Os links cairam como bombinhas de mau cheiro muçulmano nas redes sociais, a maioria dos quais apontando para um artigo do Jornal de Notícias:
«O novo parlamento do Egito, dominado pelos islamistas, está a preparar um pacote legislativo que choca vários setores da sociedade do país», escreve o JN. «Das medidas reveladas, a mais controversa pretende aprovar o ‘sexo de despedida’, legalizando a possibilidade do marido fazer sexo com a mulher, até seis horas após a hora da morte da companheira».
O artigo completo pode ser lido aqui (nota: entretanto foi atualizado, com 24 horas de atraso).
Legalizar a necrofilia por motivos religiosos? Os media lançaram-se à «notícia» com um frenesim sexual: a referência à proposta de lei apareceu primeiro no jornal de língua inglesa Al-Arabiya e, em breve, explodiria orgasticamente em diversos media e blogues ocidentais até chegar ao Jornal de Notícias. Se os habitantes da aldeia gaulesa mais famosa do mundo fossem assinantes do JN, aposto que o assunto seria arrumado por Obélix com um «estes muçulmanos são loucos».
Nas auto-estradas da informação circula-se a grande velocidade — e de vez em quando alguém se espatifa.
Os fundamentalistas religiosos são loucos varridos, é verdade. Têm um medo que se pelam das mulheres. E quanto mais vivas estas estiverem, mais ameaçadoras se tornam. Desta vez, porém, a notícia é falsa.
Tudo começou com um artigo de opinião no jornal Al Ahram, escrito por um tal Amr Abdul Samea, um importante apoiante do presidente deposto Mubarak. Nesse artigo, deu a entender que o parlamento egípcio se preparava para aprovar a lei necrófila. O facto de ele escrever que determinada lei vai ser aprovada não significa que o seu desejo se transforme em facto. Era apenas politiquice barata, destinada a embaraçar e criar dificuldades à maioria islamita no Parlamento.
A responsabilidade é toda do jornal de expressão inglesa especialista em notícias do mundo árabe, o mencionado Al-Arabiya. Se fossem de facto especialistas, nem precisariam de perder 10 minutos no Google para saber que a ideia da ‘queca de despedida’ saiu da mente doentia de um clérigo marroquino chamado Zamzami Abdul Bari em Maio do ano passado.
E saberiam também que Zamzami Abdul Bari é visto pelos próprios muçulmanos como um excêntrico demasiado radical a quem poucos prestam atenção.
Este clérigo é um imbecil do calibre do imã iraniano que em 2010 afirmou que a maneira indecente como as jovens mulheres se vestem dá origem a relações sexuais ilícitas as quais acabam por provocar terramotos.
Dizer-se que as ideias de Abdul Bari são passíveis de discussão parlamentar faz tanto sentido como afirmar-se que o Parlamento português vai propor a telecinesia como um meio de transporte público alternativo depois de se ver no YouTube o Rei Ghob a mover objetos com a mente.
O que pode ser verdade – e talvez esta «bomba» tenha ajudado a desviar as atenções – é a segunda parte da notícia, aquela em que se revela a intenção do parlamento egípcio de reduzir para 14 anos a idade mínima legal para uma mulher se casar (neste caso, ser casada).












Photoshop!!
Ah, pera, post errado :O
Eu, que normalmente tenho faro que estas tretas, não me apercebi desta treta que me estavam a vender.
Bem-Haja Marco.
Baixarem a idade mínima legal para os 14 anos faz sentido, é que se preza muito a ideia delas se casarem ainda virgens… mas provavelmente terão de baixar a idade mínima ainda mais
Por cá, no tempo da minha avó, a idade legal para as mulheres se casarem era aos 13 anos. Nas comunidades ciganas residentes em Portugal há menos discriminação entre os sexos: ambos se podem casar aos 13 anos, não só as mulheres.
Não baixaram. aumentaram
Ainda ontem me transmitiram a notícia, e tive logo a suspeita que seria demasiado para ser verdadeira, obrigado pelo esclarecimento.