Durante muito tempo acreditámos em Aristóteles e Ptolomeu: a Terra era o centro do Universo. Depois veio Copérnico e o Heliocentrismo: afinal era o nosso Sol o farol do Cosmos. Foi preciso Newton e a Teoria da Gravitação Universal para começarmos a compreender o funcionamento do Universo em grande escala e a modesta posição que nele ocupamos. Mesmo o Sol que nos dá vida não passa de uma estrela mediana localizada num dos braços da espiral galáctica. Então Edwin Hubble descobriu que as nebulosas visÃveis no céu limpo eram galáxias distantes como a nossa e que estas existiam aos biliões num Espaço em constante expansão – nem a Via Láctea, o imenso berço do nosso Sistema Solar, com 160 mil anos/luz de diâmetro e 100 mil milhões de vezes a massa do Sol, podia ser considerada extraordinária.
Quanto maior nos parece o Universo, maior é a dimensão da nossa solidão. Imaginem o Sol como um bloco de apartamentos e a estrela mais próxima de nós, Alpha Centauri, a 4,39 anos/luz, como o prédio que fica do outro lado da rua. Embora o possamos ver perfeitamente da nossa janela, encontra-se fora do nosso alcance. Somos tão pateticamente lentos a explorar o Espaço que, para chegarmos ao prédio, precisarÃamos de 75 mil anos só para atravessar a rua. É este o tempo que a nave mais rápida alguma vez lançada – a Voyager 1 – precisaria para percorrer uma distância Ãnfima em termos astronómicos. Por mais que a ficção cientÃfica nos faça sonhar com outros mundos, estamos muito longe de poder apanhar o Intergaláctico das oito da manhã para Andrómeda.
E no entanto descobrimos coisas espantosas porque, como escreveu Alberto Caeiro, heterónimo de Fernando Pessoa, somos do tamanho do que vemos e não do tamanho da nossa altura.
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8 comentários
ha 100 anos atras tambem era muito improvavel ter-mos sondas em marte, outras nas luas de jupiter, e no entanto estão la.
ha que se manter optimista, talvez daqui 2 ou 3 gerações não seja assim tão distante.
off topic
Aquela parte do heterónimo (pelo facto de o achar a mais) intrigou-me: é a tua veia jornalÃstica a querer ser preciso ou tens mesmo má impressão dos teus visitantes, no que concerne ao conhecimento?
E mais uma vez Fernando Pessoa tinha razão. Que nos importa isto tudo? nascemos, vivemos segundo nosso ciclo mais ou menos medÃocre, mais ou menos menos medÃocre, e acabamos, viramos pedra pomes, a tal de ‘alma’ vai sassaricar por aà e como é que ficamos? atravessar a rua?… mas mais valia atravessar nossas respostas todas não respondidas…
João: o que importa que o Marco tenha citado Fernando Pessoa com o seu heterônimo Alberto Caeiro…há tanta gente que só tem um nome e carrega a vida inteira muito menos que o merecimento de carrega-lo…não concordas?
João: é a minha veia jornalÃstica a querer ser preciso.
Cada um tem os visitantes que merece, pelo que se existir aqui muita gente estúpida a culpa é minha: é sinal que sou tão estúpido como eles.
Não é a mandarmos sondas que usam a gravidade dos planetas para alcançar uma maior velocidade que chegamos lá!
@Miguel Pereira
É com a velocidade warp
Por acaso o espaço sempre foi algo que me fascinou. Desde miúdo que olho para o céu e me interrogo sobre o que lá se passa, a sua origem e se existe mais formas de vida no universo.
eu só penso numa coisa…
se isto veio tudo duma bolinha pequenina (big-bang) que explodiu e esticou, então para que precisamos de um espaço infinito…?
não será muita arrogância pensar que o nosso big bang deu origem a tudo?