Entre a criação do grupo ptblogs e a proposta da criação de uma associação de bloggers, foi dado um passo pouco habitual: depois da conversa, passou-se à acção.
Um pouco de história: o ptblogs surgiu como reacção aos disparates sensacionalistas dos media tradicionais quando analisam o fenómeno dos blogues, tendo começado por ser um espaço onde bloggers conversavam sobre blogosfera com outros bloggers.
A criação de uma associação de bloggers portugueses poderá ser interpretada por outros bloggers que ainda se encontram fora deste processo como uma tentativa de formar uma elite representativa da blogosfera – tal interpretação estaria correcta se a associação não estivesse aberta à participação de todos e esses «representantes» apenas estivessem interessados em representar-se a si próprios. Não me parece que seja essa a ideia.
Também antevejo quem diga que se pretende separar o trigo do joio – quanto a este ponto, separar o trigo do joio, ou seja, a leviandade da seriedade, a calúnia da crÃtica, espero bem que seja mesmo verdade. Não faço tensões de me empenhar numa associação que não se esforce por distinguir o idiota digital que tem um blogue para espalhar boatos e calúnias, e quem o mantém com sentido de responsabilidade. Escrever toda a gente escreve; saber o que não deve escrever já é mais difÃcil.
Não defendo que deva existir um grupo que diga aos outros como se devem comportar ou que postura devem ter. O que não quero é ser metido no mesmo saco de quem defende a bandalheira chamando-lhe «liberdade».
Não vale a pena ficarmos encolhidos em nome do politicamente correcto ou de ter medo das palavras: é para separar o trigo do joio, sim senhor. As palavras só metem medo a quem não souber colocá-las no contexto certo. E o contexto, na minha interpretação, é o seguinte: se desejamos dar a conhecer o que é de facto a blogosfera aos Moita Flores e aos Póvoas Online deste paÃs, é necessário estarmos preparados para ser os primeiros a fornecer a informação. E não se trata apenas de fornecer informação, mas de mostrar a melhor face. Não estamos apenas a combater a desinformação, mas também o preconceito.
Empenho-me neste blogue e trato dele o melhor que posso e sei porque gosto de blogar. A liberdade que aqui se goza é de tal ordem que esta actividade até permite vários meios de pagamento consoante as prioridades: dinheiro, publicidade, links, elogio, reconhecimento, o regresso diário dos visitantes. É uma vocação, um gosto, um prazer, um acto de comunicação, uma forma simples de dizer através da escrita ou da fotografia ou do desenho ou do vÃdeo, seja o que for, Eu sou um indivÃduo, estou aqui e sinto que tenho alguma coisa a partilhar com os outros, as minhas ideias, histórias, convicções, sentimentos – não sou uma condição humana pré-fabricada pelos media. Não sou solitário anti-social, terrorista, pedófilo, caluniador ou boateiro. Sou um blogger e o mÃnimo que espero é respeito por aquilo que faço todos os dias. No caso dos media ou dos seus fazedores de opinião, mostrar respeito significa apenas manter-se informado.
A formação de uma associação dá poder negocial aos bloggers – e o que neste caso especÃfico deve ser negociado é precisamente a informação e o conhecimento. Se a associação servir para dar voz a quem deseja defender a identidade que todos os dias constrói num blogue, então vamos em frente e sem caganças.































12 comentários
Uma associação de blogs é algo que eu não tenho qualquer problema em apoiar, muito pelo contrário.
Mas se o objectivo é só separar o trigo do joio, será que precisamos de uma associação?
Idealmente, prefiro uma blogosfera em sistema de auto-regulação e que se preocupa em mostrar pela qualidade dos blogs que existem diferenças importantes entre um blog pessoal e um blog temático, por exemplo.
Bruno, não sei se a diferença entre blogs temáticos e pessoais se vê obrigatoriamente pela qualidade… mas acho que percebo o que dizes. Selecção natural? Acho que faz algum sentido mas, ao mesmo tempo, há demasiado ruÃdo na blogosfera, demasiada cópia de sites brasileiros, demasiado lixo. O anonimato é outra questão e depende de diversos factores. Aà acho que é deixar a lei funcionar.
Mas voltando à selecção natural, se houver uns quantos bloggers interessados em elevar o nÃvel, qual a melhor forma de fazer barulho? A ideia da associação parece fazer sentido; é a lógica do 2+2=5, das sinergias de grupo e todas essas coisas.
Bruno, o objectivo não é só separar o trigo do joio.
Associação? Que se segue, uma Federação?
Será que os portugueses não conseguem viver sem clubes?
Bah.
Pedro, se é com a designação que embirras chama-lhe outro nome qualquer.
Chama-lhe Movimento M2+3
(porque quando mija um português mijam logo dois ou três)
Concordo com todos os bons princÃpios. É uma excelente ideia, bem nascida e fundamentada. Mas presumo, no entanto, que de uma ou outra forma será sempre elitista. Quando se compartimenta é inevitável que se origine o lado de dentro e o lado de fora. Mas, cá está: Presunção e água-benta cada qual toma a que quer.
A.Almeida, não faço tensões de participar em nada que seja elitista ou que me faça sentir «especial» por lá estar. Mas as tuas preocupações são iguais à s minhas. Egos na blogosfera? Facilmente insufláveis…
Não acredito em associativismos de nenhum tipo. Concordo que existam regras de conduta talvez porque não confundo liberdade com anarquia ou estupidez pura e simples. Acho que um blog como diário pessoal perde todo o sentido em se associar a outros. O meu blog não é uma joia de eloquencia, nem sequer é muito interessante, é apenas um sÃtio onde escrevo o que me apetece, quando me apetece sabendo respeitar a tal linha ténue entre a liberdade de expressão e a bandalheira. Vou continuar a ser eremita. Felicidades com o projecto, apesar de eu achar que se está a politizar demasiadamente esta questão.
Abraço
Marco, concordo contigo a 1000%. Sinceramente tinha pensado por agora não prestar atenção a este assunto mas fizeste-me repensar.
M2+3 parece-me muito melhor.
Mas, honestamente, não me agrada a ideia. Não vejo qualquer vantagem. É estar a pegar nos blogs e encaixá-los novamente em regras bafientas.
Qualquer dia tens que ter uma carteira profissional…
Pedro, achas mesmo que a ideia é criar regras bafientas e impô-las aos outros? Devias alinhar na sala de discussão do ptblogs e participar na conversa.
ok, vou espreitar.