
Não sei se repararam, mas tanto eu como o Pedro somos gajos de esquerda. Ser um gajo de esquerda, já agora, não significa que se é de um partido polÃtico. Ser de esquerda é apenas uma questão de visão moral, chamemos-lhe assim. Uma pessoa pode passar horas a falar de polÃtica e, se tiver juÃzo e quiser preservá-lo, não mencionará uma única vez o nome de qualquer polÃtico ou partido. A nossa posição perante o mundo não deve depender de qualquer visão partidária – sobretudo porque esta não costuma existir.
A diferença entre a polÃtica e a politiquice está no facto de que, para a PolÃtica, o Homem é um fim, enquanto que para a politiquice é um meio. A polÃtica, portanto, nunca pode ser politiquice – e vice-versa.
Quando se trata de pensar no Homem como um fim, existem dois grandes tipos de visão: a de esquerda e a cristã. Esta última tende a pensar na solidariedade como um acto de caridade; já a malta de esquerda vê a solidariedade como um acto de justiça. Tenho a certeza de que muitos cristãos bondosos terão o seu merecido lugar no Céu, mas eu tenho tendência a sentir algum desprezo pela visão caridosa porque penso que não está interessada em solucionar os nossos problemas na Terra.
O acto de caridade apenas serve para perpetuar uma relação desequilibrada entre quem é ajudado e quem ajuda. Quem promove actos de caridade depende da existência dos pobrezinhos para que possa continuar a desempenhar o seu papel caridoso. Um gajo de esquerda, por outro lado, não te quer pobre nem diferente, quer-te igual do ponto de vista social. Luta, se for caso disso, pela recuperação do teu orgulho ferido e do teu papel na sociedade. Luta para que o seu próprio papel solidário deixe de ser necessário. As almas caridosas, por outro lado, distribuem a sopa e regressam às suas ricas casinhas de consciência tranquila.































11 comentários
Tens que ter consciência do cérebro que tens. VIVA O DRAMA! :cool_wp:
:eek_wp: Estás no Ubuntu? Parabéns! Afinal, tantas queixas e sempre conseguiste. O que faz o rabo da Jennifer :wink_wp:
A não ser que seja o LiveCD… :smile_wp: Mas tu com jeitinho ainda vais lá, pá.
Caridade: é um sentimento de compaixão ou uma acção altruÃsta de ajudar ao próximo sem buscar qualquer tipo de recompensa. Amor ao próximo; bondade; benevolência; compaixão; esmola. Na religião católica, uma das virtudes cardinais.
@Marco
Sou assim um menino como TU e ainda gosto de brincar com “folhetas”. Como tenho um armazem de PCs velhos, de vez em quando brinco com um deles. Mas chateio-me logo, ele é ainda tem uma mentalidade (Ubuntu) de bébé. :cool_wp:
Há muitos anos atrás um conhecido meu e sua famÃlia pegaram num asilo um pequeno de seus dez anos, levaram-no para casa, era véspera de Natal, cobriram-no de presentes (nada de excepcional) e o alimentaram bem, tiveram a Ceia…e no dia seguinte o levaram de volta ao orfanato.
Eu vi aquilo tudo com desgosto, porquê me pareceu que com aquela ação a famÃlia teria comprado ‘um ingresso para o céu’.Lavaram suas consciências, e o garoto voltou à sua triste e pobre vida…
Isto é politiquice, Marco.
Adotar um menor órfão, tira-lo daquela vida, dar-lhe uma chance, isso é polÃtica. Estarei errado?
Claro que estás! O meu Pai, durante anos, convidava pobres da Freguesia onde moravamos, para cear connosco no Natal. Achas isto politiquice? Achas que lhe competia tirar o velho ou velha de morar debaixo da ponte? Ou seria a TI também com os impostos que descontas? Ao menos fez uma coisa numa noite, que todos os politiqueiros de esquerda não conseguem fazer durante a vida toda! Deu-lhe alegria de viver e familia durante umas horas.
PS: Na esquerda ainda existem/iram bons politicos. O meu Pai era um deles!
Caro e admiravel Fluvial 100estarias 100% correto e eu errado a não ser por um detalhe: teu pai levava para casa adultos pobres da Freguesia onde moravam, ao passo que o que eu narrei se deu com um menino de 10 ou menos anos, dono de todas as ilusões e sonhos do mundo sem nunca te-los, que é confrontado com uma realidade que é transitória e não mais repetitiva. Brincaram com seus sentimentos, isto na minha cabeça é MALDADE e não bondade de coração.Politiquice barata, sim…
Ya. Pode até ser, brincar com os sentimentos de uma criança de dez anos, mas, quando for adulto, possivelmnete terá esse dia guardado como uma boa lembrança; e até mesmo em criança, quem sabe?
Se fossemos perguntar a todas as crianças pobres se gostariam de ter um Natal assim, mesmo que fosse apenas por uma hora ou duas, haveria alguma que dissesse “não”? Algum de nós diz “não” a uma hora bem passada? Essa hora não nos dará boas lembranças no futuro?
É que o contrário, levaria-me a pensar que é melhor então o ser humano não conhecer a felicidade… para quê?, se a vida pode ser mais tristezas que outra coisa? Disparate!
Bom, quando ao post em si… Enfim, de estômago vazio é difÃcil fazer alguma coisa! É difÃcil ter vontade, sequer, de levantar do chão e fazer alguma coisa por si mesmo.
Por outro lado, há muita gente que quer viver assim mesmo! Nem mais, nem menos; assim. E eles pensam: quero lá saber por que razão me dão esta sopa e este pão: “desde que me dêem, tasse bem!”
Mais fácil do que voltar às suas casinhas depois de dar a sopita, é escrever este post.
Os homens de esquerda também podem fazer caridade (Grrrrr, palavra horrÃvel), chamem-lhe o que quiserem, pois esta caridadezinha não é tão simples assim; implica muitas outras coisas, que se calhar, não sei, o Marco desconhece.
Numa coisa tem razão: é possÃvel ficar-se dependente, mas não ficaremos todos nós dependentes disto ou daquilo, da tecnologia, da informática, por exemplo? Não será o Marco dependente dos ignorantes tecnologico-informáticos?
Logo aqui que se defende a ideologia Ubundu! Mas ficam-se apenas pela idiologia relacionada com a informática? É pena.
Se não podes fazer mais nada, dar uma sopa e um abraço já é muito! Ou tudo.
)
(“Não podes fazer mais nada”, porque o outro nada mais quer, se é que me entendem.
Querida Matahary: Ao que parece pensas que aquilo que é impresso na mente de uma criança de 10 anos fica guardado como o vinho, para ser degustado agradavelmente muitos anos depois…pensas também que basta uma vez quer outra uma boa ação, a contrabalançar as merdas que nos são impingidas dia a dia…pelo governo e por outrem…contanto que venham…Disparate!
Não tenho preferências partidárias. Mas considero que se mostra pouco sábio ao referir implicitamente que algum dia poderão deixar de existir pobres. Admiro o seu trabalho com este blogue e diverti-me imenso a ver alguns comentários e imagens que revelam que é uma pessoa muito inteligente e com um notável sentido de humor. Quase perfeito! Mas tem um defeito…… NÃO ACREDITA EM DEUS. E isso revela-se em muitas coisas que escreve. Esse aspecto tira-lhe por vezes sensibilidade e coerência com algumas boas intenções que tem. Acho piada ver que independentemente da idade, sexo, habilitações académicas, etc…. Deus marca diferença no conhecimento (tb cientÃfico) devia fazer como eu….ter aulas de teologia….ler o livro mais conhecido e lido em todo o mundo. … aquele que também fala de CARIDADE de forma incontestável…
Já agora, já leu o livro «Cisnes Selvagens?»…. fala precisamente de um ideal falhado que só trouxe sofrimento e decadência…. eu não defendo nenhum tipo de polÃtica…… nem confio nas palavras….ou nas promessas….no entanto, umA ATITUDE DE CARIDADE…….