Eu nasci em 1967 – o ano em que o Homem foi à Lua? Tinha seis meses quando Neil Armstrong deu o grande passo para a Humanidade?
O facto de o Homem ter ido à Lua em 1969 e ter começado ontem este post com um 1967 explica muita coisa acerca de mim. Sou a tÃpica pessoa que anda sempre no mundo da Lua, mais concentrado na estratosfera do que nos sÃtios por onde caminho, mais focado em emoções do que em datas.
Até quando estou atento me distraio. Querem um exemplo? A primeira vez que levei a minha filha a andar numa passadeira rolante estava tão preocupado que ela pudesse cair que não parava de olhar para trás. Acabei eu por me espalhar ao comprido quando a passadeira chegou ao fim e o chão deixou de me acompanhar – não estava mesmo à espera dessa. Devo ter parecido o inspector Clouseau dos filmes da Pantera Cor-de-rosa. Resultado: uma pancada no joelho esquerdo que ainda hoje me dói quando abuso das pedaladas ou o clima muda de repente.
Também há quem diga que nasci com o cu virado para a Lua, por ser um tipo de sorte. Exemplos? A primeira vez que perdi a minha carteira encontrou-a um polÃcia que estava de folga e me telefonou imediatamente. Mais: esse polÃcia morava na minha zona, pelo que só tive de descer as escadas, andar um bocado, pagar um cafezinho ao homem e agradecer-lhe.
À segunda vez, a carteira foi encontrada por um guarda-nocturno em patrulha no meu bairro que teve a gentileza de me vir bater à porta e entregar-ma.
À terceira, descobriu-a um honesto lisboeta que me contactou para a devolver quando eu ainda nem sequer me apercebera de que a tinha perdido.
Também sou de Luas, dado a manias um bocado inexplicáveis (vocês acompanham este blogue, já não é novidade nenhuma). Por exemplo, tenho medo de andar de avião. E não há nada a fazer: é medo, medo e mais medo, e não há argumento libertário que me faça sair da embaciada redoma de pavor irracional em que me deixei prender desde que os aviões se espetaram nas torres gémeas em Nova Iorque.
Tenho essa pancada, mas se me dessem a oportunidade de fazer uma viagem num Vaivém e observar a Terra, a Lua, o esplendor das estrelas sem o filtro poluidor da nossa atmosfera… Nem hesitaria, partiria da Terra deslumbrado com o Espaço como se fosse um personagem de um livro do Clifford D. Simak. Aliás, ficção cientÃfica não é literatura – é a Ciência quando se deita numa cama voadora, se tapa com um cobertor de estrelas, adormece e finalmente sonha. Às vezes tem pesadelos, também.
O fascÃnio pelas coisas do Universo é tal que mal comecei a ler e já devorava o Atlas que havia lá em casa. Um livro verde, bem encadernado e ilustrado, das Selecções Reader’s Digest. Sabia de cor as distâncias médias entre os planetas e mais uma série de dados astronómicos que não compreendia – ainda hoje não os consigo entender, embora continuem a enfeitiçar-me. De vez em quando a minha mãe fazia-me debitar esses números todos só para impressionar as vizinhas. Bem, acabava por aborrecê-las porque elas interessavam-se mais por estrelas de cinema e televisão do que pelas que brilham no céu.
Bem, são três e meia da manhã. Estou de férias e com pouco tempo para o blogue. Queria escrever um post sobre as comemorações da missão Apollo, mais outro a desancar os idiotas que acreditam que a viagem à Lua foi uma farsa da NASA (de todas as teorias da conspiração que abundam na Web, esta é a que mais me irrita) e já não vou ser capaz de os terminar hoje. Deixei-me levar, dispersei-me. Agora preciso de dormir. Fiquem bem, até à próxima.































17 comentários
Marco, nasceste mesmo em 1967? É que o Homem foi à Lua em 1969 x) Pode ser mais uma alienação tua. Vai lá verificar ao BI, ou ao Cartão de Cidadão modernaço, se já o possuires.
E outra coisa que estranhei. Tens medo de andar de aviões. Ok. Mas já não te importavas de embarcar num vaivém, viagem BEM mais arriscada. És realmente um indivÃduo de Luas!
Abraço e bom descanço
1967 é o ano de:
- space oditty de david bowie;
- their satanic majesties request dos rolling stones (um dos poucos discos que ainda consigo ouvir desses jovens…);
- do primeiro disco dos doors;
- do disco velvet underground & nico (o famoso disco da banana);
- do filme belle de jour de luis buñuel;
- do nascimento de algumas pessoas das areias…
mas não é o ano da produção da nasa sobre a pretensa alunagem…
Marco Santos,
eu sou de 68, e ambos, teremos certamente partilhado o gosto em ver uma grande série de TV, “Cosmos”, que terá sido exibido quando tÃnhamos uns 13 anos (mais coisa menos coisa). Até hoje, essa terá sido a série que me causou maior deslumbramento. Li também o livro, e outros que na altura se podiam comprar pela Selecções do Readers Digest ou do CÃrculo de Leitores. Perdemos esse grande momento da história da humanidade, mas temos vindo a assistir a muitas outras conquistas, e também enormes falhanços, do espaço. Perdemos o homem a dar o primeiro passo na Lua, mas acredito que assistiremos ao primeiro do homem em Marte. Basta existir vontade para isso por parte dos polÃticos, tal como Kennedy o desejou no seu tempo.
E a propósito do espaço, leste a notÃcia que saiu ontem, sobre um impacto de enorme dimensão em Jupiter? Por sinal, descoberto por um australiano que também gosta de andar com a cabeça no mundo da lua, ou a olhar para as estrelas.
Há dias, li já-não-sei-onde, algo deste género: Nos blogues, a perfeição a que se deve aspirar é a da autenticidade (…) Quem faz um blogue não pode ter medo de falhar da mesma maneira que não pode ter medo de ser pessoa (…) Um blogue também pode ser feito com o objectivo de criar uma presença na Web que procure ser a representação mais perfeita possÃvel do que somos e do modo como vivemos as nossas vidas.
Entre Janelas para o Mundo, e textos como este, é difÃcil dizer o que é melhor – mas isto cheira a elogio e isso faz-te ficar desconfiado
nota: @MestreSlip tem razão, quando o homem andou na Lua, terias 2 ou 2 anos e meio
“Back in the summer of Sixty Nine! Oh Yeahh”
Na segunda, dia 20, dia das comemorações dos 40 anos da ida à Lua, houve uma conferência com vários astronautas das missões Apollo, dos quais estavam presente Buzz Aldrin e Michael Collins, e uma coisa que eles disseram foi que o governo americano e a Nasa não deveriam gastar tempo e dinheiro com a Lua mas sim com Marte. Se canalizassem todos os esforços em Marte seria algo mais ambicioso e algo de extraordinário para as próximas gerações. Para eles a exploração de Marte é fascinante, terá certamente mais importância para a ciência do que novamente a exploração da Lua.
Até mesmo Neil Armstrong que é bastante contido não deixou de falar nisso. Fiquei impressionado com o fervor que eles afirmavam esta ideia. Sei que estiveram com o presidente Obama e certamente que ele esteve atento ao que eles disseram. Quem sabe se não pode ser o inÃcio, o trampolim que precisávamos para que finalmente se decida uma ida a Marte.
1967 foi realmente o inÃcio do projecto Apollo, esqueceram-se da malograda missão Apollo 1 em que morreram os 3 astronautas na plataforma de lançamento?
PS: Marco, obrigado teres dado um lamiré ehehehe e boas férias já agora
.
Bem, já corrigi o texto. O facto de confundir 1967 com 1969 diz bastante acerca do completo despassarado que eu sou.
Acho é incrÃvel como tantas horas de filme tenham sido esquecidas, isto só vai alimentar ainda mais as teorias da conspiração. Um evento tão importante e dão cabo dos filmes? pff
Já para não falar no caso dos astronautas que sempre foram muito contidos quanto à imprensa, limitavam-se a dizer o que a NASA lhes pediu para dizer e nada mais, sempre textos preparados e de resto nunca apareciam em mais lado nenhum.
bluewater68, o Carl Sagan é uma das pessoas mais importantes para a minha formação. E obrigado pelas tuas palavras. E as minhas
Medo de andar de aviao? Somos 2…
Não consigo resistir, mas os fÃsicos também ainda não conseguem resolver a questão dos três ou mais corpos como assinala o xkcd: http://xkcd.com/613/
Olha, faz um post sobre o Yuri Gagarin, o primeiro homem a ir ao espaço!
Abraço.
Marco, antes de tudo, parabéns pelo blog. É sem duvida um dos melhores no panorama nacional. Como costumo cá vir, e por isso até penso que te conheço e acho-te possuidor de um espÃrito critico, gostava de ver um post a refutar os argumentos apresentados pelos apoiantes da teoria da conspiração de que o homem nunca foi à lua. Coisas como:
– o forte vento que se fazia sentir na lua, tendo em conta os movimentos da bandeira americana;
– As sombras com diferentes direcções;
– A ausência de estrelas em todas as fotografias
– A ausência de uma cratera de aterragem aquando da aterragem da nave espacial ( sendo a superfÃcie lunar arenosa), bem como a ausência de um foguete de proporção aquando do levantamento
– após 40 anos e sendo a missão tão bem sucedida (inclusive sem efeitos colaterais para os astronautas) nunca mais lá pusemos os pés, mesmo tendo em conta a estonteante diferença tecnológica.
entre muitos outros argumentos que facilmente se encontra pela internet (uns mais pertinentes que outros, é certo)
Eu nem sou grande apreciador de teorias da conspiração, mas vou sempre mantendo a mente aberta…
Abraço
NS, apesar de estar de férias estou há alguns dias a preparar um texto sobre essa teoria. Vamos ver o que sai daqui, porque o tempo tem sido escasso.
Um abraço!
Fico então à espera
abraço e boas férias
Marco,
As “teorias da conspiração” de que o homem não teria ido a Lua, mas que isto não passa de um argumento fictÃcio norte-americano para “vencer” a guerra fria, começaram bem antes do nascimento da Internet.
Eu nasci em 1959, portanto, 10 anos antes de 1969. Quando tinha 10 anos acreditei. Pude ver o show ao vivo e a preto e branco, pela TV brasileira. Vi também em 73 o Uri Geller a entortar colheres e a consertar relógios pela TV. Confesso que também acreditei.
Mas hoje, depois de verificar cientificamente que as colheres não se entortam pela força da mente e que o homem não resistiria a crueldade cósmica, para a qual não foi preparado para conviver, a não ser que houvesse uma tecnologia que, na realidade, ainda não existe, como provam-no nas estações espaciais, ponho em causa uma série de coisas que vi pela TV e que foram afirmadas como se fossem verdades irrefutáveis.
De Nixon a se dizer inocente a Colin Powel na ONU a mostrar armas de destruição maciça a serem feitas e mantidas em caminhões através do Iraque, habituei-me a desconfiar de tudo o que os norte-americanos dizem que fazem. Principalmente depois que estudei na Escola Superior de Propaganda e Marketing, no Rio de Janeiro.
Sobre verdades e mentiras, retóricas e discursos, semiótica e sÃmbolos onÃricos, há aqui uma pérola significativa: http://www.youtube.com/watch?v=pY4FCKlQISA
Tudo pode ser dito com palavras e imagens. Mesmo o que não corresponda a verdade. Minha ciência de eleição, ensinou-me que são precisos provas formais e estas ainda não existem para acesso público no que diz respeito a este assunto. O que se sabe e o que se diz é dito pela NASA, somente. Ainda faltam 10 anos antes deles terem que abir os seus arquivos para pesquisas históricas. Não há prova histórica da ida de homens à Lua. Infelizmente. Assim como não há da existência de Jesus Cristo. Fazer o que? Acreditar só por que eles querem que aquilo seja verdade?
Daqui há 10 anos voltamos a falar neste assunto.
Da minha parte, falaremos do assunto daqui a alguns dias, pois tenciono postar sobre o assunto.
Ok. Eu percebi isto nos comentários. Mas trará novas provas? Teve acesso a algum arquivo documental da NASA? Conhece alguma coisa que possa transformar crença em verdade? Consegue afirmar de forma indelével que aquilo aconteceu? Acho que não. Sempre te faltarão as provas. Voltamos aquela conversa da existência de Deus. Cada um de nós tem, para além das pancadas, as suas crenças. Mas, agora, estarei atento.