→ 10/08/2012 @2:38

O melhor amigo do cão

Tive três cães – dois já mor­re­ram de ve­lhice – e o ter­ceiro veio cá para casa há qua­tro anos, quando era ainda do ta­ma­nho da palma da mi­nha mão.

Ainda hoje não con­sigo pen­sar na ca­de­li­nha que acom­pa­nhou a mi­nha in­fân­cia sem me per­der nas me­mó­rias des­ses tem­pos sim­ples em que ela se aven­tu­rava co­migo para todo o lado.

Por ser uma ca­chor­ri­nha tão ex­tro­ver­ti­da­mente doida, a mi­nha mãe co­me­çou a chamar-lhe afe­tu­o­sa­mente «és mesmo ma­luca», «ó mi­nha ma­luca», até que o ani­mal se con­ven­ceu de que se cha­mava mesmo Maluca.

Apesar de al­gum em­ba­raço ini­cial, tive de acei­tar que se pas­sa­ria a cha­mar as­sim. E aca­bei por re­pe­tir a his­tó­ria do seu ba­tismo cen­te­nas de ve­zes, para que as pes­soas per­ce­bes­sem que eu tam­bém não me cha­mava maluco.

Por causa do nome in­vul­gar, do tem­pe­ra­mento so­ciá­vel e da li­ber­dade que lhe dava, mui­tas ve­zes cruzava-me na rua com pes­soas que nem se­quer co­nhe­cia mas que cum­pri­men­ta­vam a mi­nha ca­dela sem­pre da mesma forma: «Ó ma­luca!»

Quem a via mer­gu­lhar de chapa no mar, do cimo de uma ro­cha, e a na­dar como um Michael Phelps dos ra­fei­ros por não su­por­tar ver o dono de­sa­pa­re­cer den­tro de água, já di­zia o seu nome an­tes de sa­ber que era mesmo esse o seu nome. Em pouco tempo, ba­nhis­tas que eu não co­nhe­cia de lado ne­nhum já a sau­da­vam com uma festinha.

Foto: Hannah Stonehouse Hudson

Quem tem ou já teve cães ou ga­tos sabe como é fá­cil amar um ani­mal como a um fi­lho ou ir­mão. E é por isso que esta foto me comoveu.

O cão de John Unger, Schoep, um ve­lhote de 19 anos, so­fre de ar­trite e tem di­fi­cul­dade em ador­me­cer por causa das do­res. Quando o dono des­co­briu que a água o ali­vi­ava, pas­sou a levá-lo to­dos os dias ao lago, aconchegando-o até o po­bre ani­mal con­se­guir dor­mir. A his­tó­ria da re­la­ção dos dois é con­tada neste ar­tigo do Huffington Post.

 

6 comentários

  1. Margarida — 10/08/2012 @10:17 (2 comentários)

    Não sei se gos­tei mais da foto, da sen­si­bi­li­dade de John Unger, ou da his­tó­ria da Maluca. Acho que gos­tei de tudo ;)

  2. Augusto Tomé — 10/08/2012 @15:27 (45 comentários)

    Já ti­nha visto esta his­tó­ria no fa­ce­book, se ca­lhar até foi no teu ti­me­line, fi­quei co­mo­vido, por­que tem esse lado ne­gro quando amá­mos um ani­mal, um dai te­re­mos que nos se­pa­rar de­les ou de nós de­fi­ni­ti­va­mente. :-(

    Abraço

    • Augusto Tomé — 10/08/2012 @15:28 (45 comentários)

      Queria di­zer uma “dia” e não um dai…

    • Tomé, fa­zia falta o bo­tão edi­tar… :)

      Ainda es­tou a ver como integrá-lo, aquilo é uma complicação…

  3. benjamim — 10/08/2012 @20:44 (189 comentários)

    Boa his­tó­ria, en­con­trei ou­tra esta se­mana no twit­ter, viste? http://instagram.com/p/OA-pEMGlkV/

    • Não co­nhe­cia, Benjamim, fan­tás­tico momento.