
Representação artÃstica do gigante gasoso Fomalhaut agora fotografado. Segundo os astrónomos, o planeta é parecido com Neptuno: além de ser gasoso, também está situado numa cintura de cometas e asteróides. (ver esta imagem em alta resolução)

Representação artÃstica do novo sistema planetário: a estrela HR 8799 está a 128 anos/luz da Terra. Os planetas que orbitam à sua volta são gigantes de hidrogénio, maiores ainda que Júpiter, pois possuem entre cinco e 13 vezes a sua massa. O mais pequeno está mais perto da estrela, o maior mais distante. (Ver foto real)
Pela primeira vez na história da Humanidade conseguimos fotografar quatro planetas exosolares de forma directa. Três foram fotografados juntos, o que significa que estamos perante outra espantosa novidade: não apanhámos quatro planetas isolados; conseguimos captar a imagem de um gigante gasoso a 25 anos/luz e, mais longe, a 128 anos/luz, um sistema planetário formado por pelo menos outros três. Não há realmente nenhuma razão objectiva para se dizer que nesse sistema solar alienÃgena um planeta rochoso semelhante à Terra não se tenha formado.
Até agora só detectáramos estes planetas de forma indirecta, ou seja, através da influência gravitacional que exercem sobre o seu próprio sol, fazendo-o «oscilar».
2008 ficará assim para a história como o ano em que os conseguimos observar com os mesmos olhos com que observamos Marte nos nossos céus.
A partir destas imagens será possÃvel determinar a constituição quÃmica dos planetas. A partir da composição quÃmica dos planetas poderemos detectar, por exemplo, a existência de vapor de água. A partir da existência de vapor de água, com melhores telescópios, poderemos…
São tempos excitantes para quem gosta de Astronomia e acredita que a vida não é um milagre exclusivo deste minúsculo planeta azul situado num dos braços de uma galáxia vulgar.
A estrela HR 8799 está a 128 anos/luz da Terra. Dado que se alimenta vorazmente das reacções nucleares que ocorrem no seu núcleo, é considerada uma estrela ainda jovem. Os planetas que orbitam em volta são gigantes de hidrogénio, maiores ainda que Júpiter, pois possuem entre cinco e 13 vezes a sua massa. O mais pequeno está mais perto da estrela, o maior está mais distante. Com aquele jeitinho especial para dar nomes que os astrónomos costumam ter, foram baptizados, respectivamente, planeta ‘a’, ‘b’ e ‘c’. Talvez quando soubermos mais sobre estes corpos celestes possamos dar-lhes alguma «personalidade». As fotos foram conseguidas pela acção conjunta de dois telescópios terrestres, Keck e Gemini.

Fotografia «real» do planeta. A estrela Fomalhaut (ao centro) é uma das mais brilhantes no céu do Hemisfério Sul. À direita, entre os detritos e a poeira cósmica, encontra-se o planeta gasoso. A ampliação da foto mostra-nos a posição que ocupava em 2004 e 2006. Estas imagens permitirão medir directamente o movimento orbital em torno da estrela e determinar a sua massa (ver imagem em alta resolução)
O gigante gasoso fotografado isoladamente pelo telescópio espacial Hubble é o que se encontra mais perto de nós. Chamaram-lhe Fomalhaut B porque orbita uma estrela da constelação Piscis Austrinus (Peixe Astral) que se chama, precisamente, Fomalhaut. Segundo os astrónomos, o planeta é parecido com Neptuno: é gasoso, encontra-se a uma distância quatro vezes superior da sua estrela e está situado numa cintura de cometas e asteróides. Neptuno encontra-se no interior da Cintura de Kuiper. (A Cintura de Kuiper é uma região transneptuniana com cerca de 100 mil pequenos corpos celestes, embora se acredite que pelo menos um desses objectos – Éris – tenha 3000 quilómetros de diâmetro, maior ainda que Plutão, o ex-planeta) .
O planeta está longe da sua estrela, 120 vezes mais distante que a Terra do Sol, mas a estrela em questão é 16 vezes mais luminosa que o Sol. Feita as contas, os astrónomos concluÃram que tanto Neptuno como Fomalhaut B recebem a mesma radiação.
A estrela Fomalhaut é praticamente nossa vizinha, pois encontra-se apenas a 25 anos/luz – mesmo assim, é uma loucura supor que alguma vez poderemos apanhar um Expresso Interestelar para ir lá fazer uma visita turÃstica.
A razão é simples: o Universo é demasiado rápido, nós somos demasiado lentos. Nada é mais rápido do que a luz: viaja no vácuo a 300 mil quilómetros por segundo (número arredondado, pois na verdade viaja a 299.792.458 quilómetros por segundo), portanto um ano/luz é a distância que a luz percorre num ano – cerca de 9,48 triliões de quilómetros. Multipliquem este número por 25 e provavelmente não conseguirão ter uma ideia precisa da distância que nos separa da nossa «vizinha».
25 anos/luz é marca impossÃvel de superar pelas formiguinhas rastejantes que são as nossas naves espaciais mais velozes, embora seja insignificante em termos cósmicos. A nave mais antiga que temos em funcionamento no Espaço, a Voyager 1, foi lançada a 5 de Setembro de 1977, cinco meses depois da estreia do primeiro filme de A Guerra das Estrelas. Desde então, já lá vão 31 anos, percorreu 0,0017 anos/luz – estima-se que só cruzará a heliopausa em 2018. (A heliopausa é uma fronteira teórica que determina o limite de acção dos ventos solares, o fim formal do «território» do Sol).
Calcula-se que o universo observável tenha um raio de 13,7 biliões de anos/luz. As distâncias cósmicas são tão imensas que uma nave espacial a viajar à velocidade da luz – e as equações de Einstein dizem-nos que construir um veÃculo desses seria uma proeza de engenharia impossÃvel – levaria mais de 100 mil anos a cruzar a nossa galáxia. Cem mil anos, cem mil, só para a nossa galáxia, viajando à velocidade máxima fisicamente possÃvel! Se pensarmos que existem biliões de galáxias no Universo e que a mais próxima de nós, a Galáxia de Andrómeda, se encontra a 2 milhões de anos/luz de distância…
Resta-nos pensar como Alberto Caeiro, heterónimo de Fernando Pessoa: «Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver o universo», escreveu o poeta. «Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer. Porque eu sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura». Por outras palavras: venham mais fotos como estas. Hubble Directly Observes Planet Orbiting Fomalhaut | Gemini releases historic discovery image of Planetary ‘First Family’































5 comentários
Duas coisas Marco, Sistema Solar é só o nosso, portanto é errado chamar Sistema Solar a outro Sistema Planetário.
A segunda é que afinal aquilo está a 128 anos luz ou a 25?
Está errado, mas não é grave. Quero que a malta perceba.
Quanto à segunda questão, lê o texto outra vez.
Afinal a HR 8799 e a Fomalhaut não são a mesma estrela, pronto peço desculpa, tens toda a razão
Basta de letra, basta de fotos, nada me convence que não estou no “Mundo da Lua”. Mas porque será que acredito em La Fontaine? Serei fabulista? Poeta não SOU!
Talvez viajar à velocidade da luz, mas não quero ser um velho do Restelo e pensar que não existem outras maneiras de lá chegar…onde quer que seja.
Se calhar o problema é o que fazemos depois de lá chegar…