Não deixa de se prestar a múltiplas interpretações que o ex-fumador mais famoso do mundo, Allen Carr, tenha morrido a 29 de Novembro do ano passado com um cancro nos pulmões. Carr foi sempre um fumador compulsivo – entre três e cinco maços por dia – mas há 23 anos que deixara de fumar através de um método que o próprio forjou e ao qual chamou EasyWay.
Durante todos esses anos escreveu livros descrevendo a sua «forma fácil» de deixar de fumar e abriu 70 clÃnicas em trinta paÃses diferentes onde os seus métodos eram aplicados. Ganhou uma fortuna à conta dos livros e das clÃnicas, mas não foi nenhum charlatão. Nunca prometeu nenhum «milagre»: afirmava apenas que superar o vÃcio de fumar seria possÃvel se conseguÃssemos entender os mecanismos psicológicos que nos levam a querer acender outro cigarro.
Carr afirma que, uma vez desfeita a ilusão de que o cigarro é agradável e necessário, se torna surpreendentemente fácil largar o vÃcio.
O livro mais popular é «Parar de Fumar – o método mais fácil para todos». O livro é uma autêntica lavagem ao cérebro do fumador e é graças a ele que não fumo há quatro dias. Quatro dias não chega a ser uma semana, quatro dias não é nada, mas a verdade é que não estou a trepar às paredes por causa da falta do tabaco como aconteceu em tentativas anteriores em que me apoiei apenas na força de vontade.
Em vez de me lamentar sobre o facto de «ter perdido» os cigarros, porque na verdade não «perdi» nada, estou mais concentrado no que estou a ganhar. É uma autêntica lavagem ao cérebro, sim senhor.
Digo que a forma como Allen Carr morreu se presta a múltiplas interpretações porque, como é óbvio, a mentalidade tÃpica de quem fuma poderá levá-lo a pensar: «O facto de ter deixado de fumar não o safou do cancro nos pulmões».
Carr fumou durante 33 anos (nos piores dias, fumava cinco maços por dia). Largou o tabaco aos 48 e morreu aos 72. Quantos anos teria de vida se tivesse continuado a fumar 100 cigarros por dia?
Carr também levou com a fumarada toda dos seus «pacientes». Como o seu método se baseava na compreensão e não na imposição, todos eram livres de fumar durante as sessões. O livro reflecte esta visão quando aconselha o leitor «a não parar de fumar» enquanto o estiver a ler.
Segunda-feira o Bitaites voltará ao ritmo normal de actualizações. É provável que eu regresse a este tema mais vezes. Desculpem lá a insistência, mas é uma fase importante na minha vida. Deixar de fumar sentindo que desta vez se consegue (e perceber que não se está a perder absolutamente nada), é uma conquista psicológica muito importante para um agarrado aos cigarros como eu.
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22 comentários
Os meus Parabéns, Marco é de Mestre.
Ora, fase importante da vida e um compromisso publico assumido. Ok, não é compromisso! Mas é um desafio que não se quer falhar na praça publica.
Ouvir falar tão bem desse livro e em mecanismos psicológicos de dependência dá vontade, a mim, um não fumador, de ler o livro. A sua leitura poderá tornar-se útil para outros vÃcios e maus hábitos?
Cumprimentos,
Rodrigo S.
Parabéns e Força! Mas cuidado! Lembra-te que serás para sempre um ex-fumador e isso significa que deverás ter sempre alguns cuidados para não voltar a cair na asneira de fumar apenas “aquele” cigarro. Garantidamente fumar nem que seja apenas um estraga tudo e trás desse vêm todos os outros. Faz hoje 1 ano e 19 dias que eu sou oficialmente um ex-fumador.
Rodrigo: Sim. Basta fazer a extrapolação.
I&U: obrigado!
Gonçalo: obrigado pelo aviso. Estou bem mentalizado em relação aos perigos do «cigarro ocasional».
Um ano e 19 dias sem fumar é obra. Parabéns! Que melhorias notaste?
Ganhou peso!
Parabéns Marco. Aguenta-te porque vais passar por alguns momentos de dúvidas… ahhh e não te tornes antitagabista primário.
Falo por experiência própria.
Ex-fumadora de 2 maços por dia estou sem fumar há um ano e oito meses. Neste momento estou na fase de, constantemente, me questionar se vale a pena o sacrifÃcio. Nunca deixei de ter saudades do cigarrito e só com muito esforço não me deixo cair em tentação.
Cuidado com a alimentação. Há sempre risco de engordar ao tentar compensar a falta com comida. Chupar cravinhos da Ãndia tira o sabor de tabaco da boca.
Força!
Fumei durante 5 anos mas há cerca de dois anos estava a fumar em frente ao computador de madrugada e achei que já chegava. Estava em altura de exames mas mesmo assim consegui passar bem sem fumar mesmo vendo os meus amigos todos a fumar. Na verdade depois de uma ou duas semanas mais difÃceis, foi um grande alÃvio ter deixado de ser escravo do tabaco e era esquisito sair de casa sem levar o maço atrás.
Infelizmente… o meu apetite começou a aumentar e acho que hoje em dia como o dobro do que comia há dois anos.
Conclusão: Esta semana fui fazer análises e chamaram-me para as ir repetir. É que estou com o sangue todo minado com gordura, ácido úrico, etc, etc, etc… É FRUSTRANTE!
Sim também notei um aumento do apetite naturalmente acompanhado por um aumento do peso. Mas isso só nos dá mais um bom motivo para praticar mais desporto e seguir uma vida mais saudável. Acima de tudo sinto-me mais livre por não ter aquela “obrigação” de fumar mais um cigarro.
força Marco, vale bem a pena.
deixei há quase 3 anos e meio (fumei 10 anos 1 maço por dia) com ajuda de pastilhas de nicotina e auto-lavagem cerebral constante e consegui.
à medida que o corpo se for libertando do cocktail de quÃmicos vais sentir que valeu o esforço (sentidos mais apurados, maior vigor fÃsico, maior actividade/menor sedentarismo, etc).
nunca mais toquei num cigarro (concordo com o que diz o Gonçalo Rodrigues) e até me sinto incomodado com o fumo. a grande batalha é contra a nicotina que é muito viciante.
quanto ao peso, nada como vigiar também a alimentação, perceber quando se está a comer por necessidade ou por nervosismo (faz parte do auto-controlo).
A sério? Oxalá seja para sempre.
Amigo Marco,
Constatei ao vivo essa tua determinação em não mais precisares do cigarro como muleta de inspiração seja para o que for e, Pude ainda observá-lo recentemente à mesa do café, alà para os lados da linha, quando estevas a saborear um ‘geladito’ passe a publicidade ‘Olá – tipo corneto’. Força meu amigo, fá-lo para que te sintas livre e independente em relação a tudos os vÃcios. Mas, atenção cuidado com a comidinha! Um abraço.
http://www.last.fm/music/Frank+Zappa (:
Força Marco, eu deixei de fumar dia 23 de Janeiro deste ano e até agora não voltei a cair na tentação.
É verdade que engordei, mas nada de preocupante.
Abraço
Força, Marco, aguenta-te pois vais ser bem recompensado pela luta que estás a travar.
Quem assim fala passou os últimos 34 anos a fumar forte e feio e está, agora, prestes a entrar no 8º mês sem fumo. Quando a tentação chegar pensa no que dizes na parte final do teu texto: » …é uma conquista psicológica muito importante…» sem dúvida que é, o que está em causa, como diria Shakespeare, to smoke or not to smoke, é a verdadeira questão que faz toda diferença. Deixa-me passar-te a minha experiência e dizer-te que, de todas as realizações que levei a cabo ao longo da minha vida e algumas foram importantes, estar estes meses sem fumar é aquela de que mais me orgulho e constitui um factor de auto-estima muito forte.
Estou contigo nesta luta e, se te puder ajudar, conta comigo.
Obrigado a todos pela força. Definitivamente deixei mesmo de fumar.
Soslayo: é um prazer ver-te por aqui, amigo. Fica combinado lá para meados de Setembro mais uma lavagem ao cérebro?
Zé: inspirador comentário. Obrigado! É verdade tudo o que dizes.
Marco, fico contente e acredito no teu sucesso ao ver essa tua determinação, convicção e autoconfiança em assumires que deixaste mesmo de fumar. Mas… vamos com calma, um dia de cada vez, com muita firmeza de propósitos mas também com muita humildade. A humildade é um ´ingrediente´ essencial a este percurso. No processo mental de deixar de fumar deixa em aberto a possibilidade de teres momentos de fraqueza a que irás tentar resistir com todas as tuas forças. A ausência de nicotina no cérebro vai pôr a tua mente a pregar-te partidas, baralhar a tua lógica, tentando alterar a tua estratégia com novas variáveis só para ter direito à dose habitual. Vai resistindo a essas tentações porque, cada uma que é superada, deixa-te mais forte e confiante (mas sempre humilde) para fazer face a outras que surgirão.
Um grande abraço e votos de sucesso
Absolutamente de acordo, caro amigo. Obrigado pelo comentário.
Marco, tenho vindo aqui regularmente para tentar saber notÃcias do teu actual desÃgnio. Conta como é que vai essa luta.
Talvez um bom livro para oferecer no natal
Qual é mesmo o titulo? Ou melhor o ISBN arranja-se?
Abraço
ola e com muito prazer que participo aqui neste blog.eu tamben ja nao fumo desde o dia 24 de janeiro.mas ultimamente tenho ca uns pensamentos aos quais fico muito comfuso entao e assim.eu quero mesmo deixar este maldito vicio tenho alturas do dia em que me sinto super bem por nao fumar outras vezes veem umas crises que me fazen muita comfusao que e o seguinte comeco-me a perguntar a mim mesmo se realmente quero deixar fico tipo com saudade do cigarro, e isto deixa-me um pouco desmotivado tenho medo de estar a perder a batalha por falta de forca mas a verdade e que tenho resistido sempre a tentacao.sera que isto e o vicio da nicotina ou sera que eu estou a perder a motivacao ao questionar-me a mim proprio.obrigado a todos e desculpem a comfusao