A campanha eleitoral oscila entre as perguntas giras dos Gato Fedorento e uma guerra de trincheiras travada nos jornais entre dois partidos políticos numa luta desesperada pelo poder: de um lado, Sócrates e o seu super-ego; do outro, Cavaco e a sua pálida marioneta.
Nada mais existe, de momento, a não ser esta dolorosa mediocridade que nos mantém entalados entre a laracha, a propaganda e a irresponsabilidade. É esta a verdadeira asfixia.
Com que país sonham estes gajos? Não nos é permitido saber: estamos demasiado entretidos a avaliar-lhes a prestação humorística nas entrevistas dos Gato Fedorento. Sempre desprezei os políticos, hoje detesto-os: pela primeira vez na minha vida, sou incapaz de me rir deles. Estes gajos minam a política com a impotência das suas ideias e a superficialidade das suas ambições sem cultura. Nestes, até as gargalhadas podem ser demagógicas.
Com que país sonham estes gajos? Não nos é permitido saber: estamos demasiado ocupados avaliando as estratégias e os objectivos com que uns e outros instrumentalizam a comunicação social agitando diante dos jornalistas a cenoura de uma cacha – uma bomba atómica, como escreve o jornalista do Público; uma notícia substantiva, como anuncia pomposamente o DN.
Seremos assim tão ingénuos que nem nos passa pela cabeça interpretar as verdadeiras intenções dessas preciosas fontes? Pior ainda, seremos assim tão gananciosos que só nos interessa saber o que diz a fonte e não porque está a dizê-lo num determinado momento? Por que razão estas questões só são levantadas depois de publicadas as notícias e não antes? Por que razão o espírito aventureiro dos jornalistas é mais sensível à manchete do que ao conhecimento? Quando é que o jornalismo deixou de pensar? E porquê?































8 comentários
Há muito, demasiado tempo.
Por se transformar em bengala dos políticos, ora mais ora menos disfarçadamente. Jornalismo independente… nem com a ajuda do Hubble se encontra facilmente!
A tentação da demagogia “anti-política” é grande, enorme até. Vai sendo salva por um ou outro pequeno partido “virgem”. Até que estes percam a virgindade!
Não sou jornalista, e raramente leio jornais, incluindo os electrónicos, sou portanto um autêntico Rui Santos/ Francisco Moita Flores da opinadela, “e tenho para mim” que o grande culpado é a publicidade.
Felizmente o autor deste blogue pode dar-se ao luxo de a não ter, senão tínhamos gajas nuas todos os dias no blogue, e noticias a falar da sexualidade do Sócrates, as contratações do Benfica para a época 2010/2011, e outras do género.
O grande problema disto tudo é que os jornalistas precisam de comer, e os directores e investidores de se empanturrarem, é por isso que temos jornalismo tão medíocre. A culpa não é dos jornalistas, nem do “jornalismo”, mas da fome.
o que me chateia realmente é como os partidos políticos e os “políticos” se rejem por regras diferentes dos restantes.
Carros de campanha do PS multados e apreendidos
Mais do que essa “fome” dos jornalistas mete-me nojo e ao mesmo tempo preocupa-me esta distorção daquilo que deveria ser a política. Esta falta de valores, estas MERDAS a que nos sujeitamos, esta cambada de clubistas que jogam à política como se de futebol tratasse. O problema disto tudo é que são vidas (e milhões delas) que estão em jogo…os jogadores passam sempre bem, fazem trinta por uma linha e aquilo que deveria ser a orientação e gestão de uma nação transforma-se num puro jogo de votos com o poder como prémio. Não deveria ser esta a de mais nobre das actividades profissionais? E o pequenito sem nada poder fazer, que já há substituiu o conceito de política por isto que vivemos, paga as crises e os desfalques e ainda tem tempo para alimentar sensacionalismos. Num mundo ideal e utópico a política seria até uma actividade voluntária e exclusiva dos sábios de cada país. O bem comum e a evolução são termos que já quase não existem. Porra com isto.
Completamente de acordo, Rui. Excelente comentário.
Tava ontem (e sempre me incomoda…) a pensar precisamente o mesmo…custa ver que as coisas ‘maddy’áticas são as mais discutidas, em detrimento das que realmente interessam, e quando estas o são, parece que é o que todos ja esperamos ouvir, o primeiro-ministro aumentou o desemprego, a fome, os impostos, e baixou os salarios e o caralho mais velho. Todos os jornais e revistas têm uma credibilidade tremenda, ninguem os discute. Tempo de campanha é gasto a discutir uma noticia de um jornal, que vem a ser desmentida pelo próprio jornal uma semana depois. E querem todos poleiro. O PS diz que baixa ou elimina um imposto qualquer se ganhar, o Sócrates ainda lá está, porque não o tira agora…?
1001 questões a separar isto da decência. Era pedir muito que aparecesse alguém que fosse sério?
Sem querer polir ainda mais os sapatos do Marco, parece-me evidente que os jornalistas deixaram de pensar a partir do momento em que as entidades que os empregam (os meios de comunicação em geral), se tornaram dependentes das receitas da publicitárias e de dos interesses de grupos económicos cotados em bolsa!
Quanto ao resto…
“Mais do que essa “fome” dos jornalistas mete-me nojo e ao mesmo tempo preocupa-me esta distorção daquilo que deveria ser a política. Esta falta de valores, estas MERDAS a que nos sujeitamos, esta cambada de clubistas que jogam à política como se de futebol tratasse. O problema disto tudo é que são vidas (e milhões delas) que estão em jogo…
…e está tudo dito!
Abraços!