→ 14/04/2006 @19:01

O James Dean do jazz

Carol Baker, a terceira e última mulher com quem viveu, afirmou que Chet era o caos permanente misturado com puro génio. Miles Davis – o seu herói de juventude – desprezava-lhe a musicalidade: Toca pior do que eu até mesmo quando era um drogado inveterado, afirmou. A diplomacia nunca foi, de resto, o forte de Miles.

O próprio Chet tinha consciência de que a sua forma de tocar a trompete – um estilo calmo e introspectivo, nada espectacular – não iria ser muito apreciado por um público de jazz que avaliava os solos pela sua rapidez, estridência e agilidade: Parece-me que a maioria das pessoas só se impressiona com três coisas: a rapidez com que se pode tocar, a altura que se pode atingir e o volume do som produzido – afirmou ele uma vez. – É exasperante mas agora, que estou mais experiente, vejo que talvez menos de dois por cento do público sabe realmente ouvir.

Chet Baker nunca foi reconhecido como um dos grandes nomes da música americana – excepto na Europa, onde o seu nome é hoje referenciado como o precursor do estilo cool jazz, e um dos seus grandes trompetistas. Também cantava – e a voz, limpa e aveludada, acabaria por inspirar e influenciar a bossa nova de Tom Jobim e João Gilberto.

A juventude e beleza estilo Hollywood, o talento, o romantismo da pose e da trompete, a vida pessoal caótica, sempre agarrado à heroína e com poucas hipóteses de remissão, fizeram de Chet Baker uma espécie de James Dean do jazz.
Em 1968, envolvido numa rixa durante mais uma compra de heroína, é espancado e perde a maioria dos dentes.

Chet não morreu novo num desastre de viação como Dean mas, por causa desse espancamento e das drogas, envelheceu muito depressa: aos quarenta anos já parecia ter 60; aos cinquenta, rugas brutalmente escavadas no rosto, já aparentava 80. Finalmente, na madrugada de 13 de Maio de 1988, Chet caiu (ou atirou-se, nunca se chegou a saber) de uma janela de um hotel em Amsterdão, na Holanda, e morreu.


Leaving (de Horace Silver) foi retirado do CD Strollin’, gravado ao vivo em Junho de 1985, na (então) Alemanha Ocidental. Chet partilha o palco com dois cúmplices: Philip Catherine (guitarra) e Jean Louis Rassinfosse (baixo). O guitarrista brilha neste tema: Philip, nota-se a léguas, é influenciado por Django Reinhardt – um dos grandes da guitarra de todos os tempos e géneros. Mingus mencionava-o com desdém, definindo-o como um Django de segunda. Mas não é bem assim. Oiçam.

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