→ 07/12/2006 @21:51

Águas de Marte

Nunca estivemos tão perto de descobrir vida fora do planeta Terra sob a forma de organismos primitivos – provavelmente bactérias há muito extintas, mas que existiram.
Imagens captadas pela Mars Global Surveyor mostram fortes indícios da existência de água em estado líquido na superfície de Marte, pelo menos durante algum tempo até congelar.

Imagem da esquerda: uma das fotos tiradas em 2001. As diferenças entre esta e a mais nova (à direita, captada quatro anos depois, em 2005) é óbvia. Alguma coisa aconteceu em Marte. Os cientistas julgam que os canais brancos – bifurcados como acontece com a água quando contorna obstáculos – demonstram que ela ainda corre em estado líquido na superfície do planeta. Precisamos mesmo de mandar lá malta investigar. Seria uma proeza impressionante.


A água em estado líquido é fundamental para manutenção da vida. Se a água ainda corre no Marte actual, mesmo por pouco tempo, imagine-se como seria o planeta vermelho há milhões de anos, quando o clima não era tão impiedoso, a atmosfera era menos rarefeita e ainda capaz de «segurar» a água.
A questão da água em Marte é antiga. Os cientistas já tinham estabelecido a sua existência nos pólos (em forma de gelo) e como vapor na atmosfera, mas o que nunca se tinha visto era o que parece ser nitidamente vestígios de pequeno caudal formado recentemente.
Os cientistas tomaram muitas precauções para evitar que o que surge nas imagens agora captadas pudesse ser resultado de estranhas combinações de luz no planeta. E revelam-se convencidos de que lá em baixo, nas paredes de duas crateras marcianas, se formou um fluxo recente de água – e quando se fala em “recente”, está-se a falar num intervalo de quatro anos, e não de centenas ou milhares.
Este intervalo de tempo de sete anos tem uma razão de ser. Aquela zona já tinha sido fotografada há quatro anos, em 2001. Normalmente a NASA fotografa as mesmas zonas em alturas diferentes, precisamente com a esperança de detectar mudanças como esta.
Para terem a certeza de que não estavam a ser ludibriados por qualquer circunstância local imprevisível, as novas fotografias (captadas em 2005) foram repetidas exactamente à mesma hora e nas mesmas condições ambientais que as outras. O resultado, como se vê, dá aos cientistas razões suficientes para pensar que água em estado líquido pode existir a uma proximidade da superfície suficiente para se infiltrar de vez em quando. Mais: supõe-se que a água será ainda capaz de permanecer líquida o tempo suficiente para transportar fragmentos de entulho declive abaixo, antes de congelar. Os dois novos depósitos fotografados têm várias centenas de metros de comprimento.
Como quase sempre acontece em Ciência, uma descoberta conduz a várias perguntas. E o que os investigadores gostavam de saber é de onde vem a água, de que forma é mantida em estado líquido e com que amplituda se encontra distribuída.
Também existe uma explicação alternativa: aquilo não seria água, mas pó seco que se movimentou declive abaixo e causou aquele efeito.
Marte sempre foi o mais forte candidato à vida fora da Terra. Quando desconhecíamos as temperaturas infernais de Vénus, especulávamos que este seria um planeta de pântanos luxuriantes, espécie de floresta do Amazonas intocável. Depois as nossas atenções viraram-se para o planeta vermelho. Marte também teve a sua boa dose de especulação, quando se julgou que as depressões naturais no terreno se deviam a canais artificialmente construídos.
O que se pensa agora é que Marte já teve organismos primitivos, até porque missões anteriores da NASA já tinham determinado a existência de grandes quantidades de água, possivelmente lagos ou oceanos, no Marte antigo.
Imagens em alta definição | Notícia no Portal do Jet Propulsion Laboratory | Comunicado da NASA |

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