
O traseiro da Scarlett Johansson é o plano de abertura do filme Lost in Translation, de Sofia Copolla. Para mim é um plano genial.
Façam lá o sacrifÃcio de olhar outra vez para o rabo. Sim, já sei, a Scarlett é boa como o milho. Mas vejam melhor. É um rabo que conta uma história. É um rabo de mulher enfiado numas cuecas de gola alta semi-transparentes mas cor-de-rosa como cuequinhas de virgem ou, vá lá, cheerleaders do Benfica. Demasiadas contradições e conflitos, não é? Basta o plano de um rabo para caracterizar um personagem – isto é cinema, pessoal.
Scarlett só nos vira o cu ao princÃpio do filme porque ignora a nossa babada presença masculina e a sua mente ainda é a de uma adolescente perdida na sua própria Second Life.
Não se iludam: a Sofia Copolla sai mesmo ao pai, ou seja, é genial. Mostra-nos o rabo ao princÃpio do filme e, ao mesmo tempo, diz-nos: «Este não é um rabo qualquer; este é um rabo cinematográfico. Não está aqui para vos dar tesão, está aqui para contar uma história». Vejam-no outra vez: é um rabo preguiçoso, indulgente, um rabo, digamos, expressivo.
Se ela virou sÃmbolo sexual a culpa é da Sofia, que cometeu a proeza de lhe dar personalidade ainda antes de lhe vermos o rosto. Ficámos tão impressionados com as qualidades dramáticas daquele rabo que, ao longo do filme, de todos os filmes que se seguiram, procurámos o traseiro da Scarlett como quem espera um monólogo do Al Pacino. E não tenham dúvidas: da nossa Scarlett não esperamos menos do que uma representação digna de um Óscar. Mesmo que de vez em quando faça boquinhas de broche ou sorrisos de Mata Hari labrega.































3 comentários
Tal como o rabo e a Sofia, também o filme é genial. Sim senhor. Eis uma das boas razões para visitar com regularidade o bitaites… O génio é reconhecido e sem receios mostrado…
Que assim continue por muitos e bons tempos…
Obrigado, Pedro. E estou mesmo cheio de vontade em fazer um post sobre esse fenómeno Letra L no teu blogue. A ver se arranjamos um tempo para trocarmos umas ideias sobre o assunto. Talvez se me enviares por email o teu contacto Messenger…?
Se eu te disser que não costumo usar o messenger tu não acreditas pois não? A sério, foram tantos anos a usar IRC de uma forma tão profissional e colaborativa (bons velhos velhos tempos do OS/2) que quando vi a coisa a descambar por completo, ganhei aversão a programas de IM… Enfim, manias…
Por falar em Letra L, não sei o que se passa com aquelas miúdas… Fartam-se de escrever e coisa e tal e quando lhes facilito a vida com a paginação dos comentários, peço a opinião das ditas e nada. Nem mais uma palavra. Parece-me francamente injusto…
Quanto ao post parece-me muito bem. Tal como te referi no comentário onde tinhas sugerido o post a meias, foi coisa que nunca fiz e não custa experimentar…