À semelhança de outros posts que já escrevi sobre o mesmo tema, aqui partilho o que a experiência de mais de três anos a blogar me tem ensinado. Algumas ideias poderão servir-vos, outras não; se vos servir, óptimo; se não, paciência, passem à frente. O granel com o novo filme do Batman começa aqui.
Ninguém gosta de queixinhas – Eu já me queixei algumas vezes, sobretudo quando fui plagiado. Errado. Ninguém quer saber que manter o blogue dá muito trabalho e de como és um tipo impecável por actualizá-lo todos os dias. Não esperes que os teus visitantes achem que o problema lhes diz respeito e muito menos que te devem agradecer. Se tens um blogue, é por gosto e vocação. Se começas a senti-lo como um trabalho forçado, uma obrigação, mais vale desistir ou fazer uma pausa, o que em termos blogosféricos significa o mesmo. Da próxima vez que pensares «bolas, tive um trabalhão do caraças para descobrir uma foto da Pamela Anderson toda vestida e vocês não ligaram nenhuma», evita transformar essa queixinha num post.
Se for preciso, provoca – Ler um blogue exclusivamente por feed é a cultura do zapping aplicada à Internet. Combate o marasmo! Provoca os teus leitores, obriga-os a sair da tranquilidade asséptica dos leitores feed e a dirigir-se pessoalmente ao teu blogue para mandar um bitaite e sujar as mãozinhas. Força-o a sentir necessidade de comentar porque o teu post provocador lhe estimulou os neurónios adormecidos. Tem em atenção, contudo, que deves evitar provocações gratuitas ou em número excessivo: demasiados posts no mesmo tom provocatório acabam por tornar-se tão aborrecidos como o último filme do Batman.
Como manter a zona de comentários ‘saudável’ – Em primeiro lugar, dá-te ao respeito. Respeitinho é muito bonito. Tenta ser bem educado nos posts que escreves. Se tiveres de escrever um palavrão, que o faças com o objectivo de melhorar o teu Português ou para manter a espontaneidade do discurso. Embora seja o teu blogue, a tua casa, o teu espaço, não estás sozinho. Toda a gente coça os tomates, mas a maioria opta por coçá-los na intimidade. Nos blogues é o mesmo: se usares o teu blogue para coçares os tomates, não tens o direito de dizer aos teus visitantes que «coçar os colhões em público é feio». Por que razão optei por «colhões» – obviamente um palavrão? Bem, é a tal preocupação em aprimorar o Português: escrevi «colhões» para não repetir a palavra «tomates». Não se devem repetir palavras iguais na mesma frase, excepto se o objectivo dessa repetição for torná-la semelhante a um refrão que fica no ouvido.
Como melhorar ainda mais a zona de comentários – Evita falar de polÃtica como se estivesses a falar de futebol e falar de futebol como se estivesses a falar de polÃtica. Em pouco tempo, estarás em condições de atrair a maioria da malta civilizada que comenta na blogosfera.
Sê humilde, mesmo que te aches o maior blogger do mundo – Não se trata de defender a falsa humildade, mas de reconhecer que existem dois planos diferentes da mesma realidade: o primeiro é a forma como tu te vês, o segundo é a forma como és visto pelos outros. Dado que na blogosfera cada post que publicas se encontra sob o implacável escrutÃnio dos teus visitantes, a tua vida como blogger será mais tranquila se aprenderes a aceitar como válidos ambos os planos da realidade, o teu e o dos outros. Isto não te diminuirá a teus olhos, mas ajudar-te-á a aceitar a crÃtica. Em último recurso, desliga o computador, enfia-te dentro do quarto e grita: «Vocês são todos uns cabrões de merda, não estou para vos aturar, parvalhões, não merecem o esforço, não merecem, não merecem!» Pode ajudar-te a recuperar o equilÃbrio mental, mas certifica-te primeiro que os vizinhos não frequentam o teu blogue.
Quem modera comentários também é um Democrata – A velha questão, não é? Liberdade versus Censura. Que não ganhes cabelos brancos por causa disso, pá. Na prática, a questão que se coloca a quem bloga e a quem comenta é a da Liberdade versus Responsabilidade. Não te preocupes se alguém te criticar porque moderaste ou apagaste um comentário. Desde que a tua consciência democrática esteja tranquila, não há qualquer razão para te deixares manipular por falsas acusações de censura.
Deves ter comentários, sim – Há quem suprima por completo os comentários para evitar chatices, mas não é uma boa solução: o conteúdo e o dinamismo de um blogue também é feito por quem comenta. Acima de tudo, há que ter em conta que ninguém mantém um blogue com o objectivo de ser infalÃvel aos olhos dos visitantes. Teoricamente estamos sempre dispostos a admitir que não somos infalÃveis, mas na prática quando somos confrontados com as nossas falhas temos algumas dificuldades em aceitá-las. Esta é uma lição de Democracia que te podem dar os blogues e as pessoas que comentam: não és infalÃvel, e as pessoas são livres para demonstrar-to. Portanto não confies a tua consciência ao silêncio artificial dos blogues sem comentários e a um bando de trolls que te acusa de promover a censura.
Tens pancadas como toda a gente – A não ser que abras um blogue para criar uma falsa imagem de ti próprio, o melhor é seres o primeiro a falar das tuas pancadas. E, quando o fizeres, goza. Gozar consigo próprio é um exercÃcio excelente para quem bloga. Se eu não tivesse aprendido a gozar comigo e a aceitar o gozo dos outros, teria muita dificuldade em escrever sobre Zappa – um músico que a maioria de vós obviamente idolatra. A propósito, há muito tempo que não escrevo sobre o mestre. Deixa lá ver…
Ah, antes que me esqueça: quanto mais lúcido fores em relação ao que escreves e publicas, mais fácil será antecipares as crÃticas e as bocas. Exemplo? Dado que em posts anteriores gozei com os fanboys do The Dark Knight, é possÃvel que alguém aproveite a ocasião para me chamar fanboy do Zappa só para ver se a farpa me fura a coerência. Antecipar as crÃticas, contudo, não implica ganhar tempo para pensar na melhor e mais arrasadora resposta possÃvel. Um blogger também pode precisar desse tempo para perceber por que razão não deve sequer responder.































11 comentários
Parece-me sempre bem que no cumprimento de um ritual estupidamente religioso como se acaba por tornar o frequentar do Bitaites, que nos brindes volta e meia com umas passagens BÃblicas da arte sacra de blogar.
Marco do Bitaites, o Moisés da Blogosfera!
Eu se fosse a ti, editava um manuscrito com esses ensinamentos todos que tens debitado… seria considerado Sagrado em 3 tempos.
Muito bem dito! Gostei
E acredita que isto é dito de uma fangirl
Ainda dentro do contexto de batman… gostos são gostos. Eu gostei do filme! E no entanto gostei também da crÃtica! Porque acima de tudo gosto de ler crÃticas sobre cinema, sejam elas a favor ou contra! Mostram-me outros pontos de vista! Enriquece a minha cultura cinematográfica.
Continua com o bom trabalho que fazes.
E parabéns pelos textos que escreves
Ana: obrigado. Essa é a atitude mais saudável e inteligente a ter perante quem não concorda connosco.
Mr. Cosmos: Moisés, WTF?! Olha que este gravatar aqui está desactualizado, já rapei a barba! E ainda bem!
Epá! Moisés? Já não te tinham chamado Dartanhan? O pessoal aproveita-se da caixa de comentários para te chamar nomes! Será por teres dito «colhões» no teu post?
Concordo. É mesmo caso para dizer, obrigada pelas dicas, mestre!
Já agora: Um blogue sem comentários não é um blogue. Sim ó Pacheco Pereira o “À Bruta” não é um blogue é uma coisa com publicações
pá….
só mesmo para sujar as mãos…
A Pamela Anderson já esteve completamente vestida?
Posso acrescentar mais uma?
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A verdade é que me registei mesmo, portanto os meus parabéns. Só descobri o bitaites hoje e gostei muito do que li. Mas se tivesse apenas gostado, era capaz de nunca deixar um comentário por causa do registo obrigatório