Quem não estiver muito virado para as electrónicas de Portishead, Bjork, Anja Garbarek ou Aphex Twin dificilmente gostará da iraniana Leila Arab. Eu estou virado para aí e acho-a formidável.
Leila nasceu em 1971 na Pérsia (é assim que faz questão de chamar o lugar onde nasceu), mas encontra-se desde os oito anos radicada em Londres: a Revolução Islâmica no Irão, em 1979, obrigou a família a abandonar o país.
Tornou-se conhecida sobretudo a partir da colaboração com Bjork e pelos dois discos que lançou em nome próprio: Like Weather (1998) e Courtesy of Choice (2000).
Em 2008 chega Blood, Looms and Blooms. O longo período em branco – oito anos – deveu-se à morte dos pais: a mãe adoeceu e morreu em 2002; o pai morreu um ano depois. Leila Arab afirma que por causa desta tragédia familiar demorou muito tempo a reencontrar-se e conseguir regressar à música.
De Blood, Looms and Blooms se diz que é como estar perante uma banda sonora de um filme bizarro e ruidoso, árido e pueril, repleto de ambientes e sentimentos contraditórios.
Na entrevista dada ao jornalista Pedro Dias da Silva (Suplemento Ípsilon do Público), Leila comenta da seguinte forma a associação que as pessoas estabelecem entre a sua música e o cinema:
«O que acontece é não estarem habituadas a experimentar tantos sentimentos apenas com a música. Certos filmes marcaram-nas porque esta ou aquela música as faz recordar algo que visualmente ficou na memória. Infelizmente, no nosso século, a única altura em que as pessoas parecem sentir algo é através do cinema. E isso é uma relação corrompida. Oiço Ravel, Stravinski ou Bartok e emociono-me – e eles não estavam a musicar imagens. Penso que actualmente a função da arte é agradar às pessoas – o que condeno, pois a sua função tem que ser fazer pensar e sentir.»
Um cheirinho do disco: Little Acorns (feat. Khemahl & Thaon Richardson) e Why Should I? (feat. Terry Hall & Martina Topley Bird)































7 comentários
Portishead, Bjork, Anja, … muito bom. Não conhecia a Leila, gostei demasiado das amostras. Obrigado por partilhares! Vou dar ali um saltinho à FNAC, pode ser que ninguém note a minha falta, anda tudo engasgado com as crises e os mais recentes anúncios das medidas de combate. A melhor parte é que acabaram de congelar as viagens internas. Assim o meu “chefe” espanhol (sim, já passamos essa fase e pelos vistos de pouco adiantou) não saberá se estou com o cagueiro sentado atrás do laptop a parir propostas ou em frente às minhas roxan a decompor nas mais pequenas partículas os sons do Blood, Looms and Blooms acabado de comprar. “Ganda Crise”!
A little acorns parece música do loco roco :p
Mas muito porreiras no geral!
Estive a ouvir este álbum durante a tarde. Terei que o ouvir mais uma ou duas vezes antes de poder dar uma opinião final, mas fiquei com boa impressão dele.
Ainda não pude ouvir, mas pelo menos a fotografia é fantástica. Marco, de onde é a foto? Gostava de a encontrar com maior resolução.
Nuno, não encontrei uma versão maior dessa foto… a original tem 300 por 200 pixéis, podes sacá-la se quiseres. Link
Nuno, não encontrei uma versão maior dessa foto… a original tem 300 por 200 pixeis, podes sacá-la se quiseres. Link
Já ouvi. Não gostei
apesar de gostar muito de Portishead e coisas parecidas. A Little Acorns, aliás, irritou-me…
Ah, obrigado pelo link para a foto!