Ainda nem sequer começou a época e já estalou a bronca. Num jogo particular entre o Benfica e os alemães do Fortuna Düsseldorf, Luisão correu uns metros em direção ao árbitro por não concordar com o segundo amarelo a Javi Garcia, agrediu-o, deu-lhe uma carga de ombro, encostou-lhe o peito ou soprou uns impropérios — há versões para todos os gostos clubísticos — e o senhor Christian Fischer caiu como se tivesse sido derrubado por um ataque cardíaco.
Lembrei-me de Miklós Fehér e por uns segundos assustei-me ao vê-lo estendido na relva. Um minuto depois, já se levantava e caminhava como um Lázaro dos relvados.
O que se terá passado? A TV mostra a repetição: no exato momento em que o capitão do Benfica se aproxima do árbitro, outro jogador passa à frente da câmara e bloqueia-nos a visão. Cada um tem de interpretar o que realmente aconteceu sem nunca ter visto claramente o que aconteceu – isto é futebol, já devíamos estar habituados.
Bem queria manter este blogue tão afastado da bola quanto possível, mas este episódio circense de vários palhaços deixa-me tão furioso que não resisto em mandar bitaites.
O Luisão é um jogador em relação ao qual sempre tive uma opinião incoerente: no seu melhor, vejo-o tão imperial como um faraó; no seu pior, é uma múmia do caralho.
Não gosto de Jorge Jesus. O meu diploma de treinador de bancada não permite questionar os méritos do mestre da tática, mas como benfiquista questiono o seu comportamento: vê-lo de um lado para o outro a passear aquela estúpida pastilha elástica e o seu sorriso de marialva gozão deixou-me a pensar se terá tido em conta as terríveis consequências deste episódio para o clube.
Não consigo avaliar o comportamento do árbitro. Não sei se é feito de carne e osso ou gelatina. Se é árbitro ou ator de cinema. Se o Luisão tem uma ventoinha montada no céu da boca capaz até de derrubar árvores quando grita. Não sei se o juiz é propenso a desmaios de donzela vitoriana ou foi mesmo agredido. Saberemos apenas o que ele escrever no relatório — porque então te ris, ó mestre da pastilha elástica?
O futebol é feito de múltiplas verdades absolutas que se contradizem umas às outras sem pudor. Já estou farto e ainda nem sequer começou a época.













“Um Lázaro dos relvados”.
É raro rir-me, fisicamente (posso sorrir mentalmente) quando leio qualquer coisa, mas o Lázaro dos relvados sacou-me uma gargalhada
Muito bom
Olá, neste vídeo dá para ver o que aconteceu: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embed…
José Matos, a questão nem é tanto sobre a agressão, até porque esta é visível (embora o Marco ache que não — também eu ri com essa do Lázaro dos relvados…), mas sim sobre as costumeiras trapalhadas do futebol português.
Marco ainda não começou a época e já estás farto de futebol, compreendo-te. E do Benfica?
Do Benfica não me farto, é o meu clube.
Mas estou farto de alguns benfiquistas, isso estou.
Normalmente não sou grande fã da caralhada gratuita (olha, ups!), mas o parágrafo do faraó e da múmia é épico!
Quanto ao resto — é futebol, pois claro. Clubisticamente, para mim, era suspender já o girafa durante a época toda…
Marco, bom artigo. Apenas julgo colocar o nome de Miklós Fehér na mesma frase de uma palhaçada destas é no mínimo infeliz. No entanto acontece aos melhores.
Espero que Luisão seja castigado, tal como o Arbitro. Apesar de a maioria das nossas televisões editarem as imagens para apenas se ver o final, a sic foi a única que passou este vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=wa6LqBTZ-Xc
mesmo assim difícil de encontrar no youtube, o lance onde o árbitro toma a mesma atitude que o Luisão tomou.
A minha ideia é que o árbitro depois de ter tomado a atitude com o Martins, ao ver uma girafa preta na sua direcção, se borrou todo a pensar que a equipa do SLB lhe ia fazer a folha e desmaiou.
Mais infeliz do que o lance foi a atitude do JJ, de quem não gosto, tal como o LFV.
Independentemente do ridículo da situação ele é treinador de um clube como o benfica e deve saber estar.
Para o ano e se perder o campeonato, já pode ir fazer isso no clube para onde vai, esses sim habituados à falta de nivel.