e pertinentes.
Tenho por si um carinho especial, uma vez que faz parte das minhas memórias de infância, primeiro com a abelha maia e mais tarde com a participação no festival da canção, no tempo em que o festival da canção era relevante. Daà esta minha cartinha.
Escrevo-lhe porque através da comunicação social tive acesso a umas declarações que prestou, no âmbito do workshop A Indústria da Música em Portugal. E uma vez que a sua área é a música, não entendo porque é que optou por um discurso eminentemente tecnológico, que não é o seu mister. O seu mister é a música e a forma como ela chega aos seus clientes. Presumo que enquanto intermediário entre o artista e o consumidor tenha o difÃcil trabalho de agradar a 2 clientes, os artistas e quem consome a música, mas em última análise, quem paga as continhas, é quem compra a música. Nesse sentido, tenho visto a indústria a que pertence a tratar muito mal a sua clientela. Seja através dos preços ridÃculos que cobra, quer pelo facto de tratar como ladrões todos aqueles que são (eram) os seus clientes.
Veja o meu caso. Há anos que não compro um CD. E nem é só pela questão do dinheiro. Os últimos CDs que comprei, não os consegui ouvir nos vários equipamentos de que disponho. Ora se eu compro um CD, é para eu ouvir quando quiser, onde quiser, como quiser, e não é o revendedor que deve decidir isso por mim. (…) excerto de Caro Tozé Brito, Jonasnuts
A propósito de uma iniciativa do INET-MD Instituto de Etnomusicologia – Centro de Estudos de Música e Dança, da Universidade Nova de Lisboa, que se repete no dia 20 e que promove um espaço de diálogo entre músicos, indústria e o meio universitário, Tozé Brito, o manda-chuva português da Universal Music, que possui um currÃculo invejável como músico, produtor e compositor, disse que queria que as pessoas que fazem downloads ilegais fossem presas.
Sim, leram bem, presas.
Quando esses senhores, os grandes editores, fizeram rios de dinheiro, revendendo catálogos inteiros durante a passagem do vinil para os cds, não acharam que isso era um roubo. Não, isso não. Os cds custam 50 cêntimos, eles vendem-nos a 30 euros, e acham que podem, devem, ter uma margem de lucro que inclua novamente os direitos de autor das editoras, como se aquilo fosse uma coisa nova. Eles vendem duas vezes a mesma coisa mas agem como se fosse legÃtimo. E têm o descaramento de vir pedir a prisão de quem descarrega música na internet porque os preços da música se tornaram proibitivos? (Já para não falar na cultura consumista que divulga apenas os artistas que Eles querem, quando Eles querem – toda a música não-comercial fica nas ruas da amargura como sempre.) Esquecem-se de dizer que a maior parte das pessoas que descarrega música são os mesmos clientes (como eu) que se fartaram de encher o cu (no pun intended!) à s editoras que tinham lucros astronómicos, normalmente muito maiores do que aqueles que os artistas tinham a sorte de usufruir. (…) excerto de Vão roubar para a estrada!, Pedro Marques































2 comentários
O cd é um formato ridiculo!
Obrigada pelo elogio
É para compensar as (muitas) vezes em que acontece exactamente o mesmo, mas no sentido inverso