Se há coisa que me acontece com frequência é não conseguir dar seguimento a novos posts se tenho ainda alguma coisa para dizer sobre os que já escrevi. Enquanto não o fizer, bem posso andar às voltas de um texto que não consigo seguir em frente.
O post que se segue a propósito do vÃdeo «Two Girls, One Cup» (link para quem apanhar este texto já arquivado e não tiver lido o post a que me refiro), levantou-me dúvidas sobre os assuntos de que posso ou não falar no Bitaites.
Se vivesse sozinho e não tivesse filhos menores que ocasionalmente espreitam para ver o que o pai anda a fazer aqui, estaria muito mais à vontade na escolha de temas. Não digo que essa escolha seria radicalmente diferente, mas não seria feita de forma tão cautelosa.
Ao mencionar a história do vÃdeo «Two Girls, One Cup», senti ter quebrado uma regra que impus desde que iniciei o blogue: nunca escrever ou mostrar nada que não pudesse falar com os miúdos olhos nos olhos. Ao reler o post apercebi-me de que se qualquer um deles me fizesse perguntas sobre os pormenores escabrosos da história, eu teria enorme dificuldade em falar abertamente. Portanto fiquei à rasca.
Quando o meu «amigo virtual», fotógrafo cujo trabalho eu muito gosto, o Benjamim, inseriu um link directo para o vÃdeo nos comentários, fiquei ainda mais à rasca. Removi-o, a minha explicação foi aceite por ele sem problemas, mas a verdade é que quem visita o blogue não pode ser responsabilizado por uma situação que desconhece ou devido à s decisões do blogger: se não tivesse falado no assunto, o Benjamim não teria colocado o link. Tão simples como isto.
Eu e a Susana temos falhas enquanto pais, mas se há escolha que sentimos ter sido a mais correcta é precisamente a de não ter problemas em falar de sexo. Eles não têm vergonha de fazer perguntas, nós não temos vergonha de responder.
Neste mundo de preconceitos e ideias feitas, a abertura de espÃrito é a melhor base de conversa; nesta gigantesca base de dados que é a Internet, seleccionar informação é a melhor arma que podemos fornecer aos nossos filhos. O sexo afinal é saudável, é Ãntimo mas não é secreto, não é sujo nem pecaminoso, mais tarde ou mais cedo será uma escolha na vida de qualquer criança actual – tal como todas as outras escolhas, queremos que saibam que resulta melhor quando é ponderada e não precipitada, tem mais significado quanto é feita com paixão do que de forma inconsequente. Máxima informação, mÃnima imposição.
Dantes as coisas talvez fossem mais simples para o instinto protector dos pais: o mundo estava lá fora e continuava a ser percorrido por assassinos e pedófilos e abutres e doentes mentais, mas a fronteira entre o desconhecido cujos doces não devem ser aceites e os nossos filhos era delimitada pelas paredes da nossa casa.
A televisão violou parcialmente as fronteiras estabelecidas, mas os computadores e a Internet estilhaçaram-nas. O mundo fixou-se dentro de casa, o mundo todo, sem restrições, com os seus anjos e demónios, as suas maravilhas e horrores, rompendo as protecções antigas de uma forma que a televisão nunca conseguira. E o problema é que muitos pais não se apercebem de que existe dentro de casa um mundo sem horários nem grelhas de programação, pois nada sabem sobre computadores e muito menos sobre a Internet.
Até eu, que julgo saber o suficiente, continuo cheio de dúvidas sobre o que fazer e, sobretudo, como fazer. Os programas de controlo parental, os filtros que podemos activar no Google, as regras que estabelecemos numa firewall, o software anti-spam, são ferramentas que ajudam mas não podem desresponsabilizar-me.
Entre a nossa protecção e o direito dos filhos à liberdade de escolha e ao erro, nasce um conflito muito difÃcil de resolver. Senti precisamente isso quando reli o post: o meu primeiro impulso foi apagá-lo por não me sentir preparado para lhes explicar que nem sempre o sexo é saudável e as paixões são verdadeiras. Ao mesmo tempo, não posso impedi-los de se sentirem incomodados e de fazer perguntas incómodas. Mais importante do que tentar convencê-los de que temos todas as respostas, é fazer com que eles confiem sempre nas nossas respostas – mesmo que as únicas que possamos dar sejam um Não sei. Por isso o post ficou.































7 comentários
És um grande pai! Já o meu… Bem… Foi e é um pai ausente.
Daniel, sou um pai como os outros: com qualidades e defeitos, coisas onde acerto e outras onde falho.
Olha, quanto ao que disseste, pensa assim: tudo o que passares agora poderá fazer de ti um pai muito melhor no futuro. Um grande abraço!
pô, Marcos, grande postagem! recomendei no meu google reader (“shared list” ou algo do tipo) com a seguinte nota:
+5 Insightful
De facto esse video é execrável, mas por outro lado, é inevitável que este ou outros vÃdeos nojentos esteão por toda a net ao alcance de qq um (mesmo dos mais novos) nós todos sabemos isso, quem se deve sentir culpado (ou pelo menos devia) não é quem vai vêr mas quem filma, pq é tão nojento quem faz aquilo como a pessoa que filma, é de facto uma maneira de dizer que não têm nada que fazer de concreto e objectivo, que qq coisa serve……………o que não é verdade…………..por isso Marco nem devias pensar mais nisso, não foi um erro teu nem do teu amigo virtual, claro que é complicado qd se tem menores, que nos questionam sobre tudo e que à s vezes não temos a resposta mais adequada, mas à coisas muito piores…..(se bem que esse vÃdeo é mesmo nojento lol)…………….
Marco, quanto ao tÃtulo do post, como está está bem. Mas “Post sobre o post anterior” não ficaria pior. Esquece…
Quanto à questão do “batido”, ainda não vi , mas nem preciso, para saber que é nojento de mais. De facto é nestas situações que constatamos que a raça humana é capaz das coisas mais hediondas e desprezÃveis na justa proporção da sua inteligência e génio. Ainda mais nojento, é pensar nos objectivos que estão por detrás destas coisas. Sim, porque há sempre alguém que lucra com isto.
Filmar e exibir situações de violência gratuita tornou-se moda. Agora isto. O que virá a seguir?
Quanto à pertinência do post, vale pelas discussões e reflexões que pode despoletar. Fora isso, penso que de facto foge à sensibilidade e ao senso comum. Daà achar relevante o tua reflexão à posteriori. Chego à conclusão que neste tipo de assuntos, o melhor será fazer como se aconselha nas importantes decisões: Dormir sobre elas uma ou duas noites.
Quanto à eventual remoção, que chegaste a considerar. Porque não? Afinal não seria um consequência da liberdade pessoal que preconizas para o Blog, a ponto de recusares publicidade? Os leitores e comentadores só teriam que compreender. Ou seja, retirar ou remover um post deveria ser tão natural como o publicar. Mas esta será uma dica para novas reflexões.
não foi o problema de disponibilizar links…basta meter o nome no google, que o video salta à vista. (estou arrependido de o ter feito, a quem estiver a ver isto, nao tenha curiosidade em googlar, que não vai acrescentar nada à vossa cultura) o problema, foi a abordagem do assunto. mas concordo com a tua ideologia zappaniana