→ 04/02/2012 @12:21

Bardamerda ou não, eis a questão

Não sei se será tec­ni­ca­mente cor­reto di­zer a uma co­o­pe­ra­tiva «Olhe, vá bar­da­merda». Ainda não te­nho a cer­teza se de­ve­rei utilizá-la, mas não en­con­tro me­lhor ex­pres­são para ma­ni­fes­tar o meu des­con­ten­ta­mento face à con­cep­ção ma­ni­queísta dos úl­ti­mos co­mu­ni­ca­dos. Nem falo das ameaças.

Não quero que se pense que es­tou a ser ex­ces­si­va­mente agres­sivo ou a desejar-vos mal. Em ter­mos as­tro­nó­mi­cos, o meu bar­da­merda é um pe­queno me­te­o­rito cujo im­pacto se­ria quase todo ab­sor­vido pela at­mos­fera, incendiando-se logo a seguir.

É como se dois dos vos­sos ilus­tres mem­bros da di­re­ção vi­gi­as­sem os céus das nos­sas cons­ci­ên­cias à cata de neu­ró­nios cons­pi­ra­do­res no Planeta Copyright e, de repente

«Olha, mandou-nos bar­da­merda»
«Quem? Onde?»
«Já não foste a tempo, pas­sou tão de­pressa».

Estão a ver? A vida são dois dias. Tivesse a bar­da­merda que vos lanço a di­men­são do as­te­róide que ani­qui­lou os di­nos­sau­ros e já te­riam toda a ra­zão para pro­tes­tar e ima­gi­nar cons­pi­ra­ções de pro­por­ções bí­bli­cas. Tendo em conta a de­vas­ta­ção que cau­sou, admira-me até que essa mon­ta­nha es­pa­cial não te­nha sido ape­li­dada, muito jus­ta­mente, de Asteróide Bardamerda. Do ponto de vista de um di­nos­sauro, te­ria feito todo o sentido.

 

Retiro já o que não disse

Chateia-me que uma co­o­po­ra­tiva que re­pre­senta al­guns au­to­res de que tanto gosto e res­peito seja des­pa­chada desta ma­neira. Rejeito en­tão mandar-vos bar­da­merda e pro­po­nho, como al­ter­na­tiva, o mais ci­vi­li­zado «Vão-se ca­tar».

Este «vão-se ca­tar» tem a ób­via van­ta­gem de nos li­ber­tar do mundo dos rep­téis e ele­var­mos a con­versa ao ní­vel dos pri­ma­tas. Passo en­tão a imaginar-vos como se­res ágeis e cu­ri­o­sos, in­te­li­gen­tes, sal­tando de link em link na World Wide Web e ca­tando pi­ra­tas em vez de piolhos.

Parece-me uma ima­gem mais agra­dá­vel, até por­que já sa­be­mos como esta his­tó­ria acaba: um dia, mais tarde ou mais cedo, quer quei­ram ou não, o des­per­ta­dor to­cará para anun­ciar, numa voz es­tri­dente, acor­dem, meus se­nho­res, são oito da ma­nhã do dia 4 de Fevereiro de 2012 do sé­culo XXI.

 

E de­pois do adeus

Nada te­nho con­tra o prin­cí­pio de uma so­ci­e­dade re­pre­sen­ta­tiva dos ar­tis­tas, nada mesmo. Longa vida à SPA, digo eu, longa vida com brinde e vé­nia e tudo, como a gente vê nos fil­mes dos reis e dos ple­beus, desde que não quei­ram obri­gar a inscrever-me, me­di­ante pa­ga­mento de uma pe­sada taxa obri­ga­tó­ria, numa Sociedade Protetora da Sociedade Portuguesa dos Autores. O país está em crise. Andamos to­dos a con­tar os tos­tões. Sejam pou­pa­di­nhos. E ga­nhem ver­go­nha na cara.

Por esta al­tura até vo­cês te­rão per­ce­bido que a pro­posta de lei 118 já teve dias de maior pu­jança – na ver­dade, nem se­quer con­ta­vam com qual­quer opo­si­ção.

Vá, não se apo­quen­tem e re­cor­dem co­migo es­tas pa­la­vras de «E Depois do Adeus», so­ber­ba­mente can­ta­das por um dos «subs­cri­to­res» do vosso ‘co­mu­ni­cado de apoio inequí­voco à Lei da Cópia Privada’, Paulo de Carvalho: Quis sa­ber quem sou, o que faço aqui, quem me aban­do­nou, de quem me es­queci. Perguntei por mim, quis sa­ber de nós. Mas o mar não me traz a tua voz.

A sé­rio. Vocês pu­bli­ca­ram aquela lista en­quanto ou­viam esta can­ção, não foi?

 

6 comentários

  1. shark — 04/02/2012 @12:32 (96 comentários)

    e sorte a de­les que até tás ado­en­tado ou ainda le­va­vam mais!

    es­tou des­lum­brado, admito.

    eles nem me­re­cem um opo­nente assim.

    • Deixa shark que eu não sou, nem de perto nem de longe, o opo­nente que eles temem…

  2. Escultor — 04/02/2012 @13:12 (2 comentários)

    Estou de acordo com a SAP.

    Tenho por aí umas de­ze­nas de es­tá­tuas em jar­dins pu­bli­cos um pouco es­pa­lha­das pela europa.

    Todo o mundo tira fo­tos ao lado das mi­nhas es­tá­tuas, e di­vul­gam na in­ter­net como sendo os au­to­res das fotos.

    Mas,… a mi­nha obra de arte, é afi­nal o ele­mento mo­ti­va­dor da foto e está lá bem pre­sente e destacada.

    Assim urge de­cre­tar em lei a to­das as as pes­soas que fa­zem re­gis­tos mul­ti­me­dia, ou mesmo so­mente olhem para as mi­nhas obras, que pa­guem os res­pe­ti­vos di­rei­tos de autor.

    Eu tam­bém quero usur­fruir de uma pen­são vi­ta­li­cia, ve­nha ela de onde vier.

    E não me jo­guem po­zi­nhos de pi­o­lho. Eu não sou parasita.

  3. ricman — 04/02/2012 @18:36 (2 comentários)

    Por acaso até pre­firo “ba­da­merda”… en­rola me­nos a lín­gua e au­menta o bps pos­sí­vel (ba­da­mer­das por se­gundo), in­dis­pen­sá­vel numa ques­tão como esta.

    E acho mesmo bem que a pl118 fi­que por aqui, an­tes de al­gum asno se lem­brar que ma­te­rial pro­te­gido (ad­qui­rido ou ga­mado) é tb re­pro­du­zido atra­vés de mo­ni­to­res de com­pu­ta­dor, te­le­vi­sões, aus­cul­ta­do­res, co­lu­nas de som, ou pas­sado para dvds e cds vir­gens …tás a ver a pés­sima ideia.

    Abraço e as melhoras

  4. semiramis — 05/02/2012 @1:10 (3 comentários)

    A Óropa tam­bém manda à bar­da­merda a ACTA http://falkvinge.net/2012/02/04/today-sweden-rall

  5. semiramis — 05/02/2012 @2:02 (3 comentários)

    Copiar no es ro­bar / Copying is not theft http://www.anarcocapitalista.com/copiarnoesrobar.…