→ 01/09/2011 @22:52

Orgulho Zombie

O que se se­gue é um fan­tás­tico des­file – uma es­pé­cie de mar­cha do or­gu­lho zom­bie. Infelizmente, o au­tor do post de onde re­ti­rei es­tas ima­gens não nos diz onde, quando e por quem es­tas fo­tos fo­ram ti­ra­das – se al­guém sou­ber, faça o fa­vor de me in­for­mar. (Adenda: ver co­men­tá­rios — obri­gado!)

Estes even­tos são ra­ros, as­sim como são es­cas­sas as oca­siões em que po­de­mos ver zom­bies des­fru­tando, à luz do dia, de mo­men­tos mais des­con­traí­dos. Até pi­que­ni­ques pu­de­ram fa­zer, sem se­rem per­tur­ba­dos pe­los cha­tos do costume.

Os cha­tos do cos­tume so­mos nós. A maior parte dos hu­ma­nos não tem os zom­bies em grande con­si­de­ra­ção. Não sei porquê. Talvez a culpa seja do ci­nema, cons­tan­te­mente a mi­nar a re­pu­ta­ção des­tas cri­a­tu­ras e a tratá-las como ci­da­dãos de segunda.

(Adaptado do ar­quivo: 05/03/2009) – Depois de ver um filme de ter­ror com zom­bies fi­quei a pen­sar se não es­ta­re­mos a ser de­ma­si­ado du­ros com es­tas no­bres cri­a­tu­ras que há mui­tos anos nos acom­pa­nham e tanto têm con­tri­buído para a ri­queza de Hollywood.

Os zom­bies têm há­bi­tos de hi­gi­ene de­plo­rá­veis, gra­ves dis­túr­bios ali­men­ta­res e al­guns pro­ble­mas de co­mu­ni­ca­ção – mas será que a nossa re­a­ção quando os ve­mos tem sem­pre de ser a mesma, ber­rar que nem uns doi­dos, cor­rer para longe, de­sa­tar aos ti­ros, atacá-los à ma­cha­dada, partir-lhes o pes­coço ou esmagar-lhes o crânio?

Ainda es­tou para ver um filme que con­tri­bua com uma vi­são mais equi­li­brada da re­la­ção en­tre zom­bies e hu­ma­nos. Em to­dos os fil­mes, sem­pre que um zom­bie corre de bra­ços aber­tos em di­re­ção a um ser hu­mano é por de­se­jar apertar-lhe o pes­coço, não por que­rer abraçá-lo fra­ter­nal­mente – os fil­mes de ter­ror es­tão cheios de equí­vo­cos e pre­con­cei­tos deste tipo, como se um zom­bie tam­bém não sen­tisse ne­ces­si­dade de ca­lor hu­mano. Acho esta merda escandalosa.

Em ne­nhum mo­mento os fil­mes nos mos­tram como deve ser di­fí­cil e dura a vida de um zom­bie. O tom ama­re­lado da pele re­vela pro­ble­mas de fí­gado e de rins que po­dem ser fa­tais mesmo para um morto-vivo, como re­fe­riu um ar­tigo da Super Interessante que já li há uns tem­pos; mui­tos de­les es­tão mais mor­tos que vi­vos. Mais morto que vivo pode ser ape­nas uma ma­neira de di­zer para os se­res hu­ma­nos, mas é uma au­tên­tica na­va­lhada no or­gu­lho zombie.

Outro exem­plo: quando são atin­gi­dos a tiro, não san­gram quase nada – isto dever-se-á ao facto de o co­ra­ção já não ter força su­fi­ci­ente para bom­bear o san­gue. Em vez de en­gen­drar­mos um plano qual­quer para re­cu­pe­rar a saúde des­tes po­bres di­a­bos, dis­pa­ra­mos ainda mais ti­ros até que os des­gra­ça­dos, exaus­tos, de­sis­tam de nos que­rer abraçar.

Não ad­mira por­tanto que a nar­ra­tiva des­ses fil­mes se ba­seie ex­clu­si­va­mente nesta vi­são uni-dimensional e in­sen­sí­vel do zombie.

Um zom­bie existe ape­nas para per­se­guir, mor­der e comer-nos – não tem so­nhos, as­pi­ra­ções, pla­nos, não lê jor­nais, não vê te­le­vi­são, não ade­riu ao Twitter, não sabe o que são os li­kes do Facebook e o má­ximo que con­se­guiu foi en­trar num te­le­disco do Michael Jackson – é uma pena que es­tas ma­ra­vi­lho­sas e bo­ni­tas cri­a­tu­ras (qual­quer trapo lhes fica bem) nos se­jam sem­pre apre­sen­ta­das sem qual­quer den­si­dade psi­co­ló­gica, mesmo quando nos co­mem o cérebro.

Os diá­lo­gos en­tre se­res hu­ma­nos e zom­bies aca­bam, sem grande sur­presa, por se re­ve­lar de­ma­si­ado po­bres. Das gar­gan­tas pu­tre­fac­tas das in­jus­ti­ça­das cri­a­tu­ras o má­ximo que sai é um «aa­ar­r­rghhhhhh» ou um «cra­a­ai­i­iphffff» – em­bora muito ex­pres­si­vos, to­dos sa­be­mos que se­riam ca­pa­zes de ser mais elo­quen­tes se lhes des­sem mais oportunidades.

É sem­pre o ponto de vista do ser hu­mano que pre­va­lece. Nos fil­mes de ter­ror to­dos os zom­bies são car­ní­vo­ros – mais um cli­ché que ig­nora to­dos os mortos-vivos que, com grande sa­cri­fí­cio pes­soal e pro­fis­si­o­nal, se tor­na­ram ve­ge­ta­ri­a­nos e nunca mais na suas mortas-vidas to­ca­ram num bi­to­que mal pas­sado com ba­tata frita e ovo es­tre­lado (já es­tou a fi­car com fome).

Limitados ao eterno ato de per­se­guir, gri­tar, abrir os bra­ços, mor­der, co­mer, de­sa­pa­re­cer e re­a­pa­re­cer, os zom­bies são me­ros es­cra­vos do de­sejo hu­mano de ser con­ti­nu­a­mente per­se­guido, mor­dido e, se pos­sí­vel, comido.

Os re­a­li­za­do­res dos fil­mes de ter­ror são uns ta­ra­dos se­xu­ais sem qual­quer pos­si­bi­li­dade de remissão.

 

9 comentários

  1. :) Marco, sou com­ple­ta­mente vi­ci­ado em fil­mes com Zombies. Aqui disse que “E mesmo que a ví­tima se pro­teja atrás de uma porta, num lo­cal sem es­ca­pa­tó­ria, eles vão fi­car ho­ras, dias, a ir de en­con­tro à porta, sol­tando gru­nhi­dos ir­ri­tan­tes. São umas ver­da­dei­ras mel­gas, cha­tos como a pu­taça. Só dá von­tade que a ví­tima os va­po­rize com Dum-Dum e grite “É pá, vão cha­tear o ca­ra­lho!””. Viva o George Romero e to­dos os seus fil­mes com zombies

  2. Augusto Tomé — 02/09/2011 @1:27 (45 comentários)

    Boas Marco,

    Do pouco que co­nheço realiza-se no Canadá, em Toronto, um evento deste gé­nero, as fo­tos não sei de quem são, mas po­des ver neste blo­gue [http://mute.rigent.com/index.php?ladat=2010–10-25] al­gu­mas das fo­tos do res­pec­tivo au­tor no ano passado.

    Espero ter aju­dado, acho que go­o­glando de­ves en­con­trar mais al­guma informação.

    Abraço

    • @Augusto,

      É bem ca­paz de ser em Toronto. Obrigado :)

  3. Lu Parhan — 02/09/2011 @7:03 (8 comentários)

    Marco, no link (re­ti­rei) re­fe­rido, no topo da pá­gina do site tem o link para o Tumblr. No mo­mento que es­crevo é o quinto ‘post’ (22 de agosto). No tí­tulo, não ci­tado no site que re­fe­riste, está o nome da ci­dade. O Augusto está cor­reto ao afir­mar que o evento ocorre no Canadá. Porém, a ci­dade é Vancouver.

    Segue link: http://splitreason.tumblr.com/post/9277480883/zom
    Também pode ver aqui: http://bayareazombiehunters.com/post/9339851943/z

  4. Lu Parhan — 02/09/2011 @7:08 (8 comentários)

    Aqui você pode en­con­trar ou­tras in­for­ma­ções http://livevancouver.ca/2011/04/04/vancouver-zomb

  5. tiago — 02/09/2011 @11:12 (15 comentários)

    não adi­ci­o­nando grande coisa às in­for­ma­ções que pre­ten­dias, deixo ape­nas uma su­ges­tão para bus­cas fu­tu­ras: http://goo.gl/nRbyu.

    basta ar­ras­tar a ima­gem e lar­gar no go­o­gle ima­ges. o nosso ve­lho amigo trata do resto.

    abraço.

  6. TViegas — 02/09/2011 @17:27 (81 comentários)

    Filmes de zom­bies são como os fil­mes porno, quem ve um ve todos.

  7. Obrigado a to­dos pe­las in­for­ma­ções :)

  8. Apoiado!