JANELAS PARA O MUNDO › 25/05 Ucrânia: praxe de graduação ( Sergey Supinsky)

A conspiração Angelina Jolie e o Melga Mike

Angelina Jolie fez uma du­pla mas­tec­to­mia e está a ser acu­sada de con­luio com a Myriad Genetics para aju­dar a sal­var um ne­gó­cio mul­ti­mi­li­o­ná­rio.
A acu­sa­ção par­tiu de um texto es­crito por um dos mai­o­res lu­ná­ti­cos que esta mar­ti­ri­zada Internet já co­nhe­ceu: Mike Adams, guru da de­sin­for­ma­ção que acha que o can­cro se cura so­zi­nho e cri­a­dor de uma fossa de char­la­ta­nice cha­mada NaturalNews.

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6 fotos, 6 mulheres

São seis fo­tos ines­que­cí­veis que têm em co­mum o facto de te­rem sido ti­ra­das por mu­lhe­res ou, quando não foi o caso, te­rem uma mu­lher como prin­ci­pal pro­ta­go­nista.
Da mu­lher que en­fren­tou as ba­las para fo­to­gra­far uma guerra à que en­fren­tou a fú­ria de um com­pa­nheiro ciu­mento, as fo­tos do­cu­men­tam mo­men­tos bi­zar­ros, trá­gi­cos, in­qui­e­tan­tes, de vá­rias épo­cas e mun­dos, ima­gens di­fí­ceis de di­ge­rir, se ca­lhar, mas to­das marcantes.

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Chem­trails: a conspiração que paira sobre nós

Obélix era um bravo gau­lês com um único re­ceio: que o Céu lhe caísse so­bre a ca­beça. Os «bra­vos» do sé­culo XXI olham para os aviões e re­ceiam que os ras­tos de con­den­sa­ção for­ma­dos pelo va­por de água se­jam, na re­a­li­dade, subs­tân­cias quí­mi­cas fei­tas para en­ve­ne­nar a po­pu­la­ção e torná-la de­pen­dente de [in­se­rir or­ga­ni­za­ção ma­qui­a­vé­lica neste es­paço].
Haverá fumo sem fogo? A res­posta é óbvia.

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Norbert Stein e o jazz patafísico

Norbert Stein é o her­deiro de Alfred Jarry no jazz.
Com o sa­xo­fo­nista e com­po­si­tor ale­mão a Patafísica do au­tor de «Ubu Roi» transforma-se numa Patamúsica de alto ga­ba­rito. O seu pro­jeto tem mais um, e bri­lhante, epi­só­dio: o disco «Pata on the Cadillac». Nele per­du­ram os va­po­res de ab­sinto do tempo do dra­ma­turgo e po­eta em que se ins­pira, bem como o mesmo gosto pelo absurdo…

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Sob o signo de Ballard

Volto aqui a pe­gar em J.G. Ballard e no fe­nó­meno hi­ki­ko­mori para vos fa­lar de dois no­vos lan­ça­men­tos: «Irregular Characters», de Marc Behrens, e «Mundo de Cristal, Máquina da Selva», de HHY & Beast Box.
Dois do­cu­men­tos bal­lar­di­a­nos que mos­tram como os nos­sos es­pa­ços têm min­guado e es­ta­mos cada vez mais a mo­rar den­tro das nos­sas ca­be­ças. Vivos, mas mortos…

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A noite em que julgámos ter descoberto ET’s

Quando o as­tró­nomo Jerry Ehman, vo­lun­tá­rio do SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence), no­tou a sequên­cia 6EQUJ5 nos da­dos re­co­lhi­dos pelo te­les­có­pio, fi­cou tão im­pres­si­o­nado que tra­çou uma li­nha ver­me­lha à volta dos nú­me­ros e, ao lado, es­cre­veu: «Uau!» (Wow!)
Ehman ti­nha boas ra­zões para tanta co­mo­ção: 6EQUJ5 po­dia sig­ni­fi­car que ex­tra­ter­res­tres es­ta­vam a enviar-nos uma mensagem.

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→ 19/05/2013 @22:08

Uma Foto e uma Música [116]

Foto: Lusa, au­tor des­co­nhe­cido | Música: The Jellyfish Kiss
→ 19/05/2013 @18:28

Está bem abelha

A pu­bli­ci­dade no blo­gue serve es­sen­ci­al­mente para pa­gar as des­pe­sas com o Bitaites – 600 eu­ros por ano, se que­rem sa­ber, pa­gam o que de me­lhor se apro­xima de um ser­vi­dor de­di­cado sem ter re­al­mente um ser­vi­dor dedicado.

Mas sou tão pi­cui­nhas com a pu­bli­ci­dade que aqui co­loco como sou com o pró­prio blo­gue, pelo que quando sur­giu a pos­si­bi­li­dade de co­lo­car este qua­dra­di­nho aqui ao lado (não na pá­gina prin­ci­pal, mas na pá­gina in­di­vi­dual dos ar­ti­gos) pro­mo­vendo um ser­viço de alo­ja­mento on­line por­tu­guês, o Abelhas.pt, de­cidi experimentá-lo a ver se fa­zia sen­tido tê-lo aqui.

Abelhas.pt

Uma coisa posso desde já di­zer: pa­ra­béns a quem criou a ima­gem deste ser­viço. Conseguiram fa­zer com que uma abe­lha pa­reça tão sim­pá­tica e ino­fen­siva como uma ce­go­nha e, tal como esta, com ca­pa­ci­dade para car­re­gar «be­bés» de um lado para o outro.

Neste caso, os «be­bés» são aquilo que qui­ser­mos: pro­gra­mas, do­cu­men­tos, pas­tas, mú­si­cas, fo­tos, por aí fora, com a res­pon­sa­bi­li­dade le­gal do que de­ci­dir­mos co­lo­car (e par­ti­lhar na col­meia) a ser in­tei­ra­mente as­su­mida por nós.

O pro­cesso de ins­cri­ção no site é sim­ples: es­cre­ver o email, nome de uti­li­za­dor e palavra-chave de acesso, e se­guir em frente. O pró­ximo passo é acei­tar os ter­mos do ser­viço – e as­sim fiz.

Mas aten­ção a este passo por­que, em baixo, pedem-me que se­le­ci­one a op­ção de «dar o meu con­sen­ti­mento para que os meus da­dos pes­so­ais se­jam pro­ces­sa­dos pela base de da­dos se­gura de en­de­re­ços da Internet com a fi­na­li­dade de en­ca­mi­nhar ma­te­ri­ais in­for­ma­ti­vos ou co­mer­ci­ais.»

Está bem abe­lha – nem pen­sar! A op­ção não é obri­ga­tó­ria para usu­fruir do ser­viço, por­tanto aconselho-vos a desmarcá-la e se­guir em frente, a não ser que gos­tem muito de re­ce­ber «anún­cios ami­gá­veis por cor­reio ele­tró­nico». A mi­nha pasta de spam está cheia des­ses ami­gui­nhos.

Feito isto, só pre­ci­sa­mos de con­fir­mar a nossa ade­são atra­vés do link en­vi­ado para o email com que nos inscrevemos.

Tal como o Dropbox, o Abelhas é um ser­viço de ar­ma­ze­na­mento de fi­chei­ros on­line – a di­fe­rença cru­cial é o es­paço ili­mi­tado de ar­ma­ze­na­mento ofe­re­cido e a pos­si­bi­li­dade de fa­zer par­ti­lhas sem restrições.

Os fi­chei­ros que lá co­lo­car­mos po­dem es­tar aces­sí­veis a to­dos os ou­tros – uti­li­za­do­res da col­meia ou não; se qui­ser­mos pre­ser­var a pri­va­ci­dade, po­dem ser ace­di­dos por um nú­mero res­trito de pes­soas à nossa es­co­lha — neste caso, só te­mos de de­fi­nir uma se­gunda palavra-chave de acesso para esse grupo res­trito. Não há qual­quer res­tri­ção para o tipo de fi­chei­ros que po­de­mos colocar.

É pos­sí­vel blo­quear ou des­blo­quear ma­te­rial adulto, blo­quear uti­li­za­do­res, fa­zer pes­qui­sas na col­meia e des­car­re­gar um pro­grama – a Box, que tam­bém fun­ci­ona como um pe­queno player de mú­sica – para fa­zer­mos o upload a par­tir do am­bi­ente de tra­ba­lho: basta ar­ras­tar os fi­chei­ros ou as pas­tas para a ja­nela prin­ci­pal. Se não que­re­mos par­ti­lhar um de­ter­mi­nado upload, en­vi­a­mos para a pasta Privado — tudo muito sim­ples de usar e fá­cil de en­ten­der, e em português.

O es­paço de ar­ma­ze­na­mento é ili­mi­tado para as con­tas gra­tui­tas, mas só po­de­mos des­car­re­gar 10GB por se­mana. O ser­viço pre­tende dis­po­ni­bi­li­zar em breve duas no­vas con­tas pa­gas, Conta de PrataConta de Ouro, atra­vés das quais já será pos­sí­vel au­men­tar este li­mite. Um sis­tema de pon­tu­a­ção – re­ce­be­mos pon­tos sem­pre que ou­tros des­car­re­gam os nos­sos fi­chei­ros, por exem­plo – fun­ci­ona como cré­dito que va­mos acu­mu­lando e po­de­mos tro­car pelo acesso às fun­ções pre­mium.

Quanto a mim, as van­ta­gens da conta gra­tuita servem-me per­fei­ta­mente. Gosto de o usar e, para já, prefiro-o ao Dropbox — por isso, mantém-se o qua­dra­di­nho pu­bli­ci­tá­rio. Se qui­se­rem ex­pe­ri­men­tar, digam-me o que acha­ram e se para vo­cês va­leu a pena.

→ 19/05/2013 @16:04

Queen meets Sonic the Hedgehog


Informação adi­ci­o­nal: o se­nhor que canta, toca gui­tarra, faz esta co­ver e re­a­liza o ví­deo é Bear McCreary, o au­tor da banda so­nora de «The Walking Dead» — no­ta­ram um zom­bie ali no meio? Para quem jo­gou tan­tas ho­ras o Sonic na ve­lhi­nha con­sola de 16bit, isto é divertido…

→ 19/05/2013 @0:16

A pílula do dia seguinte

Provavelmente mui­tos de vós já o vi­ram – afi­nal, o ví­deo é um fe­nó­meno vi­ral, já ul­tra­pas­sou um mi­lhão de vi­su­a­li­za­ções no YouTube – mas da­dos os úl­ti­mos acon­te­ci­men­tos e o tipo de idi­o­tas que o post Paneleirossauros ine­vi­ta­vel­mente atrairá, re­solvi dei­xar aqui o link para que essa gente te­nha al­guma coisa com que se en­tre­ter en­quanto tenta per­ce­ber por que ra­zão não con­se­gue co­men­tar no Bitaites.

Minus IQ

Esta ver­são foi le­gen­dada em Português do Brasil por José Faccin e pode ser vista cli­cando aqui.

Que mui­tas pes­soas te­nham pen­sado que esta pí­lula para bai­xar o QI de facto exis­tia, só veio dar ra­zão à equipa cri­a­tiva que achou a brin­ca­deira per­ti­nente e atual — Tadas VidmantasRonaldas Buozis, da agên­cia Sleepthinker, ba­se­ada em Londres. A pí­lula não existe, pois, mas há gente que pa­rece tomá-la to­dos os dias.

→ 18/05/2013 @0:42

Paneleirossauros

Paneleirossauros

Os ig­nó­beis so­ci­a­lis­tas e blo­quis­tas vão le­var ama­nhã mais uma vez a adop­ção de cri­an­ças por duas pes­soas ho­mos­se­xu­ais do mesmo sexo que vi­vam jun­tas, ao Parlamento. Não se en­ga­nem, to­das as ma­nifs, to­dos os Grandolas Vilas Morenas, to­dos os Galambas e Dragos, to­dos os ac­tos de ter­ro­rismo de in­ter­rup­ção de mem­bros do Governo em ac­tos pú­bli­cos, têm um único ob­jec­tivo “dar cri­an­ças aos homossexuais”.

Maria Teixeira Alves, no Corta-Fitas

 

Graças à jor­na­lista Maria Teixeira Alves, aca­bei de des­co­brir que o 25 de Abril foi obra de gays.

Não acre­di­tem se os pro­fes­so­res de História vos dis­se­rem que na­quele fa­tí­dico dia de 1974 o povo saiu à rua – em pri­meiro lu­gar, por­que são com cer­teza la­ri­las in­fil­tra­dos no sis­tema edu­ca­tivo; em se­gundo, por­que não foi o povo quem saiu à rua, fo­ram os paneleiros.

O povo é quem mais or­dena? Isso é grito de sado-masoquistas, de certeza.

As pes­soas acham que foi uma re­vo­lu­ção, mas foi uma pa­rada gay — uma cons­pi­ra­ção com o ob­je­tivo de do­mi­nar ho­mos­se­xu­al­mente este país e le­ga­li­zar a so­do­mi­za­ção de cri­an­ci­nhas recém-adotadas.

E aposto que os mi­li­ta­res que a or­ga­ni­za­ram usa­vam cu­e­cas de fio den­tal sob aque­les uni­for­mes – em cada Salgueiro Maia, não se es­que­çam, há um bai­la­rino dos Village People em po­tên­cia. Em cada re­vo­lu­ci­o­ná­rio, um ho­mo­cons­pi­ra­dor de­se­joso de en­fiar a pa­lhi­nha no rabo da revolução.

Nem quero ima­gi­nar o que a po­bre mu­lher deve ter sen­tido quando al­guém se lem­brou de me­ter um cravo no cano de uma me­tra­lha­dora – por mais que me es­force, não con­sigo ima­gi­nar nada mais gay do que isso. Ainda por cima usa­ram uma cri­ança como sím­bolo, os por­ca­lhões, o que só prova que em cada ma­ri­cas há sem­pre um pe­dó­filo a es­prei­tar por baixo das saias da Anita.

Somos to­dos fi­lhos de uma re­vo­lu­ção de ra­be­tas – isto é mesmo pior do que pen­sá­va­mos. E até Zeca Afonso, revelar-nos-á a Alves um dia, gos­tava de se dis­far­çar de loira dos Abba en­quanto can­tava o Grândola Vila Morena di­ante do espelho.

Um dia a Teixeira Alves che­gará à con­clu­são de que os di­nos­sau­ros não se ex­tin­gui­ram por causa da queda de um as­te­roide; os bi­chos co­me­ça­ram a enrabar-se uns aos ou­tros no pe­ríodo Cretáceo e, pronto, aca­ba­ram por de­sa­pa­re­cer. Qualquer bió­logo vos dirá que uma ex­tin­ção em massa co­meça sem­pre com uma apal­pa­dela no cu e só Deus sabe o que vai ser de nós, po­bres hu­ma­nos, se per­sis­tir­mos neste com­por­ta­mento. A Natureza está atenta e não per­doa os in­di­gen­tes mo­rais, diga lá o que dis­ser o pa­ni­las do Darwin.

É pre­ciso ver que os ca­sais he­te­ros­se­xu­ais tam­bém têm muita culpa no car­tó­rio: afi­nal, quem os man­dou ge­rar fi­lhos gays? Não há uma lei que proíba isso? Se não há, de­via ha­ver. Existirá al­gum ví­rus da pa­ne­lei­rice aguda que os pa­dres ainda não con­se­gui­ram iden­ti­fi­car nos la­bo­ra­tó­rios que mon­ta­ram nas sa­cris­tias? Que ter­rí­vel cons­pi­ra­ção é esta e por que ra­zão mais pes­soas nor­mais não se afli­gem como a Teixeira Alves?

Está de­ci­dido. Como me­dida pro­fi­lá­tica, pro­po­nho que do­ra­vante to­dos os pais se­jam obri­ga­dos a pro­var que não são ma­ri­cas an­tes de se­rem au­to­ri­za­dos a procriar.

→ 17/05/2013 @18:53

Foi há dois anos, foi hoje

Ragesoss

Crédito: Ragesoss

Hoje re­cebi a no­tí­cia que du­rante tanto tempo mais temi. Morreu o meu amigo Mário Rocha, o meu com­pa­nheiro de tra­ba­lho e di­ver­ti­mento desde os tem­pos do Diário de Lisboa e do Teatro Nacional D. Maria II até que as cir­cuns­tân­cias nos afastaram…

Foi há dois anos, mas só hoje tive co­ra­gem de per­gun­tar. Para mim, é como se ti­vesse acon­te­cido agora mesmo. O Mário ti­nha aca­bado de fa­zer uma diá­lise no hos­pi­tal (ima­gino que, como ha­bi­tu­al­mente, flir­tando com as en­fer­mei­ras), e ao sair so­freu um co­lapso car­díaco. Mais um, mas este o de­fi­ni­tivo: ficou-se logo ali.

Pelo me­nos um ano an­tes disso algo me pa­ra­li­sava an­tes de pe­gar no te­le­fone para sa­ber dele e com­bi­nar­mos uma saída. O gra­dual pro­cesso de de­ca­dên­cia fí­sica de­cor­rente de uma di­a­be­tes aguda, pi­o­rada por mui­tos anos de con­su­mos uís­qui­cos – gos­tava quase tanto do pro­duto es­co­cês como de mu­lhe­res –, foi-lhe des­truindo o corpo.

Das úl­ti­mas ve­zes que o vi, o Mário es­tava muito de­bi­li­tado, co­xe­ava por lhe te­rem ti­rado parte de um pé e quase não via. Já não con­se­guia tra­ba­lhar e era-lhe di­fí­cil, se­não im­pos­sí­vel, dedicar-se à sua grande pai­xão, a fo­to­gra­fia. Ficava em casa, a ou­vir Nick Cave e Cowboy Junkies.

Se an­tes fa­zía­mos gran­des noi­ta­das, cons­pi­rando até al­tas ho­ras da ma­dru­gada – os meus pri­mei­ros li­vros nas­ce­ram des­ses brain stor­mings em ba­res a meia-luz –, já ele não re­sis­tia a mais de meia-hora de tro­cas de palavras.

Por essa al­tura as coi­sas co­me­ça­vam a cor­rer mal co­migo, e de cada vez que nos en­con­trá­va­mos eu sen­tia dissiparem-se as for­ças que, muito a custo, ia con­se­guindo reu­nir para ul­tra­pas­sar as ad­ver­si­da­des. Ficava hor­ri­vel­mente de­pri­mido com o que se es­tava a pas­sar com este grande jor­na­lista e fo­tó­grafo que tam­bém es­cre­via po­e­sia e tra­du­zia pe­ças de teatro.

Era um vo­raz ou­vinte de bom rock e lia tudo o que es­ti­vesse ao seu al­cance, desde fi­lo­so­fia a li­te­ra­tura, sem­pre atento a no­vas cor­ren­tes de pen­sa­mento e a no­vas ten­dên­cias do ro­mance. Deu-me a co­nhe­cer muita coisa que me pas­sara ao lado e es­tá­va­mos cons­tan­te­mente a tro­car dis­cos e livros.

Livros, so­bre­tudo. Possuía de­ze­nas de mi­lha­res, em­pi­lha­dos num quarto por todo o lado. Estão al­guns dele aqui em casa e agora sei que não os posso de­vol­ver… Olho para as lom­ba­das e vejo au­to­res como Foucault e Eco.

Tinha uma cu­ri­o­si­dade in­sa­ciá­vel pelo sexo fe­mi­nino e a fa­ci­li­dade com que se­du­zia as mu­lhe­res era um mis­té­rio para este de­sa­jei­tado nas ar­tes do amor. Sempre pes­soas fas­ci­nan­tes, be­las, in­te­li­gen­tes. Dei por mim, em al­gu­mas oca­siões, a invejá-lo.

Não es­tive com ele na úl­tima fase da sua do­ença e isso vai assombrar-me até che­gar a mi­nha vez de par­tir. Tive sem­pre re­ceio de que, no ou­tro lado do te­le­fone, sur­gisse não o Mário, mas uma voz a anunciar-me o des­fe­cho que pa­re­cia cada vez mais inevitável.

Pois acon­te­ceu e eu não fiz o que um bom amigo deve fa­zer nas ho­ras más: apoiá-lo, es­tar pre­sente, mesmo que tam­bém mal-amanhado pela vida. Nunca me per­do­a­rei tal cobardia.

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