Há quem pense que o sistema de votação se destina a avaliar os posts que coloco aqui. É metade da verdade. O sistema de votação também serve para vos avaliar a vocês. Dado que me sujeito ao escrutÃnio diário de quem me visita e não me queixo, é justo que quem me visita também aceite sujeitar-se ao meu escrutÃnio sem se queixar.
Escrevo isto apenas para dizer que os votos nunca determinarão os posts que coloco aqui, sejam favoráveis ou desfavoráveis, pela simples razão de que nesse caso isto deixaria de ser o Bitaites. Já estou à espera que se vote ’1′ a mais um post sobre Zappa – é música, nem todos gostam, há um elemento subjectivo difÃcil de transformar em razões, daà a expressão ‘gostos não se discutem’. Entendo que se vote ’5′ a um post com uma fotografia engraçada que exigiu de mim zero de mérito e zero de esforço porque, pura e simplesmente, divertiu ou fez rir a pessoa que votou. Acontece frequentemente um post levar nota máxima de uma pessoa e, cinco minutos depois, levar nota mÃnima de outra.
A diversidade aqui é enorme. Depois de mais de dois anos a fazer um blogue, já tenho um bom poder de encaixe tanto para os elogios como para as crÃticas.
Mas preocupa-me que o anónimo que votou ’1′ ao magnÃfico texto de Amoz Oz (post seguinte) não justifique as suas razões na caixa de comentários: isso leva-me a concluir que algumas pessoas avaliam textos não por terem lido e pensado sobre o que leram, mas porque os consideram extensos ou maçudos.
Se todos tivessem a sensatez, a inteligência e a serenidade de Amoz Oz, os conflitos entre seres humanos seriam reduzidos ao mÃnimo e o nosso mundo seria mais tolerante e pacÃfico. É esta, na minha opinião, a essência do texto. Mas o anónimo que votou ’1′ nunca deu a si próprio a oportunidade de reter ou refutar esta conclusão porque o artigo é demasiado extenso e maçador. Ou, pior ainda: é intelectual. Ainda pior do que isso: não tem downloads.
Não sei por que razão as pessoas não têm paciência para ler. Estaremos tão influenciados pela linguagem publicitária que julgamos que uma ideia, seja ela qual for, só é boa caso possa ser apresentada em meia-dúzia de palavras e numa única frase sonante? Será que a nossa única medida de avaliação é a quantidade?
Actualização a 12/10/2007: o sistema de votação está desactivado.































6 comentários
5* e vou justificar
Pelo menos a mim a maçada de ler é mesmo por não ter-me sido incubido o gosto pela leitura e daà advém a grande desmotivação, mas no sentido de ler algo que tenho que realmente ler e não me cative. Considero que o mundo da blogosfera me tem dada gosto para ler ainda mais, pois cada vez é mais fácil encontrar o que se quer, e poderemos nos perder horas a ler sobre artigos que nos cativem.
Pelo que já escrevi a propósito desse equilÃbrio ténue entre as duas partes em apreço (quem oferece de borla e quem usufrui por vezes de forma ingrata) é fácil de concluir que concordo contigo na essência do que escreves.
E adivinho a morte da escrita na blogosfera pelo efeito prolongado dessa apetência pelos telegramas. Sou constantemente aconselhado pelos “especialistas” desta treta a optar pelas postas curtas (e eu prefiro-as compridas. E grossas, se apetecer a alguém avacalhar).
Sempre achei que a blogosfera pode distinguir-se do resto da net por duas caracterÃsticas: a interactividade que as caixas (e os sistemas de votação como o do Bitaites) representam e a liberdade de expressão (na qual incluo a de dimensão).
Beliscar qualquer das duas é acelerar a fusão da blogosfera com os sites tradicionais.
Falou (e votou) o tubarão.
Afinal o tubarão só falou. (A cena das votações emperrou no “loading”)
O Shark expôs o problema: Quando se tenta votar no IE6, que é o browser ainda usado na maioria dos locais de trabalho, o sistema emperra no “loading”. É impossÃvel votar com o IE6. Talvez se possa fazer alguma coisa para resolver isso….
O problema do post em apreço nem é ser longo, é mesmo teres usado um tamanho de letra que não ajuda nada a mÃopes como eu! É tão difÃcil de ler (a não ser que se esteja inclinado sobre o monitor) que um gajo distrai-se. Eu falo por mim. Enquanto lia o post só me ocorriam pensamentos como “mas o que é que deu a este gajo para emagracer as letras desta forma?” ou “c@r@lho para o gajo; mas havia alguma necessidade disto?”, o que, num texto sobre tolerância não me parece muito conveniente. Ainda me ocorreram pensamentos terroristas e tudo. Percebes?
Já aumentei o corpo de letra. Chato.