Não estou a descobrir a pólvora e qualquer pessoa que mantém um blogue reconhece o fenómeno: o número de comentários não está relacionado com a relativa qualidade ou profundidade do que se publica. Podemos perder horas a escrever um post ou despachá-lo em cinco minutos: as pessoas nunca reagem como nós esperamos. Faz lembrar um saxofonista de jazz (Dexter Gordon, mas não tenho a certeza) que dizia o seguinte: «Noto nos concertos que as pessoas aplaudem em partes que para mim são normais; quando sinto que fiz qualquer coisa de bom, ninguém reage».
Acho que um blogger passa muitas vezes pelo mesmo tipo de experiência: quando espera feedback, não existe; quando não o espera… Invasão! Este facto demonstra-se no recente post sobre Linux. O conteúdo é praticamente nulo: consiste num screenshot do meu desktop Gnome/Ubuntu e um simples tÃtulo: «Não há melhor sistema operativo que o Linux». Levemente provocador, talvez, mas nada ofensivo. Resultado: até ao momento deu origem a cinquenta comentários. O elevado número de participações não se deve a qualquer discussão entre defensores do Linux e do Windows, do Software Livre e Proprietário: a maioria que comentou usa distribuições Linux e está de acordo comigo – excepto quando chamo sistema operativo ao Linux (na realidade é o kernel). Enfim, geeks. Talvez devam vocês esclarecer o que vos leva a deixar um comentário (ou não).
No caso do Bitaites, existe uma questão engraçada relacionada com o perfil dos visitantes. Posso estar errado e não tenho números que o provem, mas este deve ser blogue generalista português mais frequentado entre geeks. E também há que considerar a maioria silenciosa.































8 comentários
Tenho para mim que a clivagem do volume entre posts se deve à s motivações de cada um. O que para ti pode ser classificado com tema que dá pano para mangas ou até calças, por parte de todas as tuas largas centenas de visitantes pode ser rotulado como tema que dá panos, nem para baÃnhas de fugir à polÃcia.
A parte difÃcil está em prever o que o pessoal acha interessante… Mas não é, no fundo, esse detalhe que ainda mantém o misticismo do post??
Acho que as pessoas comentam quando acham que têm algo a dizer e sabem alguma coisa do assunto (exceptuam-se os trolls, que acham que sabem tudo sobre tudo). Junta a isso o passado geek do Bitaites, a menção ao software livre, a música (porque os assuntos geeks não são só sobre tecnologia) e os outros temas, e tens uma explicação.
Claro que convém lembrar que uma menção a sistemas operativos é sempre um bom motivo para comentários e até uma flamewar.
ps: curti o tÃtulo à «Danny, The Dog»
InteressantÃssimo post. Um dado adquirido no meu subconsciente mas que nunca se “materializou” em pensamento (não tenho a certeza se isto faz sentido mas é o melhor que consigo a esta hora).
Isto do blogging tem muito que se lhe diga.
Primeiro que tudo: para que serve um blog? Resposta “cliché”: partilhar pensamentos com o resto do mundo. Em parte, verdade. Não é novidade para ninguém que muitos blogs servem principalmente para fazer com que alguns aproveitem para fazer uns trocos. Mau ou bom? Depende da perspectiva. Mas, esquecendo essa finalidade dos blogs.
Se os blogs são, então, uma forma de expressão, como é que um blogger se sente “realizado”? Aplicável à maioria (devia ter sublinhado), se tiver muitas visitas, for muito comentado e aparecer nos primeiros resultados do Google. Um exemplo é o comentário “a parte difÃcil está em prever o que o pessoal acha interessante”. Não o estou a criticar (devia ter carregado no botão negrito), não é nada que já não tenha pensado e me tenha preocupado.
Não me quero alongar muito mais neste sentido. Começo a ver este comentário um pouco como “off-topic”.
Basicamente, onde quero chegar é que a actividade de blogging é um pouco ingrata e, arrisco dizer, perigosa. É importante não nos esquecermos que o facto de os nossos temas não atrairem tráfico ou comentários não é motivo para cair em futilidades nem muito menos motivo para produzir lixo. A menos, claro está, vejamos o blogging como fonte de rendimento, o que não é condenável. É uma escolha que temos de fazer.
Bem, eu tenho a dizer que tens a hora de Verão nos comentários!
Reconheço que é uma situação que ainda não está devidamente estudada, nem fundamentada, nem mesmo pelo versátil Moita Flores, mas depreendo que tudo reside no mesmo clique que leva a que a maioria que ouve Tony Carreira nunca tenha ouvido nem conheça Zappa. Pode ser um fraco exemplo, mas quero dizer que regra geral há um facilitismo, uma tendência, se quisermos, para entrar de rompante no debate de temas que concensualmente são tidos como vulgares, popularuchos, ou lugares comuns em detrimento de temas sérios e que exigem algum conhecimento técnico e crÃtico.
Neste universo, todos sabemos que falar de futebol, religião e gajas, e já agora de Linux, é quase uma garantia de muita, que não boa, participação. Esta é, a meu ver, a regra, mas claro que por vezes mesmo este isco falha.
Seja como for, não é preciso muita investigação para se compreender o enorme fluxo de comentários em sÃtios como, por exemplo, o relvado.com e outros blogues na linha formativa e inspiradora do clássico O Meu Pipi. Meninas a relatarem as suas cenas de gajas, reias ou inventadas, isto é, blogues com potencial de upgrade para um livro, são êxito garantido.
Um post técnico, analÃtico e comparativo sobre câmaras fotográficas DSLR, ou um artigo discorrendo sobre música jazz ou ainda sobre astronomia, não têm hipóteses na luta de popularidade e participação relativamente a uma análise comparativa entre o chupar um pénis com ou sem prepúcio. É disto que a malta gosta e é sobre isto que a malta tem opinião, quase sempre fundamentada. Lá está, a sabedoria da velha máxima, “putas e vinho verde”…
Claro que com tudo isto, ser-se bloguista é como ser-se dono de um restaurante que numa noite decide fazer lombinhos de vitela com creme de cogumelos mas o raio dos clientes apenas optaram por pregos em prato.
Marco, faz-me pena, por isso, verificar que os teus posts mais substanciais têm que ser congelados, quem sabe para consumir numa outra ocasião. Todavia, eu compreendo que o problema de um bloger competente e com rumo editorial seja a forma como tem que gerir a ementa. Claro que o equilÃbrio é fundamental e quase palavra de ordem, mas aà é que reside o busÃlis da questão: O que é o equilÃbrio num blogue generalista?
“E também há que considerar a maioria silenciosa.”
Às vezes é melhor ficar quieto e deixar que suspeitem que você é um imbecil, do que abrir a boca e confirmar as suspeitas…
Um abraço do velho
Sou um blogueiro solidário com a tua dor… Creio que o melhor mesmo é imaginar o blog como um diário no qual se escreve esperando que ninguém leia, mas que esqueces desavisadamente na cantina da universidade… Com sorte, ou por azar, alguém acha e deixa lá um comentário ao canto da folha, que lês com surpresa ou asco…
C’est la vie…do blogueiro!
Teu blog é genial e leio sempre, mas raramente comento. Talvez aà esteja outro problema: visitantes são preguiçosos ou se sentem intimidados em comentar…
Acho que compreender os fenómenos que levam as pessoas a participar ou não era/é a chave para ter sucesso.
Ainda há uns dias vi este vÃdeo em que seis fundadores de sites bem sucedidos a determinado ponto comentam isso.
http://blog.guykawasaki.com/2007/02/panel_of_web_co.html
Um bom ano novo.