Segue-se uma breve história dos seus feitos, tumultos e contradições.
Em êxtase
Hitler saudado por apoiantes em Berlim
1933. O ano da derradeira ascenção dos nacionais-socialistas ao poder na Alemanha. Enquanto Hitler presta juramento como chanceler na Câmara do Reichstag, uma jovem aspirante a atriz aceita participar numa produção arriscada para lançar a carreira.
Hitler desfila pelas ruas de uma Alemanha falida e deprimida em paradas gloriosas e cheias de orgulho nacionalista.
Em breve, todos os partidos polÃticos são proibidos, exceto o nazi. Em breve, a ocupação militar das zonas desmilitarizadas da Alemanha, a anexação da Ãustria e da Checoslováquia, a invasão da Polónia, a guerra mundial e os milhões de mortos.
Depois de uma passagem por uma escola de teatro em Viena, a  ambiciosa Hedwig frequenta em Berlim as aulas do realizador Max Reinhardt, para quem vem a trabalhar como assistente de direção e atriz secundária em dois dos seus filmes.
Vai fazer de jovem mulher insatisfeita com o marido, um sujeito mais velho e sem grande apetência para os assuntos da cama. Ela acaba por conhecer um homem mais novo e descobrir o sexo.
É uma história tÃpica sobre a perda da inocência, mas a ausência de julgamentos moralistas sobre a liberdade sexual feminina e a independência conquistada pela mulher torna-o num filme único.
«Ecstasy» entra para a história como o primeiro filme não-pornográfico a incluir abertamente cenas de sexo.
O «porquê» acompanha-nos a vida toda – às vezes como uma bênção, outras como uma maldição.
Ao chegar à idade adulta muitos passam a ignorá-lo deliberadamente, a guardá-lo só para si ou a sussurrá-lo como os pais em sofrimento de «A Ãrvore da Vida».
Quando a mãe sofre com a perda do filho, questiona Deus nos mesmos termos: «Onde estavas tu?»
Malick mostra-nos a sua visão do que Deus andou e tem andado a fazer. Procurou que a sequência fosse cientificamente correta porque, para um crente inteligente e não contaminado pelo vÃrus da estupidez fanática, as descobertas da Ciência são outra forma de descobrir a obra de Deus.
No fim, atravessadas todas as «portas», o angustiado Sean Penn sorri; a sofredora mãe sussurra em nova oração: «Podes ficar com o meu filho». Os personagens estão em «estado de graça».
As pessoas que conhecem o meu ceticismo em relação a Deus e à religião deverão estar admiradas por eu ter gostado de um filme impregnado de tanta religiosidade.
Não deve ser fácil transmitir tanto com tão pouco diálogo, mas os atores conseguem-no. Entrar num filme do Terrence Malick requer um elevado grau de humildade, pois os atores são apenas peças de um todo muito maior que jamais lhes pertencerá.
Os chatos do costume somos nós. A maior parte dos humanos não tem os zombies em grande consideração. Não sei porquê. Talvez a culpa seja do cinema, constantemente a minar a reputação destas criaturas e a tratá-las como cidadãos de segunda.
(Adaptado do arquivo: 05/03/2009) – Depois de ver um filme de terror com zombies fiquei a pensar se não estaremos a ser demasiado duros com estas nobres criaturas que há muitos anos nos acompanham e tanto têm contribuÃdo para a riqueza de Hollywood.
Os zombies têm hábitos de higiene deploráveis, graves distúrbios alimentares e alguns problemas de comunicação – mas será que a nossa reação quando os vemos tem sempre de ser a mesma, berrar que nem uns doidos, correr para longe, desatar aos tiros, atacá-los à machadada, partir-lhes o pescoço ou esmagar-lhes o crânio?
Limitados ao eterno ato de perseguir, gritar, abrir os braços, morder, comer, desaparecer e reaparecer, os zombies são meros escravos do desejo humano de ser continuamente perseguido, mordido e, se possÃvel, comido.
Os realizadores dos filmes de terror são uns tarados sexuais sem qualquer possibilidade de remissão.
Já vi pessoas à bulha em fóruns de discussão por causa de «A Ãrvore da Vida», como se estivesse em causa uma relÃquia sagrada e não um filme.
Algumas garantem que «nunca apanharam uma seca tão grande numa sala de cinema». Outras asseguram que «o filme mudou a forma como encaro a vida e o Cosmos».
É raro ler-se uma crÃtica mais desapaixonada, excetuando estas «impressões breves» do Victor Afonso. As pessoas parecem divididas em trincheiras: de um lado, os que amam o filme; do outro, os que o odeiam.
Imaginem criar uma capa de jornal em tudo semelhante, tanto na forma como em conteúdo, à do New York Times; imaginem que nesse jornal as manchetes da nossa atualidade são reconvertidas para o imaginário dos filmes de George Lucas.