Foi criado o Movimento CÃvico Anti-Pirataria na Internet (MAPiNET). O grupo não tem ainda uma página oficial, mas promete-a para breve.
Amanhã realiza uma conferência de imprensa na sala VIP dos cinemas Zon Lusomundo, do Centro Comercial das Amoreiras, em Lisboa, para divulgar este movimento aos jornalistas. No dia seguinte, promove uma concentração à porta da Assembleia da República para entregar o seu manifesto «sobre a problemática das descargas ilegais feitas através da Internet» ao respectivo presidente e representantes dos grupos parlamentares. No mesmo dia, à tarde, desloca-se à residência oficial do primeiro-ministro para fazer a entrega do mesmo documento.
O movimento nasceu de forma «espontânea» entre pessoas que dependem economicamente das indústrias culturais afectadas pela pirataria.
Considerando não existir uma «postura firme» por parte das autoridades «no sentido de combater de forma célere e eficaz esta forma de delapidação do património cultural», decidiu-se, com este movimento, «apelar à consciência cÃvica de todos para a protecção da propriedade intelectual.» As suas palavras de ordem são as seguintes: «Concentração por uma Internet livre de pirataria. Não ao download ilegal!».
Os membros do MAPiNET têm razão em sentir-se prejudicados, sobretudo quando os downloads acabam na Feira da Ladra. Mas já que estamos a denunciar ladrões, recordo a transcrição da intervenção que Courtney Love fez na conferência da Digital Hollywood Online Entertainment, a 16 de Maio de 2000. (Courtney é a vocalista da extinta banda feminina Hole e mulher do falecido Kurt Cobain). A tradução original é do brasileiro Derneval R.R. Cunha que pediu, e obteve, permissão da cantora para distribuir o texto.
Segue-se o depoimento de Courtney Love:
«Esta história é sobre uma banda que consegue um contrato fabuloso: uma parte de 20% em direitos de autor e um milhão de dólares como avanço. (Nenhuma banda consegue uma parte de 20% em direitos de autor, mas enfim…) Estas contas são baseadas na realidade e tenho a certeza de que são mais credÃveis do que as que Edgar Bronfman Jr. [Presidente da administração da Seagram, detentora da Polygram] possa apresentar.
Que acontece ao milhão de dólares?
Eles vão gastar meio milhão a gravar. A banda ainda fica com 500.000. Pagam 100.000 ao agente pela sua parte dos 20%. E pagam 25.000 ao advogado e outro tanto ao administrador de negócios.
Restam 350.000 para distribuir pelos quatro membros da banda. Depois de pagarem 170.000 em impostos, sobram 180.000. O que dá 45.000 para cada um. Ou seja, 45.000 para viver durante um ano, até que o disco seja lançado.
O disco é um grande sucesso e vende um milhão de cópias. (Dizer que uma banda estreante vai vender um milhão de cópias no seu primeiro álbum é outra utopia, mas passemos à frente.)
Entretanto, a banda lança dois singles e faz dois vÃdeos. Os dois vÃdeos custam um milhão a produzir e 50% dessa despesa é deduzida dos direitos de autor da banda. São avançados mais 200.000 à banda, para custear a digressão, quantia que é deduzida a 100%. A editora gasta 300.000 em promoção independente para rádio.
É necessário pagar promoção independente para que o disco passe na rádio: trata-se de um sistema em que as companhias discográficas usam intermediários, para que possam fingir que não sabem que as estações de rádio são pagas para passar os seus discos. Estes custos são também debitados à banda.
Uma vez que o avanço original de um milhão de dólares era também dedutÃvel, a banda está agora a dever dois milhões à companhia discográfica. Se o milhão de discos for vendido na sua totalidade, a full price, sem descontos nem promoções, a banda ganha dois milhões em direitos de autor, uma vez que a sua parte de 20% lhe dá 2 dólares por cada álbum vendido. Dois milhões de dólares em direitos de autor, menos dois milhões de dólares em despesas dedutÃveis… igual a zero!
Quanto é que a editora facturou? Onze milhões.
O fabrico dos CDs custou 500.000 e tinham avançado à banda um milhão. Depois foi mais um milhão para fazer os vÃdeos, 300.000 para promoção na rádio e 200.000 para apoio à digressão. A editora pagou também 750.000 de direitos de autor ao publishing das canções.
E gastaram 2,2 milhões em marketing. A maior parte em anúncios para as lojas, mas à conta disso também se pagam as campanhas massivas dos Marilyn Manson, as t-shirts dos Korn e os bonés de baseball. Isto para nem falar em comes e bebes, gorjetas e outras miudezas.
Tudo somado, a companhia discográfica gastou 4.400.000. O que significa que o seu lucro foi de 6.600.000.
Claro que a banda se divertiu. Ouviu o seu disco na rádio, vendeu discos, conquistou novos fãs e foi óptimo passar pela TV, mas agora não tem dinheiro para pagar a renda e ninguém lhes dá crédito. Pior: a banda não detém a propriedade do seu próprio trabalho… Podem pagar a hipoteca para sempre, mas nunca possuirão a casa. (…)»































19 comentários
Epá que pena que eu tenho destes artistas… Acho que deverÃamos fazer uma vaquinha para lhes arranjar dinheiro pelo menos para um mini e uns torresmos.
Espontânea
Sim, eu já tinha detectado o erro. Obrigado na mesma.
Ai está o lobby das editoras… Acho que aqui trata-se de roubo a editoras e não aos próprios artistas. Graças à Internet hoje em dia conheço 10 vezes mais bandas e artistas que antes. Acho que não se pode ver as coisas só pelo lado da pirataria.Se querem dar dinheiro ás bandas e as apoiar vão a concertos. Apesar de comprar discos e dvd’s das minhas bandas e artistas preferidos o dinheiro não dá para tudo. (agora claro está que vou ser interpretado como um grande gatuno de discos lolol).
Ninguém duvida que há que respeitar os direitos de autor e isso tudo, mas eu vejo isto numa perspectiva portuguesa: Um cd custa mais de 15€, um livro (nem precisa de ser bom) custa à volta de 15-18€, os mais baratos, e agora pergunto, com o nosso salário mÃnimo como é que temos acesso à cultura? (Reparem que nem sequer falo dos preços dos bilhetes de teatro) Pois não temos… Isto está de tal forma que só a classe mais elevada é que tem poder económico para comprar um livro! Isto num paÃs que se diz de poetas!. É claro que me podem dizer, para ir a uma biblioteca, que não tem custos e etc, mas eu respondo: Não vivo nem em Lisboa nem no Porto. É claro que não há só bibliotecas nessas cidades, mas no resto do paÃs não há uma rede de transportes publicos que me permita ir á biblioteca mais próxima, e se for de carro, só o dinheiro gasto em gasolina, dava para comprar o livro.
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Este discurso todo só para dizer, que depois admiram-se que se vá procurar a dita “cultura” por outros meios, é que a mensalidade da net ainda dá para pagar todos os meses
Bom resto de semana.
Sou músico e a minha opinião é que as Editoras já não têm razão de existir… Já não fazem falta nenhuma pois as bandas podem fazer tudo o que era anteriormente feito pelas Editoras, mas de uma forma mais justa e com muito mais controlo… Mesmo as bandas mais conhecidas começam a chegar a esta conclusão (Veja-se o exemplo da edição do In Rainbows dos Radiohead, e a posterior vingança da EMI que resolveu editar um Greatest Hits (em 3 versões diferentes) mesmo contra a vontade da banda)…
E onde fazem falta as Editoras?… Nas invenções fabricadas tipo 4 Taste, Just Girls, D’ZRT, em que exploram os miúdos cantores até ao tutano… Infelizmente aqui já faz todo o sentido… De qualquer modo isto não é música, é apenas business…
E por falar em pirataria, relembro as belas palavras de Tozé Brito numa entrevista ao Correio da Manhã há uns anos, quando ainda era presidente da Universal PT:
“Está a ser estudada a nÃvel internacional, uma medida que só será usada em último caso e que necessitará sempre de aval judicial que é colocar propositadamente na ‘net’ canções com vÃrus que rebentem com o disco rÃgido dos computadores.”
E outra pérola da mesma entrevista:
“A margem de lucro deste negócio ilegal, de pirataria, que mais não é do que roubo de propriedade intelectual, chega aos 800 por cento. É o negócio mais rentável do Mundo neste momento. Muito superior ao tráfico de droga, de armas, de carne branca… e qual é a moldura penal para isto? Três anos de prisão, se for apanhado.”
E agora a pérola final:
“O crime organizado está por trás de toda a pirataria, de discos, filmes e tudo o que é direito de autor. E atrás do crime organizado vem o terrorismo, as grandes organizações de que se fala todos os dias. O atentado do 11 de Março em Madrid foi financiado com capitais que vieram da pirataria da música e dos filmes.”
E pronto, já não digo mais nada
Embora seja conta a pirataria abomino este tipo de movimentos de cuja intenção desconfio sempre e como nalguns casos bem conhecidos são bem piores que os próprios “piratas” – veja-se o caso da RIAA e dos métodos que emprega!
Existem outros mas este é chega e sobra.
Contudo, como ainda nem sequer conheço o que isto vai ser, por ora vou dar o benefÃcio da dúvida.
Falando agora de outra coisa que não o tal movimento é sempre interessante verificar quais os princÃpios porque usualmente se regem e que não deverá andar muito longe da ridÃcula assumpção de que cada download ilegal = menos uma música vendida!
É óbvio que não é. Atirando um número para o ar penso que mais de 95,9% dos downloads não equivalem efectivamente a vendas. Ou seja, praticamente ninguém compraria alguma vez as músicas que pirateia. Este é sempre o argumento que estes ditos movimentos não proclamam e de outro modo tentam convencer toda a gente que é precisamente o contrário.
Claro que o número que apontei é uma extrapolação pessoal daquilo que eu penso seja o panorama português mas sinceramente também penso que não deverei estar muito longe da verdade.
No caso dos filmes idem.
Eu não acredito que quem pode comprar algo do(s) “artista(s)” que gosta não o faz porque pode descarregar da “net”. Nos filmes idem, ibidem.
Claro que a oferta em Portugal é atroz. Basta ver um daqueles programas da TV – Top qualquer merda para se ver a qualidade do que vai por lá. Claro que este movimento deverá ser internacional porque se se tratar de defender apenas o mercado nacional podem gastar bem as solas que os artistas portugueses são dos mais maltratados pelas próprias editoras – mais uma vez atente-se nos Tops para se ver a foleirice que por lá anda.
Por último e não menos importante –
Ora, ora. Nada como uma frase destas para se adivinhar o que por aà vem. Para além de eu nem ninguém saber como se faz uma coisa destas pressinto que apenas existirá um caminho – impor a ditadura à Internet!
É que não existe qualquer outra forma!
Parece-me a mim que este movimento vem um pouco no seguimento do que o pequeno-ditador-casado-por-acaso-com-uma-cantora anda a fazer lá pelas terras de França.
Como os “bobbys” não conseguiram impor-se na UE, onde levaram uma banhada de todo o tamanho, 88% contra o projecto “3 strike you’re out”, tentam agora por outras vias darem a volta ao problema.
Enquanto uns andam a tentar impor a ditadura à Internet, outros andam a tentar libertar a Internet dos predadores e principalmente dos “bobbys” – carta a ser enviada aos nossos governantes e representantes na UE a ser publicada brevemente em “Programas Livres”.
Para além do exposto ainda poderia considerar outros esquecimentos deste tipo de movimentos mas deixo apenas um:
- Sabem que ao comprar um CD ou DVD “virgem” está automaticamente a pagar uma taxa para eventualmente “pagar” um também eventual uso ilegal!?
- Sabem também que essa taxa está regulamentada por DL!?
Façam as contas de quantos milhões andam por aà a voar em prol de alguém que agora quer andar a brincar aos movimentos.
Verdadeiramente de quem eu tenho pena é mesmo dos artistas. Esses é que não mereciam sofrer a exploração que sofrem. Pode ser que um dia acordem e se unam de forma a mandar os verdadeiros ladrões dar uma volta.
@braço.
Este movimento parece ser mais uma “fuga para a frente” desesperada das editoras caducas e bafientas que ainda não entenderam que o mundo mudou, que a maneira de ver a musica e a arte em geral mudou, e que não é com movimentos de ciber-analfabetos que se resolve o problema.
Pirataria sempre ouve, e vai continuar a haver, enquanto esta malta não entender que um CD não pode ter um custo de e 1 euro, e ser vendido a 20 e que a arte não pode ser comercializada apenas para nichos de mercado de gente rica.
E já agora, como é que este movimento tenciona lidar com a distribuição de musica sob licença Creative Commons, como acontece no Jamendo (www.jamendo.com) e em outros sites do género?
E como é que tencionam lidar com o myspace e a distribuição de faixas para download feita pelas bandas?
vão fazer quexinhas a quem? ao pai natal, se calhar…
Estes senhores que se fartaram de engordar enquanto não havia acesso “livre” à música estão a sentir as suas fortunas ameaçadas. Sou a favor da pirataria para consumo próprio (nunca para dela tirar proveito). Eles estão a defender-se, mas por mim podem dar uma volta ao bilhar grande, porque a ética que estão a apregoar nunca a tiveram.
Para mim, a chamada pirataria, é apenas uma forma de acesso à cultura e ao conhecimento.
Tenho por hábito ir ao cinema, tenho por hábito ir a concertos, festivais e afins;
Se tivesse que pagar para ver todos os filmes que vejo e todas a musicas que oiço simplesmente deixaria de ver e ouvir, não passaria a comprar. Vejo facilmente, 3/4 filmes por semana, se tivesse que os comprar, ou ir ver ao cinema, ou alugar, não teria meios para isso.
E o mesmo se passa com a música; Claro que se for um artista que gostamos muito 20€ pode não parecer uma montanha, mas compraria 2 ou 3 cd’s por ano, no máximo.
Prefiro não comprar nenhum cd, e ir a 2 ou 3 festivais, e a mais um ou outro concerto.
No entanto,a partir do momento que se ganha dinheiro com essa ‘pirataria’, concordo que se deve ser punido.
Era uma vez o benefÃcio da dúvida. Afinal este movimento “cÃvico” tem por génese a ACAPO!
Infelizmente, confirmam-se os piores receios.
Atropelo total à directiva Europeia através de uma forma que tenta forçar os legisladores a optar pela ditadura na Internet.
Engraçado é ler o último parágrafo do comunicado da ACAPO. Nele os tais ideais são completamente deturpados. Para quem tem dúvidas a UE rejeitou a tentativa da ditadura precisamente nesses termos considerando que aquilo que os bobbys estavam a tentar fazer passar era justamente o contrário.
@braço.
PS: Eles tem mais poder e mais dinheiro que o povo livre por isso são mais céleres nas tentativas ditatoriais. Contudo, a liberdade embora mais lenta e sem os milhões que rodam por detrás, também tem uma palavra a dizer e através da ajuda da comunidade também tem uma palavra a dizer…
Teclo mais rápido que a própria sombra e depois repito-me…
“(…)através da ajuda da comunidade(…)”
Poderá levar a bom termo a luta por uma Internet livre dos bobbys.
Este MAPiNET parece ser uma fachada da ACAPOR. O que está no site da sua congénere francesa, a svcf, não deixa grande margem para dúvidas:
http://www.svcf.fr/mapinet_linternationalisation_de_la_lutte_antipiraterie
LULZ? Ké isso, pah?
Já diziam os meus avós:
“Quem não tem dinheiro não tem vÃcios”
Se algumas das pessoas aqui percebessem isso, haveria muita menos pirataria.
Só tenho quatro letras a dizer: LULZ!
Tu vais assistir Marco? Se fores, vou também, conheço-te, pago-te um café (ou vou ao Mc das amoreiras encher a barriga) e pergunto-te que cenas queres que te grave num DVD.
LULZ again!
Rui
http://encyclopediadramatica.com/index.php/I_did_it_for_the_lulz
Lê.
Rui