Não sei se será tecnicamente correto dizer a uma cooperativa «Olhe, vá bardamerda». Ainda não tenho a certeza se deverei utilizá-la, mas não encontro melhor expressão para manifestar o meu descontentamento face à concepção maniqueísta dos últimos comunicados. Nem falo das ameaças.
Não quero que se pense que estou a ser excessivamente agressivo ou a desejar-vos mal. Em termos astronómicos, o meu bardamerda é um pequeno meteorito cujo impacto seria quase todo absorvido pela atmosfera, incendiando-se logo a seguir.
É como se dois dos vossos ilustres membros da direção vigiassem os céus das nossas consciências à cata de neurónios conspiradores no Planeta Copyright e, de repente
«Olha, mandou-nos bardamerda»
«Quem? Onde?»
«Já não foste a tempo, passou tão depressa».
Estão a ver? A vida são dois dias. Tivesse a bardamerda que vos lanço a dimensão do asteróide que aniquilou os dinossauros e já teriam toda a razão para protestar e imaginar conspirações de proporções bíblicas. Tendo em conta a devastação que causou, admira-me até que essa montanha espacial não tenha sido apelidada, muito justamente, de Asteróide Bardamerda. Do ponto de vista de um dinossauro, teria feito todo o sentido.
Retiro já o que não disse
Chateia-me que uma cooporativa que representa alguns autores de que tanto gosto e respeito seja despachada desta maneira. Rejeito então mandar-vos bardamerda e proponho, como alternativa, o mais civilizado «Vão-se catar».
Este «vão-se catar» tem a óbvia vantagem de nos libertar do mundo dos reptéis e elevarmos a conversa ao nível dos primatas. Passo então a imaginar-vos como seres ágeis e curiosos, inteligentes, saltando de link em link na World Wide Web e catando piratas em vez de piolhos.
Parece-me uma imagem mais agradável, até porque já sabemos como esta história acaba: um dia, mais tarde ou mais cedo, quer queiram ou não, o despertador tocará para anunciar, numa voz estridente, acordem, meus senhores, são oito da manhã do dia 4 de Fevereiro de 2012 do século XXI.
E depois do adeus
Nada tenho contra o princípio de uma sociedade representativa dos artistas, nada mesmo. Longa vida à SPA, digo eu, longa vida com brinde e vénia e tudo, como a gente vê nos filmes dos reis e dos plebeus, desde que não queiram obrigar a inscrever-me, mediante pagamento de uma pesada taxa obrigatória, numa Sociedade Protetora da Sociedade Portuguesa dos Autores. O país está em crise. Andamos todos a contar os tostões. Sejam poupadinhos. E ganhem vergonha na cara.
Por esta altura até vocês terão percebido que a proposta de lei 118 já teve dias de maior pujança – na verdade, nem sequer contavam com qualquer oposição.
Vá, não se apoquentem e recordem comigo estas palavras de «E Depois do Adeus», soberbamente cantadas por um dos «subscritores» do vosso ‘comunicado de apoio inequívoco à Lei da Cópia Privada’, Paulo de Carvalho: Quis saber quem sou, o que faço aqui, quem me abandonou, de quem me esqueci. Perguntei por mim, quis saber de nós. Mas o mar não me traz a tua voz.
A sério. Vocês publicaram aquela lista enquanto ouviam esta canção, não foi?











e sorte a deles que até tás adoentado ou ainda levavam mais!
estou deslumbrado, admito.
eles nem merecem um oponente assim.
Deixa shark que eu não sou, nem de perto nem de longe, o oponente que eles temem…
Estou de acordo com a SAP.
Tenho por aí umas dezenas de estátuas em jardins publicos um pouco espalhadas pela europa.
Todo o mundo tira fotos ao lado das minhas estátuas, e divulgam na internet como sendo os autores das fotos.
Mas,… a minha obra de arte, é afinal o elemento motivador da foto e está lá bem presente e destacada.
Assim urge decretar em lei a todas as as pessoas que fazem registos multimedia, ou mesmo somente olhem para as minhas obras, que paguem os respetivos direitos de autor.
Eu também quero usurfruir de uma pensão vitalicia, venha ela de onde vier.
E não me joguem pozinhos de piolho. Eu não sou parasita.
Por acaso até prefiro “badamerda”… enrola menos a língua e aumenta o bps possível (badamerdas por segundo), indispensável numa questão como esta.
E acho mesmo bem que a pl118 fique por aqui, antes de algum asno se lembrar que material protegido (adquirido ou gamado) é tb reproduzido através de monitores de computador, televisões, auscultadores, colunas de som, ou passado para dvds e cds virgens …tás a ver a péssima ideia.
Abraço e as melhoras
A Óropa também manda à bardamerda a ACTA http://falkvinge.net/2012/02/04/today-sweden-rall…
Copiar no es robar / Copying is not theft http://www.anarcocapitalista.com/copiarnoesrobar.…