Quase cinco anos depois do 11 de Setembro, mais de um terço dos americanos considera ter-se tratado de um “golpe” do próprio Governo.
Uma busca pelo Google usando World Trade Center Conspiracy como frase resulta em 10 milhões e 200 mil resultados. Mais de 3000 livros foram publicados, muitos rejeitando a teoria oficial segundo a qual os aviões foram desviados por seguidores de Osama bin Laden e da Al Qaeda. Centenas de websites nasceram dos escombros do World Trade Center para sustentar múltiplas teorias conspiratórias. O sucesso tem sido extraordinário.
Muitas pessoas têm desmentido as teorias conspiratórias, mas nenhuma criou tanta polémica como a investigação conduzida pela Popular Mechanics e publicada em Setembro de 2004. A revista reuniu uma equipa de nove jornalistas que consultaram mais de 70 especialistas de renome no campo da aviação e da engenharia.
As conclusões da equipa de repórteres – e dos especialistas – são a de que todas essas teorias são mitos. Muitas têm origem em erros de relatório provocados pelo caos que se viveu nesse dia; outros, afirma ainda a revista, são fruto de mentes “cínicas” interessadas em injectar na sociedade americana doses maciças de suspeição e animosidade. Em todas um elemento-comum: falta de bom senso.
A reacção ao trabalho da Popular Mechanics foi tão intensa que a equipa decidiu aprofundar ainda mais a investigação e fazer da reportagem um livro – Debunking 9/11 Myths.
Algumas das teorias afirmam que, por exemplo, a derrocada das torres do World Trade Center apresentou todos os sinais de uma demolição controlada, provocada por uma série de bombas estrategicamente colocadas no edifício – como se fosse uma implosão. Outra sustenta que o Pentágono não foi atingido por um avião, mas por um míssil. A todas a Popular Mechanics responde com um rotundo não. E explica porquê. Por vezes, como se verá mais adiante, são os próprios especialistas a rejeitar essas teorias em termos ainda mais categóricos.
Uma das ideias mais difundidas afirma que os aviões que atingiram o World Trade Center não eram aviões comerciais. A teoria assenta na observação de fotografias e material vídeo do Voo 175 que atingiu a torre Sul. Os defensores da teoria da conspiração afirmam vislumbrar “um objecto” sob a base da fuselagem da asa direita do avião. Esse “objecto”, afirmam, não seria mais do que uma espécie de “rampa” a partir da qual um míssil foi disparado – segundos antes do impacto final. O documentário 911 In Plain Site defendeu esta ideia. Um dos mais conhecidos defensores dessa hipótese é o site Let’s Roll 9/11.
Entre os comentários cépticos recolhidos pela revista à ideia de uma rampa de lançamento escondida no avião, o mais categórico partiu de Fred E. Culick, professor de Aeronáutica do Instituto de Tecnologia da Califórnia: “That’s bull.”
A ideia de que o Governo americano se encontra envolvido no 11 de Setembro sustenta-se também na aparente ausência de resposta por parte da Força Aérea Americana. Porque razão – perguntam os teóricos da conspiração – não foram enviados caças F16 para interceptar os aviões?
A resposta a esta pergunta, para Mark R. Elsis, do website StandDown, é óbvia: “Nesse dia, a Força Aérea recebeu ordens para ficar em terra”.
A verdade é que a ausência dos F16 explica mais a confusão gerada pelo ataque do que qualquer coisa deliberada. Nenhum alerta automático chegou à rede de computadores da North American Air Defense Command (NORAD). Segundo um porta-voz da NORAD, o pessoal do Controle Aéreo teve de lhes telefonar a contar o que se passava. Ninguém estava preparado para um ataque daquele tipo. O sofisticado radar da NORAD, por exemplo, funcionava como um gigantesco donut em redor dos Estados Unidos: os recursos estavam dirigidos para as fronteiras, não para o centro. Não admira, então, que tenham acontecido situações em que os F16 estavam a descolar já depois de os aviões terem atingido as torres.
Outra teoria: o avião não tinha janelas de passageiros. Esta começou quando um empregado da Fox News, Marc Birnbach, entrevistado em directo pela estação, afirmou que o avião que bateu na Torre Sul não parecia ser um avião comercial, pois nem sequer tinha janelas.
Entrevistado dois anos depois pela Popular Mechanics, Birnbach esclareceu as circunstâncias em que observou a colisão: estava a cerca de duas milhas da Torre Sul, só teve tempo de vislumbrar o avião quando passou por ele e nem sequer o viu a colidir com a torre, só ouviu a explosão.
Conclusão: muitos preferem pensar que o 11 de Setembro foi obra do seu próprio Governo do que reflectir sobre as razões que levaram um grupo de pessoas a sentir tal ódio e ressentimento contra a América a ponto de planear e executar uma carnificina daquelas. Nisso não pensam eles – e ficávamos todos a ganhar se o fizessem. Nós, os do mundo que eles não querem conhecer.

Nenhum vídeo pode transmitir a ideia dos horrores do 11 de Setembro, mas três dos que circulam na net são uma aproximação. O primeiro por ter sido filmado de muito perto durante a queda de uma das torres. O outro por se ver muito claramente a violência do impacto do avião sobre a segunda torre. São vídeos pouco conhecidos, especialmente o segundo.
O terceiro não o aconselho aos estômagos mais sensíveis: trata-se do registo áudio de uma chamada efectuada por Kevin Cosgrove aos serviços de emergência. Cosgrove, apanhado no 105º andar da Torre Sul, impossibilitado de escapar, mantém-se em linha até ao momento em que o edifício colapsa e a chamada se perde. O vídeo da derrocada foi sincronizado com o registo áudio da voz de Cosgrove, tornando a experiência ainda mais perturbadora. O corpo só foi encontrado uma semana depois, nos escombros. O grito de desespero ouvido ao telefone e as últimas palavras – Oh God – ajudam a lembrar que naquele dia perderam a vida milhares de seres humanos como ele – não são números para as estatísticas. Não me interpretem mal: como já escrevi noutro post sobre o 11 de Setembro, o cemitério está cheio de inocentes – e nem todos são americanos. Muitos são iraquianos. Ou jugoslavos.






























