Está bem abelha
A publicidade no blogue serve essencialmente para pagar as despesas com o Bitaites – 600 euros por ano, se querem saber, pagam o que de melhor se aproxima de um servidor dedicado sem ter realmente um servidor dedicado.
Mas sou tão picuinhas com a publicidade que aqui coloco como sou com o próprio blogue, pelo que quando surgiu a possibilidade de colocar este quadradinho aqui ao lado (não na página principal, mas na página individual dos artigos) promovendo um serviço de alojamento online português, o Abelhas.pt, decidi experimentá-lo a ver se fazia sentido tê-lo aqui.
Uma coisa posso desde já dizer: parabéns a quem criou a imagem deste serviço. Conseguiram fazer com que uma abelha pareça tão simpática e inofensiva como uma cegonha e, tal como esta, com capacidade para carregar «bebés» de um lado para o outro.
Neste caso, os «bebés» são aquilo que quisermos: programas, documentos, pastas, músicas, fotos, por aí fora, com a responsabilidade legal do que decidirmos colocar (e partilhar na colmeia) a ser inteiramente assumida por nós.
O processo de inscrição no site é simples: escrever o email, nome de utilizador e palavra-chave de acesso, e seguir em frente. O próximo passo é aceitar os termos do serviço – e assim fiz.
Mas atenção a este passo porque, em baixo, pedem-me que selecione a opção de «dar o meu consentimento para que os meus dados pessoais sejam processados pela base de dados segura de endereços da Internet com a finalidade de encaminhar materiais informativos ou comerciais.»
Está bem abelha – nem pensar! A opção não é obrigatória para usufruir do serviço, portanto aconselho-vos a desmarcá-la e seguir em frente, a não ser que gostem muito de receber «anúncios amigáveis por correio eletrónico». A minha pasta de spam está cheia desses amiguinhos.
Feito isto, só precisamos de confirmar a nossa adesão através do link enviado para o email com que nos inscrevemos.
Tal como o Dropbox, o Abelhas é um serviço de armazenamento de ficheiros online – a diferença crucial é o espaço ilimitado de armazenamento oferecido e a possibilidade de fazer partilhas sem restrições.
Os ficheiros que lá colocarmos podem estar acessíveis a todos os outros – utilizadores da colmeia ou não; se quisermos preservar a privacidade, podem ser acedidos por um número restrito de pessoas à nossa escolha — neste caso, só temos de definir uma segunda palavra-chave de acesso para esse grupo restrito. Não há qualquer restrição para o tipo de ficheiros que podemos colocar.
É possível bloquear ou desbloquear material adulto, bloquear utilizadores, fazer pesquisas na colmeia e descarregar um programa – a Box, que também funciona como um pequeno player de música – para fazermos o upload a partir do ambiente de trabalho: basta arrastar os ficheiros ou as pastas para a janela principal. Se não queremos partilhar um determinado upload, enviamos para a pasta Privado — tudo muito simples de usar e fácil de entender, e em português.
O espaço de armazenamento é ilimitado para as contas gratuitas, mas só podemos descarregar 10GB por semana. O serviço pretende disponibilizar em breve duas novas contas pagas, Conta de Prata e Conta de Ouro, através das quais já será possível aumentar este limite. Um sistema de pontuação – recebemos pontos sempre que outros descarregam os nossos ficheiros, por exemplo – funciona como crédito que vamos acumulando e podemos trocar pelo acesso às funções premium.
Quanto a mim, as vantagens da conta gratuita servem-me perfeitamente. Gosto de o usar e, para já, prefiro-o ao Dropbox — por isso, mantém-se o quadradinho publicitário. Se quiserem experimentar, digam-me o que acharam e se para vocês valeu a pena.
Queen meets Sonic the Hedgehog
Informação adicional: o senhor que canta, toca guitarra, faz esta cover e realiza o vídeo é Bear McCreary, o autor da banda sonora de «The Walking Dead» — notaram um zombie ali no meio? Para quem jogou tantas horas o Sonic na velhinha consola de 16bit, isto é divertido…
A pílula do dia seguinte
Provavelmente muitos de vós já o viram – afinal, o vídeo é um fenómeno viral, já ultrapassou um milhão de visualizações no YouTube – mas dados os últimos acontecimentos e o tipo de idiotas que o post Paneleirossauros inevitavelmente atrairá, resolvi deixar aqui o link para que essa gente tenha alguma coisa com que se entreter enquanto tenta perceber por que razão não consegue comentar no Bitaites.
Esta versão foi legendada em Português do Brasil por José Faccin e pode ser vista clicando aqui.
Que muitas pessoas tenham pensado que esta pílula para baixar o QI de facto existia, só veio dar razão à equipa criativa que achou a brincadeira pertinente e atual — Tadas Vidmantas e Ronaldas Buozis, da agência Sleepthinker, baseada em Londres. A pílula não existe, pois, mas há gente que parece tomá-la todos os dias.
Paneleirossauros
Os ignóbeis socialistas e bloquistas vão levar amanhã mais uma vez a adopção de crianças por duas pessoas homossexuais do mesmo sexo que vivam juntas, ao Parlamento. Não se enganem, todas as manifs, todos os Grandolas Vilas Morenas, todos os Galambas e Dragos, todos os actos de terrorismo de interrupção de membros do Governo em actos públicos, têm um único objectivo “dar crianças aos homossexuais”.
Maria Teixeira Alves, no Corta-Fitas
Graças à jornalista Maria Teixeira Alves, acabei de descobrir que o 25 de Abril foi obra de gays.
Não acreditem se os professores de História vos disserem que naquele fatídico dia de 1974 o povo saiu à rua – em primeiro lugar, porque são com certeza larilas infiltrados no sistema educativo; em segundo, porque não foi o povo quem saiu à rua, foram os paneleiros.
O povo é quem mais ordena? Isso é grito de sado-masoquistas, de certeza.
As pessoas acham que foi uma revolução, mas foi uma parada gay — uma conspiração com o objetivo de dominar homossexualmente este país e legalizar a sodomização de criancinhas recém-adotadas.
E aposto que os militares que a organizaram usavam cuecas de fio dental sob aqueles uniformes – em cada Salgueiro Maia, não se esqueçam, há um bailarino dos Village People em potência. Em cada revolucionário, um homoconspirador desejoso de enfiar a palhinha no rabo da revolução.
Nem quero imaginar o que a pobre mulher deve ter sentido quando alguém se lembrou de meter um cravo no cano de uma metralhadora – por mais que me esforce, não consigo imaginar nada mais gay do que isso. Ainda por cima usaram uma criança como símbolo, os porcalhões, o que só prova que em cada maricas há sempre um pedófilo a espreitar por baixo das saias da Anita.
Somos todos filhos de uma revolução de rabetas – isto é mesmo pior do que pensávamos. E até Zeca Afonso, revelar-nos-á a Alves um dia, gostava de se disfarçar de loira dos Abba enquanto cantava o Grândola Vila Morena diante do espelho.
Um dia a Teixeira Alves chegará à conclusão de que os dinossauros não se extinguiram por causa da queda de um asteroide; os bichos começaram a enrabar-se uns aos outros no período Cretáceo e, pronto, acabaram por desaparecer. Qualquer biólogo vos dirá que uma extinção em massa começa sempre com uma apalpadela no cu e só Deus sabe o que vai ser de nós, pobres humanos, se persistirmos neste comportamento. A Natureza está atenta e não perdoa os indigentes morais, diga lá o que disser o panilas do Darwin.
É preciso ver que os casais heterossexuais também têm muita culpa no cartório: afinal, quem os mandou gerar filhos gays? Não há uma lei que proíba isso? Se não há, devia haver. Existirá algum vírus da paneleirice aguda que os padres ainda não conseguiram identificar nos laboratórios que montaram nas sacristias? Que terrível conspiração é esta e por que razão mais pessoas normais não se afligem como a Teixeira Alves?
Está decidido. Como medida profilática, proponho que doravante todos os pais sejam obrigados a provar que não são maricas antes de serem autorizados a procriar.
Foi há dois anos, foi hoje
Hoje recebi a notícia que durante tanto tempo mais temi. Morreu o meu amigo Mário Rocha, o meu companheiro de trabalho e divertimento desde os tempos do Diário de Lisboa e do Teatro Nacional D. Maria II até que as circunstâncias nos afastaram…
Foi há dois anos, mas só hoje tive coragem de perguntar. Para mim, é como se tivesse acontecido agora mesmo. O Mário tinha acabado de fazer uma diálise no hospital (imagino que, como habitualmente, flirtando com as enfermeiras), e ao sair sofreu um colapso cardíaco. Mais um, mas este o definitivo: ficou-se logo ali.
Pelo menos um ano antes disso algo me paralisava antes de pegar no telefone para saber dele e combinarmos uma saída. O gradual processo de decadência física decorrente de uma diabetes aguda, piorada por muitos anos de consumos uísquicos – gostava quase tanto do produto escocês como de mulheres –, foi-lhe destruindo o corpo.
Das últimas vezes que o vi, o Mário estava muito debilitado, coxeava por lhe terem tirado parte de um pé e quase não via. Já não conseguia trabalhar e era-lhe difícil, senão impossível, dedicar-se à sua grande paixão, a fotografia. Ficava em casa, a ouvir Nick Cave e Cowboy Junkies.
Se antes fazíamos grandes noitadas, conspirando até altas horas da madrugada – os meus primeiros livros nasceram desses brain stormings em bares a meia-luz –, já ele não resistia a mais de meia-hora de trocas de palavras.
Por essa altura as coisas começavam a correr mal comigo, e de cada vez que nos encontrávamos eu sentia dissiparem-se as forças que, muito a custo, ia conseguindo reunir para ultrapassar as adversidades. Ficava horrivelmente deprimido com o que se estava a passar com este grande jornalista e fotógrafo que também escrevia poesia e traduzia peças de teatro.
Era um voraz ouvinte de bom rock e lia tudo o que estivesse ao seu alcance, desde filosofia a literatura, sempre atento a novas correntes de pensamento e a novas tendências do romance. Deu-me a conhecer muita coisa que me passara ao lado e estávamos constantemente a trocar discos e livros.
Livros, sobretudo. Possuía dezenas de milhares, empilhados num quarto por todo o lado. Estão alguns dele aqui em casa e agora sei que não os posso devolver… Olho para as lombadas e vejo autores como Foucault e Eco.
Tinha uma curiosidade insaciável pelo sexo feminino e a facilidade com que seduzia as mulheres era um mistério para este desajeitado nas artes do amor. Sempre pessoas fascinantes, belas, inteligentes. Dei por mim, em algumas ocasiões, a invejá-lo.
Não estive com ele na última fase da sua doença e isso vai assombrar-me até chegar a minha vez de partir. Tive sempre receio de que, no outro lado do telefone, surgisse não o Mário, mas uma voz a anunciar-me o desfecho que parecia cada vez mais inevitável.
Pois aconteceu e eu não fiz o que um bom amigo deve fazer nas horas más: apoiá-lo, estar presente, mesmo que também mal-amanhado pela vida. Nunca me perdoarei tal cobardia.






















