Os Estados Unidos – refiro-me ao território continental, não às ilhotas do Pacífico – nunca passaram pela terrível experiência de ser invadidos por uma potência estrangeira.
Os americanos sabem muito bem, por razões óbvias (Londres, Hamburgo, Berlim, Hiroshima) como uma guerra total entre nações pode levar à devastação de qualquer cidade. O poderio económico e a localização geográfica do país nunca permitiram que o seu território fosse sequer bombardeado, quanto mais invadido.
Mas sabe-se que Hitler, nos seus sonhos febris de conquista mundial, previu a possibilidade de uma Alemanha vitoriosa na Europa invadir os Estados Unidos: numa primeira fase, uma gigantesca frota de submarinos encarregar-se-ia de impor um bloqueio total aos americanos; numa fase posterior, milhares de bombardeiros transatlânticos e bombas V2 melhoradas varreriam as cidades americanas; seguir-se-ia, finalmente, a invasão de Infantaria. (ver post E se o Eixo tivesse ganho?)

Nada disto veio a acontecer, mas a América reteve essa pancada. Já se escreveu muito sobre este assunto do medo americano, pelo que não vale a pena alongar-me: primeiro, temia uma invasão alemã; durante a Guerra Fria, a invasão soviética; pelo meio e até aos dias de hoje, invasões ou raptos por extraterrestres.
É sintomático que filmes de ficção científica que se aproveitam dessa paranóia – O Dia da Independência, por exemplo – tenham colocado as naves destruidoras dos ETs em locais ‘turísticos’ que qualquer americano conhece: a Estátua da Liberdade, Nova Iorque, os rostos presidenciais gravados no Monte Rushmore ou as colinas de Hollywood.
Tim Burton goza com a paranóia americana no seu Marte Ataca! quando nos mostra planos de marcianos sorrindo para a foto como turistas japoneses, enquanto em pano de fundo vemos os monumentos americanos a ser destruídos.
Na sequência do ataque terrorista de 11 de Setembro, muitos nova-iorquinos entrevistados na televisão gritavam que o país estava ‘sob ataque’. Alguma razão tiveram para sentir o desmoronar das duas torres como um bombardeamento: basta lembrar as imagens aéreas mostrando nuvens de fumo sobre Manhattan e a foto de americanos fugindo aos destroços do World Trade Center com o mesmo pânico sentido por crianças vietnamitas em Saigão.

Uma das últimas tentativas de explorar este medo da invasão é um jogo chamado Turning Point: Fall of Liberty, no qual se parte do princípio de que os nazis, vitoriosos na Europa, avançam mesmo sobre os Estados Unidos. Dizem os críticos que o jogo não vale muito, é apenas uma versão de segunda de Call of Duty, pouco interessa, importa-me antes salientar que a exploração da paranóia americana continua lucrativa e que as imagens aqui incluídas, a dos nazis na Casa Branca de Bush, sobretudo, poderão na perspectiva de um árabe ser mais realistas do que pensamos.
Mas a sério que não quero ir por aí. Considerem estas imagens do triunfo nazi como a preparação para um post sobre um dos livros mais espantosos que li nos últimos anos, As Benevolentes, de Jonathan Littell, que nos conta a história de Maximilien Aue, ex-oficial nazi, presente na execução de milhares de judeus na Ucrânia, no cerco a Estalinegrado e na organização dos campos de concentração. Todos os extremistas de direita e veneradores da cruz suástica deveriam ler este livro – não pelo que revela dos nazis, pois essa história já foi contada inúmeras vezes, mas principalmente pelo que revela de nós.































21 comentários
Primeiro já tinha ouvida falar desse jogo, e por falar no mítico Call of Duty, nunca percebi porque nunca criaram uma campanha alemã ou uma campanha no pacifico, mas isso não é para aqui chamado…
A possível e hipotética vitória alemã, não é uma coisa muito despropositada, se os nazis tivessem evitado alguns (muitos) erros, teriam ganho a guerra.
1. A primeira falha começa com o boicote aos judeus, e mais tarde com a tentativa de extremínio, pois com essa estupidez acabaram por matar milhões de homens que teriam sido muito úteis na linha da frente. E no período pós-guerra teriam sido ainda mais úteis para por a economia a funcionar.
2. Permitirem a evasão da Nuremberga foi um erro gigante, pois deixaram milhares de soldados franceses e o corpo expedicionário inglês ir para terra segura, e tal permitiu-os voltar mais tarde.
3. Levaram muito tempo a para iniciarem a tentativa de invasão do Reino Unido, pois com esse tempo os britânicos foram capazes de produzir mais aviões e melhores, nomeadamente o Supermarine Spitfire.
4. Os serviços secretos nazis não desconfiaram que os ingleses pudessem ter um sistema de radar na região sul da Grã-Bretanha.
5. Só tentaram invadir o Reino Unido por via aérea.
6. A produção do avião ME-262 (avião a jacto muito competente e poderoso) podia ter sido produzido em massa desde 1939 como caça, mas Hitler quis que o avião fosse um caça-bombardeiro, e tal atrasou a sua produção para 1943.
7. Entraram no norte de África com os italianos a mandar, e estes não eram grande coisa, o que se revelou um quase fracasso antes da chegada do Marchal Rommel.
8. Foram enganados por “truques de magia” dos ingleses no Egipto.
9. Rommel cometeu um erro tremendo na batalha de El Alamein por atacar uma formação de “tanques”, que afinal era uma formação de camiões de transporte.
10. Ao darem ao italianos a tarefa de conquistar os balcãs, atrasaram a invasão da URSS, que só foi realizada no Inverno, onde as tropas alemãs morriam de frio.
11. O ataque a Moscovo não teve o devido apoio áereo o que resultou num fracasso da Blitzkrieg.
Se eles tivessem contornado ou evitado estes erros talvez tivessem ganho a guerra, bem, mas felizmente isso não aconteceu
.
Posta 5 estrelas.
Já estou à espera desse post sobre os “livros mais espantosos que li nos últimos anos” pois sou muito dislexico e tenho muita dificuldade em ler e escrever, ter um livro para ler de alguém (o teu blog) de quem tanto gosto é a certeza de que o esforço que vou fazer para ler vai ser gratificante.
Obrigado, Benjamim. É um post dificílimo de escrever, claro que só posso colocar excertos, mas espero conseguir acabá-lo ainda hoje (lá para as tantas…)
Caro Marco,
apenas uma pequena correcção. Embora pequenas operações, existiram de facto algumas curiosas, em particular a dos Fire Ballons, que causou as únicas vítimas civis em território continental.
Marco e que tal um artigo sobre o Solado Milhões?
queria dizer: Soldado
Curioso texto, curioso blogue. Gostei.
Não sei se tens conhecimento, mas Hitler também tinha planos para invadir Portugal numa fase posterior. Já é conhecida a neutralidade que Salazar assumiu, embora nutrindo grande simpatia pelos nazis… mas não descurando as alianças com os Estados Unidos e Reino Unido. Mas isto é uma história para outro momento.
A Operação Fénix previa a ocupação do arquipélago dos Açores. Já li um artigo sobre este assunto há algum tempo e se bem me recordo, também o território continental português seria ocupado caso surgissem complicações, principalmente se as forças aliadas auxiliassem Portugal a expulsar os alemães. Também, se não me engano, o motivo que levava os alemães a planear tal ocupação dos Açores, era o facto de procurarem evitar o estacionamento de forças aliadas no meio do Atlântico, uma vez que até então o vazio de forças anti-submarinas no meio do Atlântico permitia uma margem de manobra vantajosa para os submarinos do eixo. Azores Gap era assim chamado o “buraco” que as forças alemães encontravam no Atlântico sem oposição dos aliados.
Contam-se histórias de submarinos alemães que emergiam junto às ilhas e os pescadores locais lhes vendiam peixe. Também há relatos de aviões anti-torpedeiros aliados afundarem submarinos, no canal do Pico. Meu avô diz que chegou a assistir a isso… não foi assim há tanto tempo afinal. Também terei uma história para contar aos meus netos: vi o Bush na Cimeira das Lajes! Enfim, mas todos viram… pela televisão.
correcção ao meu comentário: trata-se da Operação Félix e não Fénix.
Estimo ver que estás em grande. Por acaso até andava sem nada para ler e vou mesmo seguir o teu conselho.
@André:
É perfeitamente “normal” que Hitler tivesse mesmo que invadir os Açores.
Enquanto no território continental “parecia” existir alguma neutralidade, com a balança a pender para os nazis, por cá a situação era diametralmente oposta. A posição geográfica dos Açores foi (é e será) de vital importância para quem queira dominar o Atlântico e se agora a importância é menor naquela altura era fundamental.Além disto, nalgumas ilhas as forças britânicas e francesas, instalaram equipamentos tais como aeroportos, luta anti-submarina e, mais tarde, potentes estações de rádio que lhes permitiam ter uma excelente base não só para defender como também para contra-atacar.
Basta pensar nos Açores como um gigantesco porta-aviões e que, ainda por cima, não se mexe. Bem, de vez em quando até mexe…
Em resumo, se a Alemanha pretendesse algum dia atacar as Américas, especialmente os EUA e o Canadá, nunca o poderia fazer se os Açores não estivessem sob o domínio nazi.
@braço.
Parabéns pelo excelente blog.
Grande abraço, JL.
Os EUA intervieram na Europa porquê? Qual foi o motivo que conseguiram rabiscar para se intrometerem? Para quem não sabe um navio americano de passageiros «apareceu» deliberadamente numa zona marítima declarada de guerra (os alemães patrulhavam essa zona e era sabido que tudo ia ao fundo se não tivesse autorização), será que se teriam perdido ou houve interesse em ter um navio cheio de carne para canhão?
Pearl Harbor foi outra «anedota» os EUA com os vários radares colocados ao longo de vários ilhéus no pacifico, deixaram os aviões japoneses atacarem, mesmo sabendo com meses de antecedia ao ataque. (lembrar que não haviam aviões tão poderosos como os que há hoje para viagens continentais)
E porque raio atacaram os japoneses? Eram malucos ou foram atacados verbalmente durante meses a fio por parte de alguns políticos americanos e viram as suas contas congeladas assim como bloqueios?
9/11 ataque terrorista por parte de quem? Do homem das cavernas? LOL
O tipo velhote de barbas longas que se tivesse barriga e usasse óculos passava pelo pai natal? lol
Cuidado com a propaganda americana, hoje em dia qualquer noticia:
“Já foi confirmado pela CIA”
“Foi confirmado pela Casa Branca…”
O resto do mundo nunca confirma nada, come a palha que lhe dão, é tempo de acordar e questionar a autoridade que esses indivíduos representam, pois provas do que quer que seja nunca são apresentadas a resposta é sempre a mesma: “segredo de estado”.
Nazis a atacar os USA?
Desculpem, estão a falar a sério?
Já alguém por estas bandas ouviu falar no financiamento dos USA aos nazis? Das imensas quantias de dinheiro que foram enviados para lá? Da IBM fornecer a tecnologia aos nazis para catalogarem os judeus como ratos? Já alguém ouviu falar por aqui que os nazis eram pro-america?
De que realidade alternativa são vocês? Do mundo dos vídeo jogos?
“we’re all living in america, coca-cola wonderbra”
Alguém aqui ainda acredita no que da na TV americana?
Desculpem mas acho que está na altura de abrirem os olhos.
E prepararem-se para os tempos difíceis que estão para chegar.
Have a nice day
Navyseal, o que raio tem a ver para aqui a primeira guerra mundial? Nessa eu admito, isso foi um pouquinho ao estilo conspiração, eles sabiam perfeitamente que o navio ia ser abatido e assim arranjaram uma razão para entrar na guerra, porque o povo americano estava contra a guerra.
Pearl Harbor, foi a sério, foi um ataque planeado dos japoneses, quem tinha espiões no Estado Unidos eram os japoneses e não o contrário, eles largaram dezenas de caças bombardeiros os Zero, com motor Mitsubishi, de porta aviões que tinham no pacifico, e os únicos países desse tempo que tinham radares, ou seja, tecnologias de detecção que não ópticas era o Reino Unido e a Alemanha.
Pelo contrário os americanos eram tecnologicamente pobres, eles só começaram a estar ao nível dos outros países em 1943, isto não se conta mas é verdade, isso de Pearl Harbor ter sido uma conspiração soa-me a propaganda americana para disfarçar o ataque directo que levaram.
Não, os japoneses não eram malucos, o seu próximo passo tinha a ver com o facto de o Alto-Comando Alemão precisar de se livrar dos EUA, pois estes estavam a fornecer dinheiro para a máquina de guerra britânica, por isso, ordenaram os japoneses atacar os americanos pois estavam convictos que o Reino Unido não iria trocar tecnologias com os americanos, o que iria facilitar, a invasão e vitória dos japoneses sobre os americanos.
Pearl Harbor, era um ponto de extrema importância para os japoneses ou americanos se quisem algum dia atacar o outro. Só que o ataque de Pearl Harbor não correu como planeado, pois era para neutralizar os americanos, mas falharam pois os seus submarinos kamikaze recheados de bombas ficaram a meio caminho.
11 de Setembro, porque querem tanto meter conspiração aí? Foi um ataque terrorista custa assim tanto acreditar? O quê? O petróleo? Isso não existe no Afeganistão! Eles só lá entraram para caçar o Bin Laden e companhia, mas foram demasiado lentos, isso da Al-Quaeda ainda é do tempo do Bill Clinton, e este até enviou uns misseis Tomahawk, só que falharam o alvo.
Um Portugues, sim os nazis queriam apanhar os EUA, ao contrário do que se diz, Hitler não queria atacar os Ingleses, mas o mesmo já não acontecia com os americanos.
Os americanos nunca financiaram os nazis, o que eles fizeram foi pegar nalguns nazis, e usa-los em seu proveito depois do fim da guerra, o caso mais conhecido foi o de Klaus Barbie.
Pro-americana? Eles eram contra tudo o que os americanos eram a favor, e agora são pro-americanos, essa é boa.
Em que realidade andamos nós? Na realidade a sério, quem anda a ver muita TV americana és tu, tu é que vês conspirações em tudo!
Se as conspirações fossem reais, nós nunca saberíamos delas, por alguma razão a CIA deixa andar por aí as série de conspirações e afins, porque são mentira, se o povo prefere ouvir mentiras, para quê que vamos estar a dizer a verdade, as conspirações são mentira.
O único momento em que houveram algumas coisas parecidas com conspirações foi durante a guerra fria, antes disso, não, a não ser essa cena que levou os americanos a entrar na Primeira Guerra Mundial.
André e Jocaferro, não estou convencido em relação aos Açores, primeiro, usariam bombardeiros transatlânticos como o Arado, ou misseis como os V2 ou os V3 e para isso não precisavam dos Açores, depois do bombardeamento, entravam por lá dentro através de uma “ponte marítima” que iria da Islândia até ao Canadá, e sempre próxima da Gronelândia.
Os Açores eram de facto importantes para os Americanos e Britânicos, não para os Alemães.
“As únicas coisas indispensáveis à vida são o ar, o comer, o beber, a excreção e a busca da verdade. O resto é facultativo”.
Maximilien Aue, in “As Benevolentes” de Jonathan Littell
o jogo World in Conflit também retrata uma invasão à América, mas este é bastante bom…
bom post…
@Miguel Albano: não sabia disso, obrigado pela info
@André: a história do projecto Félix dava um post jeitoso.
Tens de ver: http://www.zeitgeistmovie.com/ talvez mudes de ideias em relação a algumas coisas…Ou não…
@Miguel Guerreiro
Não vou discutir conspirações pois na história dos EUA não faltarão concerteza. (ver o exemplo do watergate)
Mas aconselho-te a leres o Red Storm Rising de Tom Clancy e verás a importância estratégica dos Açores. Mesmo nos dias de hoje os EUA enfrentariam graves problemas se não tivessem essa base, por algum motivo já pensam em fazer testes de tiro por lá e aumentar o numero de aviões na base. (avizinha-se algo em grande)
Estás a dizer o mesmo que eu, os Açores eram mais importantes para os americanos que para os Alemães.
Tom Clancy, isso é ficção.
Watergate, isso é uma excepção