Em primeiro lugar, levantem o rabo da cadeira e façam uma vénia ao senhor Oscar Peterson, que morreu domingo à noite, dois dias antes do Natal. O senhor Peterson tinha 82 anos e era uma lenda do jazz, um virtuoso do piano como Art Tatum (outra lenda do jazz) ou Frantz Liszt (este é outro campeonato).
Tanto Oscar Peterson como Art Tatum tocavam como se dos seus dedos nascessem cataratas do Niagara: com Tatum as notas desabavam em grandes blocos sobre as teclas do piano, mas Peterson era menos tempestuoso que Tatum e não era tão granÃtico como Dave Brubeck (outro!), tinha mais melodia e ‘swing’, provocava mais encanto.
Agora que já prestaram as vossas sentidas homenagens a Oscar Peterson, convido os mais curiosos a ler a nota biográfica publicada por John Lester no excelente Jazzseen. Guardem este link, amantes da boa música.
Conta-se que o húngaro Frantz Liszt, outro grande pianista, passou dois anos isolado diante do piano depois de ouvir Paganini (outro prodÃgio!) tocar violino em Paris.
Liszt tinha treze anos. Ficou tão impressionado com o violinista que jurou não descansar até ser um Paganini do piano, capaz de tocar passagens muito extensas e impossivelmente complicadas do ponto de vista técnico. Aos quinze, achou-se preparado para enfrentar o mundo.
Liszt era realmente um pianista extraordinário, mas brilhava mais intensamente diante de uma plateia feminina. Era dado a grandes momentos quando pisava os palcos.
Dizia-se que fingia ter ataques de histeria no fim dos seus concertos só para transmitir a ideia de que mais ninguém a não ser ele, Liszt, era capaz de se envolver na experiência transcendental da música.
Estas experiências metafÃsicas não só lhe elevaram o espÃrito artÃstico como o conduziram à alcova de muitas damas da alta sociedade parisiense.
Consta que Liszt era quase tão bom na cama como no piano. A sua presença era suficiente para que muitas senhoras perdessem os sentidos, vencidas pela emoção de respirar o mesmo ar do grande artista. E se pensam que este é um comportamento absurdo, revejam aquelas filmagens a preto e branco de adolescentes histéricas nos concertos dos Beatles.
Liszt acabou por casar com uma princesa russa que lhe ensinou as virtudes de uma vida discreta e, sobretudo, católica. Viveu com ela até ao fim da sua vida, em 1886. Provavelmente influenciado pela piedosa esposa, Liszt confessou os seus inúmeros pecados carnais ao próprio Papa, que interrompeu o compositor a meio da confissão e lhe disse: «Já chega, Liszt. Conta os teus pecados ao teu piano.»































3 comentários
um Papa sábio
bem-vindo de volta à escrita
eu sei que não é jazz, mas, pelo menos, ainda temos o wim mertens para nos deliciar em concertos por ai…
e o peterson poderá animar, ao sabor de peterson (tabaco de cachimbo que tanto prezo), ao ritmo de uns sons perdidos por aà em cds gravados na casa de umas pessoas que ainda rodam um vinis…
god bless the jazz
Claro que brilhava mais intensamente diante de uma plateia feminina, estavas à espera de quê? E dizer que comparava o desempenho do seu instrumento com o de Paganini não será redutor? Concerteza que o comparava aos da restante concorrência, não foi sempre assim em todos os tempos? E os truques que ele usava para as levar para as palhinhas, se resultavam, bem tolo seria se os não utilizasse.
E também, como nós todos, começou a dar bons conselhos quando deixou de ter idade para dar maus exemplos.