O que se segue é um fantástico desfile – uma espécie de marcha do orgulho zombie. Infelizmente, o autor do post de onde retirei estas imagens não nos diz onde, quando e por quem estas fotos foram tiradas – se alguém souber, faça o favor de me informar. (Adenda: ver comentários — obrigado!)
Estes eventos são raros, assim como são escassas as ocasiões em que podemos ver zombies desfrutando, à luz do dia, de momentos mais descontraídos. Até piqueniques puderam fazer, sem serem perturbados pelos chatos do costume.
Os chatos do costume somos nós. A maior parte dos humanos não tem os zombies em grande consideração. Não sei porquê. Talvez a culpa seja do cinema, constantemente a minar a reputação destas criaturas e a tratá-las como cidadãos de segunda.
(Adaptado do arquivo: 05/03/2009) – Depois de ver um filme de terror com zombies fiquei a pensar se não estaremos a ser demasiado duros com estas nobres criaturas que há muitos anos nos acompanham e tanto têm contribuído para a riqueza de Hollywood.
Os zombies têm hábitos de higiene deploráveis, graves distúrbios alimentares e alguns problemas de comunicação – mas será que a nossa reação quando os vemos tem sempre de ser a mesma, berrar que nem uns doidos, correr para longe, desatar aos tiros, atacá-los à machadada, partir-lhes o pescoço ou esmagar-lhes o crânio?
Ainda estou para ver um filme que contribua com uma visão mais equilibrada da relação entre zombies e humanos. Em todos os filmes, sempre que um zombie corre de braços abertos em direção a um ser humano é por desejar apertar-lhe o pescoço, não por querer abraçá-lo fraternalmente – os filmes de terror estão cheios de equívocos e preconceitos deste tipo, como se um zombie também não sentisse necessidade de calor humano. Acho esta merda escandalosa.
Em nenhum momento os filmes nos mostram como deve ser difícil e dura a vida de um zombie. O tom amarelado da pele revela problemas de fígado e de rins que podem ser fatais mesmo para um morto-vivo, como referiu um artigo da Super Interessante que já li há uns tempos; muitos deles estão mais mortos que vivos. Mais morto que vivo pode ser apenas uma maneira de dizer para os seres humanos, mas é uma autêntica navalhada no orgulho zombie.
Outro exemplo: quando são atingidos a tiro, não sangram quase nada – isto dever-se-á ao facto de o coração já não ter força suficiente para bombear o sangue. Em vez de engendrarmos um plano qualquer para recuperar a saúde destes pobres diabos, disparamos ainda mais tiros até que os desgraçados, exaustos, desistam de nos querer abraçar.
Não admira portanto que a narrativa desses filmes se baseie exclusivamente nesta visão uni-dimensional e insensível do zombie.
Um zombie existe apenas para perseguir, morder e comer-nos – não tem sonhos, aspirações, planos, não lê jornais, não vê televisão, não aderiu ao Twitter, não sabe o que são os likes do Facebook e o máximo que conseguiu foi entrar num teledisco do Michael Jackson – é uma pena que estas maravilhosas e bonitas criaturas (qualquer trapo lhes fica bem) nos sejam sempre apresentadas sem qualquer densidade psicológica, mesmo quando nos comem o cérebro.
Os diálogos entre seres humanos e zombies acabam, sem grande surpresa, por se revelar demasiado pobres. Das gargantas putrefactas das injustiçadas criaturas o máximo que sai é um «aaarrrghhhhhh» ou um «craaaiiiphffff» – embora muito expressivos, todos sabemos que seriam capazes de ser mais eloquentes se lhes dessem mais oportunidades.
É sempre o ponto de vista do ser humano que prevalece. Nos filmes de terror todos os zombies são carnívoros – mais um cliché que ignora todos os mortos-vivos que, com grande sacrifício pessoal e profissional, se tornaram vegetarianos e nunca mais na suas mortas-vidas tocaram num bitoque mal passado com batata frita e ovo estrelado (já estou a ficar com fome).
Limitados ao eterno ato de perseguir, gritar, abrir os braços, morder, comer, desaparecer e reaparecer, os zombies são meros escravos do desejo humano de ser continuamente perseguido, mordido e, se possível, comido.
Os realizadores dos filmes de terror são uns tarados sexuais sem qualquer possibilidade de remissão.
















Boas Marco,
Do pouco que conheço realiza-se no Canadá, em Toronto, um evento deste género, as fotos não sei de quem são, mas podes ver neste blogue [http://mute.rigent.com/index.php?ladat=2010–10-25] algumas das fotos do respectivo autor no ano passado.
Espero ter ajudado, acho que googlando deves encontrar mais alguma informação.
Abraço
@Augusto,
É bem capaz de ser em Toronto. Obrigado
Marco, no link (retirei) referido, no topo da página do site tem o link para o Tumblr. No momento que escrevo é o quinto ‘post’ (22 de agosto). No título, não citado no site que referiste, está o nome da cidade. O Augusto está correto ao afirmar que o evento ocorre no Canadá. Porém, a cidade é Vancouver.
Segue link: http://splitreason.tumblr.com/post/9277480883/zom…
Também pode ver aqui: http://bayareazombiehunters.com/post/9339851943/z…
Aqui você pode encontrar outras informações http://livevancouver.ca/2011/04/04/vancouver-zomb…
não adicionando grande coisa às informações que pretendias, deixo apenas uma sugestão para buscas futuras: http://goo.gl/nRbyu.
basta arrastar a imagem e largar no google images. o nosso velho amigo trata do resto.
abraço.
Filmes de zombies são como os filmes porno, quem ve um ve todos.
Obrigado a todos pelas informações
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