→ 31/07/2012 @12:49

Sob as ordens do novo Czar

Na Rússia, anda tudo às or­dens do Czar. O nome dele? Putin. Um dos mais ti­ra­nos go­ver­nan­tes das atu­ais de­mo­cra­cias re­pre­sen­ta­ti­vas que, como já toda a gente terá per­ce­bido por es­tes dias, são ape­nas meias-democracias. A de­mo­cra­ti­ci­dade chega aos par­la­men­tos e para ali, nas ne­go­ci­a­tas dos partidos.

Putin só é com­pa­rá­vel a um Bush, ou a um Nixon. Quando a Rússia se cha­mava União Soviética, en­glo­bando os ter­ri­tó­rios que hoje são Estados mais ou me­nos in­de­pen­den­tes, ele era um agente do si­nis­tro KGB, a po­lí­cia po­lí­tica da di­ta­dura co­mu­nista. Não é de um dia para o ou­tro que um Estalinista se torna num democrata…

Ora acon­te­ceu que um co­le­tivo de performance/banda punk cha­mado Pussy Riot, for­mado por mu­lhe­res de con­vic­ções li­ber­tá­rias, fez um vi­de­o­clip anti-Putin numa igreja or­to­doxa. A can­ção é uma ora­ção à Virgem para ti­rar o ti­rano do Poder.

De re­cor­dar que as re­cen­tes elei­ções que o re­con­du­zi­ram ao po­leiro fo­ram tudo me­nos lim­pas, e o tema das Pussy Riot era so­bre isso precisamente…

Pois as ra­pa­ri­gas fo­ram de­ti­das sob a acu­sa­ção de «van­da­lismo mo­vido por ódio re­li­gi­oso» e on­tem fo­ram jul­ga­das. O tri­bu­nal condenou-as a uma pena de sete anos de pri­são. Sete anos de pri­são por uma can­ção que não chega aos três mi­nu­tos. Um escândalo.

Foto: Alexander Nemenov

Foto: Andrey Smirnov

A li­ber­dade de ex­pres­são não existe na Rússia «de­mo­crá­tica» e fi­cou claro que os juí­zes da­quele país es­tão ao ser­viço de Putin, cu­jos en­le­vos trans­cen­den­ta­lis­tas, ao que pa­rece, levaram-no a tro­car o Partido Comunista pela Igreja, o que não é tão di­fe­rente quanto se po­de­ria ima­gi­nar. Religião é re­li­gião, mesmo quando tem capa política.

Medvedev, o ho­mem de con­fi­ança de Putin no Governo, lá foi man­dando uns re­ca­dos du­rante as ses­sões do tri­bu­nal. Por exem­plo, que «em cer­tos paí­ses, este tipo de ações se­ria tra­tado com muito mais se­ve­ri­dade e mesmo, em de­ter­mi­na­dos con­tex­tos po­lí­ti­cos, po­dia ter­mi­nar de uma forma muito triste para os res­pon­sá­veis».

Se ele se es­tava a re­fe­rir a paí­ses fun­da­men­ta­lis­tas, dá que pen­sar. Estará a Rússia ainda Estalinista a tornar-se numa na­ção fun­da­men­ta­lista ortodoxa?

Entretanto, a co­mu­ni­ca­ção so­cial in­forma que as três Pussy Riot pre­sas en­tra­ram em greve de fome. Esta triste his­tó­ria vai ter, com cer­teza, no­vos in­fe­li­zes episódios.

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Free Pussy Riot é um slo­gan que, en­tre­tanto, se tem es­pa­lhado pelo mundo…

 

13 comentários

  1. MF — 31/07/2012 @13:04 (1 comentário)

    «em cer­tos paí­ses, este tipo de ações se­ria tra­tado com muito mais se­ve­ri­dade e mesmo, em de­ter­mi­na­dos con­tex­tos po­lí­ti­cos, po­dia ter­mi­nar de uma forma muito triste para os res­pon­sá­veis» es­ta­ria a referir-se a Portugal?

  2. Isto é si­nis­tro, me­do­nho, as­sus­ta­dor. Nojento.

  3. Claudio Oliveira — 31/07/2012 @16:23 (26 comentários)

    A de­mo­cra­cia na Rússia, é um termo “re­la­tivo”. Assim como o “in­cons­ti­tu­ci­o­nal” é aqui no nosso país.

  4. ruth — 31/07/2012 @18:01 (75 comentários)

    Eu que­ria ver se um grupo de rock fi­zesse o mesmo em Portugal, se o re­sul­tado não se­ria pior. Queria ver um grupo de rock a van­da­li­zar uma igreja, a in­va­dir o al­tar. Queria ver o que a jus­tiça pe­di­ria para um caso des­tes. Queria ver o que di­riam os jor­nais e os blogs por­tu­gue­ses. Queria ver se iam cha­mar a isso um re­torno ao salazarismo.

    Por acaso, até que­ria ver.

    E já agora, al­guém pode ima­gi­nar o que acon­te­ce­ria a es­tas miú­das se fi­zes­sem a mesma coisa no Afeganistão?

    • rui eduardo paes — 31/07/2012 @18:08 (120 comentários)

      Vandalismo? Nada foi des­truído e nin­guém foi agre­dido. Tratou-se de uma ac­ção sim­bó­lica de de­nún­cia da ac­tual li­ga­ção de um ex-(?) es­ta­li­nista e agente do KGB com a Igreja Ortodoxa. Uma Igreja, tal como de resto a Católica, que não tem as mãos lim­pas. De re­cor­dar o apoio que deu ao feu­da­lismo dos cza­res na Rússia. As igre­jas, se­jam elas quais fo­rem, fo­ram sem­pre ins­tru­men­tos do po­der, e co­me­te­ram os cri­mes mais he­di­on­dos da his­tó­ria da hu­ma­ni­dade. É pre­ciso lembrá-los?

      Em suma, não con­cordo ab­so­lu­ta­mente nada com o que diz…

  5. ruth — 31/07/2012 @18:42 (75 comentários)

    Sem dú­vida, as igre­jas são ins­tru­men­tos do po­der, e até po­de­rão ser, neste caso, con­tro­la­das por Putin. Mas, isso não quer di­zer que o ato de van­da­lismo, in­sisto no van­da­lismo, já que fo­ram agre­di­das na sua cons­ci­ên­cia vá­rias pes­soas que es­ta­vam na igreja, isso não quer di­zer que aquilo que elas fi­ze­ram não seja um ato gra­tuito que:

    1. muito pouco tem de ar­tís­tico (se é que tem algo).

    2. não tem al­cance ne­nhum a não ser na im­prensa que adora re­bo­lar nes­tes es­cân­da­los (prin­ci­pal­mente se vi­e­rem da Rússia, fala-se logo em Stalin e Czar e coi­sas do género…)

    3. é pro­fun­da­mente pueril

    A li­ber­dade de ex­pres­são que te­mos não nos per­mite, nem em Portugal, pro­fa­nar lo­cais de culto. A nossa li­ber­dade ter­mina onde co­meça a do Outro.

    • rui eduardo paes — 31/07/2012 @19:12 (120 comentários)

      Caríssima Ruth,

      Um acto gra­tuito? Se fosse, elas não te­riam sido con­de­na­das a sete anos de pri­são. Foi tão pouco gra­tuito que o pró­prio Governo russo ma­ni­pu­lou a Justiça para dar uma sen­tença tão pe­sada quanto esta. Já há muito que Putin se sen­tia in­co­mo­dado com o im­pacto das crí­ti­cas das Pussy Riot.

      Quanto às suas con­si­de­ra­ções so­bre não ha­ver nada de ar­tís­tico na can­ção: é a sua opi­nião, que é tão boa ou tão má quanto a de qual­quer ou­tra pes­soa. Não sei que con­ceito tem de arte, mas fico sem­pre muito pre­o­cu­pado com as fron­tei­ras que se es­ta­be­le­cem en­tre o que su­pos­ta­mente é e não é arte — isto por­que o “fas­cismo cul­tu­ral” está sem­pre ali mesmo ao lado, à espreita.

      O termo “van­da­lismo” não se aplica aqui, in­sisto, as­sim como não se aplica a má­xima “a nossa li­ber­dade ter­mina quando co­meça a dos ou­tros”, que por si­nal é da au­to­ria de Bakunine, um pen­sa­dor da mesma área fi­lo­só­fica das Pussy Riot. E porquê? Porque, pre­ci­sa­mente, não há li­ber­dade. Ninguém é re­al­mente li­vre por aque­les la­dos: uns por­que tro­ca­ram o fa­na­tismo po­lí­tico pelo fa­na­tismo re­li­gi­oso (este “mis­tu­rado” com um na­ci­o­na­lismo que lem­bra o do na­zismo e do fas­cismo), ou­tros por­que fo­ram ex­cluí­dos ou me­no­ri­za­dos pelo ca­pi­ta­lismo sel­va­gem vi­gente, tão sel­va­gem que fun­ci­ona já num âm­bito cri­mi­noso, com en­vol­vi­mento da ma­fia lo­cal, e, en­tre ou­tros exem­plos, por­que existe um Presidente que foi re­con­du­zido para esse lu­gar no Estado gra­ças a umas elei­ções ma­ni­pu­la­das e falsificadas.

      Quando a li­ber­dade não acaba e não co­meça para nin­guém por­que se foi, não tendo pas­sado na­quele país de uma breve ilu­são, ainda es­tra­nha que ac­ções de pro­testo ga­nhem o dra­ma­tismo e o ra­di­ca­lismo desta? A mim não me sur­pre­ende nada… Chegámos a um ponto, a ní­vel pla­ne­tá­rio, que é me­lhor olhar­mos para as coi­sas de uma ma­neira di­fe­rente da­quela que ti­nha­mos quando as coi­sas eram, ou pelo me­nos pa­re­ciam, “nor­mais”… Quem não o fi­zer, arrisca-se a não per­ce­ber nada do que se passa.

  6. rui eduardo paes — 31/07/2012 @19:28 (120 comentários)

    Só uma cor­rec­ção ao meu co­men­tá­rio an­te­rior: a frase «a nossa li­ber­dade ter­mina quando co­meça a dos ou­tros» não é de Bakunine, mas de Herbert Spencer, ou­tro anar­quista. As pes­soas co­me­ça­ram a utilizá-la sem per­ce­be­rem de onde vem e o que sig­ni­fica realmente.

    Outra coisa: eu nunca te­ria feito o que as Pussy Riot fi­ze­ram, mas isso sou eu e a mi­nha cons­ci­ên­cia. Posso fi­car as­som­brado com o gesto de­las, mas compreendo-o. Pelos mo­ti­vos que an­tes expus…

  7. ruth — 31/07/2012 @19:37 (75 comentários)

    Quer di­zer que quando fa­ze­mos um ato gra­tuito ele deixa de ser grave?
    O modo como fala da Rússia leva-me a perguntar-lhe: al­guma vez es­teve na Rússia? Que sabe o se­nhor da­quilo que se passa lá para além da fa­bri­ca­ção me­di­a­ti­zada de uma re­a­li­dade fil­trada por ór­gãos de co­mu­ni­ca­ção do mundo oci­den­tal? Ou tem an­dado a ler os blogs rus­sos…?
    E se tem an­dado a fa­zer isso: a li­ber­dade de lá é di­fe­rente da­quela que vi­ve­mos em Portugal?
    E eu não disse que es­tas ma­ni­fes­ta­ções eram uma sur­presa para mim. O que eu disse é que elas eram pu­e­ris, des­lo­ca­das e não ar­tís­ti­cas. Claro que ao di­zer que não são arte, es­tas afir­ma­ções ar­ran­cam do su­posto pen­sa­dor da mesma área fi­lo­só­fica das Pussy Riot, uma bar­reira de de­fesa en­car­ni­çada, apoi­ada nos althus­sers e freuds da es­querda mo­de­rada.
    É sem­pre di­fí­cil dis­cu­tir es­tas coi­sas, por­que pode pa­re­cer que es­tou a de­fen­der o Putin, ou o sis­tema vi­gente na Rússia, ou o ca­pi­ta­lismo, ou a má­fia, mas aquilo que acho é que esse grupo so­fre do mesmo mal que o punk quando sur­giu na Inglaterra, foi en­go­lido e ma­ni­pu­lado pela es­querda até ser co­mer­ci­a­li­zado e hi­gi­e­ni­zado de modo a po­der ser con­su­mido pe­los “re­vo­lu­ci­o­ná­rios”. E é isso que eu acho que acon­te­ceu.
    E, caro Rui, sa­ber que a frase é do Bakunine e não a per­ce­ber, achar que ela sim­ples­mente não se aplica ao nosso mundo, seja na Rússia, seja aqui, é que é grave, para mim, e sig­ni­fica não en­ten­der nada do que se passa.

    • rui eduardo paes — 31/07/2012 @20:27 (120 comentários)

      Olá, de novo, Ruth

      A ex­pres­são “acto gra­tuito” é sua, não mi­nha, e eu não quis di­zer nada disso que está a supor…

      Aliás, nem sei bem como lhe res­pon­der, pois pa­rece es­tar­mos os dois a fa­lar de coi­sas diferentes.

      “Realidade fil­trada pe­los ór­gãos de co­mu­ni­ca­ção oci­den­tal”: pois, eu da mi­nha parte já não os leio nem vejo, dada a de­tur­pa­ção sis­te­má­tica da ver­dade que ne­les surge. As mi­nhas fon­tes de in­for­ma­ção são ou­tras, fe­liz­mente. E não re­cebo pas­si­va­mente a in­for­ma­ção: procuro-a e comparo-a com ou­tras fon­tes — mal se­ria se não o fi­zesse, sendo eu um jor­na­lista da ve­lha es­cola. Prefiro nem fa­lar da “nova”…

      Se a li­ber­dade é di­fe­rente en­tre cá e lá? Digamos que a não-liberdade é diferente.

      “Pueris, des­lo­ca­das e não ar­tís­ti­cas”? É a sua opi­nião sub­jec­tiva, não é a mi­nha. Uma e a ou­tra va­lem o que va­lem, no mundo da sub­jec­ti­vi­dade, mas eu con­ti­nuo a pre­fe­rir, de longe, a minha.

      Não per­cebo o que quer di­zer com “uma bar­reira de de­fesa en­car­ni­çada, apoi­ada nos althus­sers e freuds da es­querda mo­de­rada”, nem me pa­rece que ve­nha ao caso. Freud não era de es­querda e Althusser não era pro­pri­a­mente da es­querda mo­de­rada, além de que não te­nho es­pe­cial sim­pa­tia por ele.

      O punk foi, na ver­dade, uma in­ven­ção do em­pre­sá­rio Malcolm McLaren, que es­tava mais pre­o­cu­pado com fe­nó­me­nos de moda do que em mo­vi­men­tos so­ci­ais. É claro que os punks anar­quis­tas apro­vei­ta­ram, e a cri­a­ção ul­tra­pas­sou o criador.

      Não foi a es­querda que en­go­liu e ma­ni­pu­lou o fe­nó­meno punk, mas o pró­prio sis­tema ca­pi­ta­lista, tal como, de resto, o muito es­perto McLaren previra.

      Quanto à frase de Spencer, os anar­quis­tas pos­te­ri­o­res têm-na con­tes­tado muito, e julgo que com toda a ra­zão. A li­ber­dade de um só existe quando o ou­tro é li­vre, o que quer di­zer que não faz sen­tido que eu lar­gue a mão da mi­nha li­ber­dade para esse ou­tro ser li­vre — se o fi­zesse, tam­bém ele não o se­ria. Mas a frase, lem­bro, é sua, não mi­nha. Eu só disse de onde é que ela pro­vi­nha (sa­bia?), não que con­cordo com ela. Aliás, dis­cordo completamente.

      Quando eu fa­lei em “não per­ce­ber nada do que se passa” não me es­tava a re­fe­rir a si, era uma ge­ne­ra­li­za­ção re­fe­rente à ma­neira como ob­ser­va­mos hoje as coi­sas. Vejo que agora per­so­na­liza em mim a mesma ex­pres­são. Lamento…

  8. No que diz res­peito à pena e à li­ber­dade de ex­pres­são apli­cada neste caso, po­de­mos dis­cu­tir o as­sunto. No en­tanto eu pró­prio não achei ‘pi­ada’ ao que foi feito na igreja.

  9. Ola’,

    Putin e os seus com­pa­nhei­ros são os her­dei­ros do es­ta­li­nismo: Trotsky de­no­mi­nara’ aque­les que con­tro­la­vam o sis­tema de bu­re­o­cra­tas e Battheleim que ca­rac­te­ri­zou a urss como um ca­pi­ta­lismo de es­tado de casta (aten­ção que ha’ dois Battheleim, um es­cre­veu so­bre os con­tos de fa­das)… O con­ceito é pra­ti­ca­mente o mesmo, verificado-se uma von­tade pe­los bu­ro­cra­tas ou di­ri­gen­tes da an­tiga casta em manter-se no po­der, des­res­pei­tando a democracia.

    A par­ti­ci­pa­ção da an­tiga casta do­mi­nante no mer­cado in­ter­na­ci­o­nal foi acom­pa­nhada de me­di­das de di­ver­ti­mento para dar a pen­sar que a Russia era uma de­mo­cra­cia… A li­ber­dade de culto foi con­ce­dida, mas em troca de que?

    A maior parte da po­pu­la­ção russa vive numa mi­sé­ria enorme… Ha’ fa­mi­lias que quei­mam mo­veis para se po­de­rem aque­cer no in­verno… As dis­pa­ri­da­des so­ci­ais são colossais…

    Lembro que vivo num pai’s onde o russo pode ser es­co­lhido em Lingua Viva1, LV2 ou LV3. Geralmente, as me­lho­res tur­mas são aque­las que es­tu­dam russo em LV1 (ou alemão);Paralelamente ha’ mui­tos co­ta­tos com a Russia visto a França tam­bém ser uma po­ten­cia espacial…

    As dis­pa­ri­da­des so­ci­ais não são so’ es­pe­ci­fi­cas à Russia… so’ que no caso desta se pode sem ces­sar re­me­ter para (e com ra­zão) o es­ta­li­nismo… Durão Barroso é um ver­da­deiro lu­si­tano que não esta’ longe do luso des­cen­dente Putin. Creio que foi on­tem que Barroso lem­brou in­di­re­ta­mente que a eco­no­mia deve in­te­grar a de­mo­cra­cia … e não o contrario.

    Neste con­texto existe uma von­tade de des­truir as con­quis­tas so­ci­ais e como tal a con­di­ção da mu­lher… Nunca no apos 2a guerra os mo­no­teis­mos fo­ram tão ra­di­cais con­tra a eman­ci­pa­ção da mu­lher… E aqui, neste caso, trata-se de mu­lhe­res. E para o go­verno russo é uma agra­vante… Nos pai’ses do Magreb os lai­cos e as mu­lhe­res so­frem… Uma mu­lher que anda com os ca­be­los ao vento, ou uma saia é uma “puta”… como é? Foi o re­verso da Primaera Arabe e a si­tu­a­çao est’ pre­o­cu­pante. Atualmente a pres­são é enorme, por exem­plo, para que as mu­lhe­res Alemãs desde que te­nham fi­lhos dei­xem de trabalhar.

    A França vai re­sis­tindo por­que tem uma prova de fi­lo­so­fia e de his­to­ria obri­ga­to­ria em to­das os ra­mos (ci­en­cia, tec­no­lo­gia, le­tras). Provas que se sar­kozy ti­vesse ga­nho te­riam de­sa­pa­re­cido. Uma das me­di­das de Mussolini que con­tra­ri­ar­mente a Salazar e Franco era imen­sa­mente culto, foi de su­pri­mir o en­sino da Historia e da Filosofia.

    A lei da lai­ci­dade existe em França desde 1905. A se­pa­ra­ção da Igreja e do Estado. A re­pu­blica Portuguesa apli­cara’ essa lei em 1911, o que foi fantastico.

    Se a li­ber­dade de culto deve ser res­pei­tada, não me­nos é ver­dade que os ci­da­dões e ci­da­dãs tam­bém o de­vem ser… Que ra­zoes te­rão le­vado as mo­ças a fa­ze­rem um filme num tem­plo e com esse tema? Porque é que a Igreja or­to­doxa grega não paga im­pos­tos, tendo um pa­tri­mo­nio gi­gan­tesco e ri­quis­simo e as cri­an­ças gre­gas tem fome? Etc, etc.

    Nuno

  10. ruth — 09/08/2012 @13:58 (75 comentários)

    Que lindo. Depois das me­ni­nas se ma­ni­fes­ta­rem numa igreja con­tra o Putin(!), con­fun­dindo tudo, arte, re­li­gião, po­lí­tica e ati­vismo, a Madonna (claro), sai em de­fesa de­las e de­pois de um dis­curso “co­mo­vente” diz que vai re­zar pe­las Pussy Riot. Rezar? Só rir.