É curioso como todos os principais websites dedicados a Tom Waits – incluindo o site oficial – tenham optado por um fundo negro rodeando o recorte cinzento, quase fantasmagórico, da figura do músico.
O crítico David Shoulberg escreveu que ouvir Tom Waits é “como caminhar por uma cidade fantasma”, onde “tudo range e arrepia”, ao mesmo tempo que se é envolvido por “uma estranha sensação de paz”.
Uma cidade fantasma é um sítio apropriado se, logo à entrada, protegido da poeira das ruas desertas e dos rangidos de abandono, existir um bar de sombras e copos cintilantes.
A voz de Tom Waits, boémia, melancólica, acompanha uma música muito especial, música de fim de noite, quando o Sol já espreita e ofusca o brilho das estrelas e das garrafas.
Talvez seja por isso que não consigo ouvir a música de Waits durante o dia: é como se estivesse a cometer um acto de traição. Já os Tindersticks – tidos como literária e musicalmente próximos – ouvem-se muito bem durante o dia.
Ao contrário de Tom Waits, que é rude e áspero, aqueles cultivam uma pose mais cool que, por acaso, até lhes fica tremendamente bem. Mas para mim a diferença entre os Tindersticks e Tom Waits é a mesma que existe entre um gajo bêbado com tendência para se tornar lamechas e um outro que usa a melancolia e a solidão como instrumentos de humor: oiço com mais agrado o segundo.
Musicalmente também noto algumas diferenças importantes: os Tindersticks procuram o bom gosto nos arranjos, Waits preocupa-se mais em fazer junções impossíveis de estilos e instrumentos musicais, sobretudo na última (e menos comercial) fase da sua carreira.
Blue Valentine (Tom Waits) A Night In (Tindersticks)































3 comentários
Zappa, Tom Waits… Fonix vocês aqui tratam-se bem, porra! 5 estrelas, Marco.
é pá…
Tom Waits é único!
=:-)
Yeap… Tom Waits é único. Então e vir todos os dias para o Deserto (leia-se Tagus Park ou trabalho) é ouvir todos os dias vezes sem conta num loop sem fim “God’s away on business”.