Arquivos da(s) tag(s): Computadores
→ 12/02/2012 @21:37

Robôs a tocar Marilyn Manson

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(EOL Robot Band a tocar The Beautiful People, dos Marilyn Manson. Obrigado ao Victor pela dica)

→ 20/01/2012 @17:36

Algumas notas (milhões delas)

A propósito do Projeto Lei 118, o Celso Martinho resolveu fazer o que os legisladores do consórcio SPA/Canavilhas se esqueceram: umas continhas.

Mesmo tendo em conta o carácter «conservador» das premissas utilizadas e não ter incluído o mercado empresarial, que também será afetado, os resultados parciais obtidos são avassaladores quanto ao nível de extorsão que os deputados se preparam para avalizar.

Caso esta aberração passe no Parlamento, sairão dos bolsos dos consumidores e comerciantes 54 milhões de euros em 2012; dois anos depois, terão entrado nos cofres da Sociedade Portuguesa de Autores, à nossa conta, cerca de 200 milhões de euros.

Nada mau, tendo em conta que não existe um único estudo que demonstre, inequivocamente, uma relação de causalidade entre o declínio das vendas na indústria do entretenimento e a pirataria.

Na verdade, esse estudo já existe – e chegou a conclusões radicalmente diferentes. Pressionado pelos lóbis do costume a acabar com a permissividade das autoridades suíças no que diz respeito ao «download ilegal», o Governo respondeu não haver qualquer razão para alterar as atuais leis de copyright do país, as quais estabelecem o download para uso privado como «legal e aceitável».

O Governo encomendou um estudo que indica que os prejuízos causados pela pirataria são «negligenciáveis», aconselhando essas indústrias a adotar novos modelos de negócio em vez de querer impor, pela força, os atuais.

Os resultados deste estudo apenas demonstram um facto que já muitos tinham constatado: impedir uma pessoa de fazer um download ilegal não significa que essa mesma pessoa vá de imediato comprar o CD ou o filme que tentou descarregar.

 

SOPA em banho-maria

O dia de greve na Internet teve como consequência uma inesperada vitória daqueles que se opõem à domesticação da rede.

Pressionados pelo elevado número de críticas e protestos, bem como pelo movimento anti-legislativo liderado por empresas como a Google, os signatários do Stop Online Piracy Act (SOPA) e do Protect IP Act (PIPA), os senadores Lamar Smith e Harry Reid, tomaram a decisão de adiar, por tempo indefinido, a discussão dessas leis na Câmara dos Representantes e no Senado.

→ 17/01/2012 @5:12

Deixai que venham a mim as copiazinhas

Teria sido preferível que as delicadas mãozinhas de Gabriela Canavilhas nunca tivessem largado o piano. Recordá-la-ia apenas como a excelente intérprete das sonatas de um compositor português que dificilmente teria conhecido se não fosse a Internet, João Domingos Bomtempo.

(Obrigado, Internet, por fazeres mais pela minha cultura em duas horas do que o marketing das editoras discográficas fizeram em décadas)

A ex-ministra da Cultura optou também por assinar um projeto de lei que visa garantir, à custa do bolso dos consumidores e de uma grosseira ignorância tecnológica, a sobrevivência económica dos lobbis do copyright.

Gabriela Canavilhas (Foto: Lusa, autor não identificado)

É como se Canavilhas tivesse usado o piano de Domingos Bomtempo para acompanhar um coro da Sociedade Portuguesa de Autores cantando a besta célere de Michel Teló: Nossa, nossa / Assim você me mata / Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego / Delícia, delícia / Assim você me mata / Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego.

Ai se eu te pego é uma canção adequada para acompanhar o plano estratégico da Sociedade Portuguesa de Autores porque a SPA, com a ajuda de Canavilhas e dos outros políticos, quer pegar tudo o que conseguir: quer pegar o pirata, em nome da cultura e dos autores, claro, mas também quer pegar mais dinheiro dos consumidores, das empresas tecnológicas, dos próprios ISP, em última análise, de tudo o que se mexa na Internet.

Infelizmente, receio que só quando se lembrarem de taxar as transações nas quintinhas do Farmville no Facebook é que alguma malta vai acordar para o que está em preparação no Parlamento.

Não tenho qualquer ilusão: a justificação da pirataria é apenas uma forma de hipotecar a consciência das pessoas e levá-las a apoiar, em nome de uma ética, um projeto de lei que visa a extorsão do consumidor.

E se algum fanático do copyright defender que não se trata de extorsão, mas de «justa compensação», então estará a ser ignorante ou fazer do consumidor um ignorante.

 

Ai ai ai se eu te pego, pirata

O documento «Uma visão de futuro em defesa dos autores e da Cultura – Programa SPA 2011-2015» é, na sua essência, um manifesto através do qual se discutem as melhores possibilidades de obter receitas miminizando, às nossas custas, um resultado líquido negativo de quase 9 milhões de euros, contas de 2010.

«São duas as vias que nos propomos concretizar, com vista ao aumento da taxa de cobrança efectiva: aumentar de forma sustentada e gradual os preços e tabelas de cobrança, numa dinâmica de convergência com os países da UE; alargar a base de mercado da SPA, aumentando o número de usuários a cobrar».

A SPA considera, por isso, que áreas como a «Cópia Privada, Reprografia, Direito de Sequência, Exploração Digital são também decisivas para o crescimento das receitas da SPA e serão objecto de acompanhamento especial».

Pretende também a SPA analisar a possibilidade de lançar «uma taxa de cobrança sobre os ISP como forma de ressarcir os autores do prejuízo causado pelo download ilegal». A SPA não especifica, contudo, como conseguirá determinar quais os prejuízos causados pela pirataria.

Não pode provar inequivocamente uma ligação direta entre a pirataria e os prejuízos porque não está em condições de poder garantir que, impedido de sacar um CD na Net, o «pirata» irá correr às lojas comprá-lo. A pirataria não é apenas uma atividade considerada ilegal, é também um fenómeno sócio-cultural que não pode ser reduzido às contas de subtração feita pelos contabilistas da Cultura.

Esta lógica de merceeiro cartomante está presente na proposta de lei do PS assinada por Canavilhas, pois também pressupõe que todos aqueles que comprarem dispositivos de armazenamento irão guardar dados protegidos por direitos de autor. A SPA vive no passado, vê o presente escapar-lhe, por ignorância e ganância, mas sustenta a sua estratégia numa capacidade extra-sensorial de prever o que se passará na cabeça das pessoas no futuro. Nem a astróloga Maya se atreveria a tanto.

E acrescenta, no mesmo documento – provavelmente inspirada na Lei Sinde ou na SOPA apoiada pelos mafiosos das indústrias da Cultura -, «o lançamento da fiscalização online será essencial para as utilizações e transacções de conteúdos autorais representados pela SPA».

 

Com os políticos, corre sempre tudo sobre rodas

A iliteracia funcional da classe política não cessa de me surpreender. Se ao menos os políticos fizessem os TPC… Perante uma lei que irá obrigar tantas pessoas e empresas a gastar mais dinheiro em tempo de grave crise económica, seria de esperar que os políticos tentassem perceber as vicissitudes desta área da Internet e das tecnologias, em vez de se deixar levar pelo grito do ai que é ladrão.

Canavilhas chegou-se aos microfones da TSF e, entre risos, veio dizer que não «não vale a pena fazer tanto alarido» à volta disso. Não compreende o «alarido», claro, porque não percebe absolutamente nada do meio que pretende legislar, não escutou o ponto de vista dos consumidores – o «público» que vai aos seus concertos – e só foi capaz de ouvir as pessoas que vão beneficiar desta lei.

Num estudo da Recovery Labs divulgado ainda em Abril de 2005, revelava-se que a capacidade de armazenamento dos discos rígidos «aumentara dos 5,86 GB em média do ano 2000 para os 53,94 GB em média no ano 2004», pressupondo um «aumento de 903,24 por cento na sua capacidade». Em Setembro do ano passado, a Seagate já estava a fabricar discos rígidos externos de 4 terabytes, ou seja, 4000 gigabytes.

O desenvolvimento é imparável: ontem, a IBM anunciou que uma equipa de investigadores conseguira reduzir, através da manipulação de átomos magnetizados, de 1 milhão para 12 o número de átomos necessários para criar 1 bit de informação.

A aplicação destas memórias magnéticas, como a IBM lhes chama, permitirá a criação de dispositivos capazes de guardar 100 ou mesmo 150 terabytes no espaço onde hoje em dia guardamos 1TB. Com a «taxa de compensação» Canavilhas/SPA a crescer exponencialmente com o número de gigabytes, imaginem as fortunas que os fanáticos do copyright se preparam para extorquir.

Nada disto deveria ser novidade para os políticos, se tivessem em conta a Lei de Moore e a sua equivalente em dispositivos de armazenamento, a chamada Lei de Kryder: a cada 13 meses, a capacidade de armazenamento, o «alarido» segundo Canavilhas, irá aumentar.

O que a ex-ministra da Cultura também não percebe é o incómodo, já mencionado no meu post A Lei Minority Report, de um cidadão respeitador da lei ser tratado, a priori, como pirata e ladrão. Tão estúpido como aqueles imbecis avisos anti-pirataria que acompanham os DVD: se os estamos a ver, é porque pagámos o raio do DVD!

 

Pagas o direito à cópia, mesmo que não a possas fazer

O «alarido» também se deve a outro facto: pagamos uma taxa para usufruir do direito à cópia privada, mas Gabriela Canavilhas, o Governo, a Sociedade Portuguesa de Autores ou a Abelha Maia nada poderão fazer se os produtos pelos quais pagámos o direito legal de cópia contiverem proteções anti-cópia DRM (Digital Rights Management) – ou seja, a esmagadora maioria dos CD, DVD e Blu-ray à venda no mercado.

A única forma de podermos exercer esse direito é usando software «pirata» que permite desbloquear estas nefastas proteções. Se isolarmos este conceito negativo atribuído à pirataria e o aplicarmos nesta situação, continuaríamos a considerar esse software «pirata?» Aposto que a maioria dos consumidores o veria como uma ferramenta de combate à injustiça e à exploração. O «pirata» autor do software transformar-se-ia, aos nossos olhos, num «hacker».

Que inferno burocrático esperará todas as pessoas que desejem recuperar o dinheiro de uma «compensação» que não se lhes aplica? Por exemplo, se apenas queremos copiar aquilo que é criação nossa e a nós apenas pertence, estamos a pagar porquê e a quem? Se um músico, cineasta ou fotógrafo criar as suas obras e distribuí-las com uma licença Creative Commons, estará a pagar porquê e a quem?

A resposta é óbvia: com o patrocínio dos senhores deputados, estaremos a ajudar a Sociedade Portuguesa de Autores a atingir um dos principais objetivos a que se propôs no seu documento, ou seja, «alargar a base de mercado da SPA, aumentando o número de usuários a cobrar».

Nada disto tem a ver com a Cultura, é apenas uma questão de dinheiro. Quem são os piratas, afinal?

→ 11/12/2011 @6:18

Um guia tão fácil que até tu consegues, REP

O Rui Eduardo Paes (REP para os amigos) é uma enciclopédia musical ambulante e o melhor jornalista desta área em Portugal, mas em assuntos de informática é um dos maiores totós que eu conheço. Totó, neste caso, significa «sou demasiado preguiçoso para aprender, faz tu».

Como consequência disso, não há maneira de o fazer «ripar» uns MP3 da sua prodigiosa coleção de discos para a malta toda ouvir. Nem recorrendo ao método que o Tózé não aprova, seria eu capaz de ter metade da música que ele tem.

Vocês nem calculam as vezes em que já o ameacei de que acabaria por envergonhá-lo diante de todos os geeks e semi-geeks do Bitaites, sobretudo quando um dia prometeu – com ar despreocupado e sem qualquer intenção de cumprir a promessa – que haveria de «voltar» a usar o Windows Media Player para fazer «isso».

Duas palavras que ele usou deixaram-me ofendido: «isso» e «voltar».

«Voltar» porque significa que o REP – numa qualquer obscura tarde da sua agreste vida informático-musical – já usou Windows Media Player para ouvir música. Ora, o Windows Media Player nem para os vídeos manhosos do YouPorn serve. A minha opinião sobre esse programa pode ser resumida da seguinte forma: se os computadores pessoais tivessem rabo e problemas intestinais, seria possível pensar-se numa utilidade prática para o Windows Media Player. Como não têm…

Quanto à palavra «isso», chateia-me porque tanta ambiguidade mostra bem a importância que ele está a dar ao premente assunto da «ripagem».

Pois não só acabei de te moer o juízo publicamente, como vou publicar um pequeno guia para ajudar-te a ripar um MP3 da forma mais rápida e com a maior qualidade possível. É tão fácil que até tu vais conseguir fazê-lo. Deixa, não te comovas, agradeces-me depois com um almoço à borla.

A primeira coisa que tens a fazer é ligar o computador – parto do princípio de que já o fizeste e tudo correu bem, senão não estarias aí a amaldiçoar a hora em que o sacana decidiu escrever aquela merda.

O segundo passo é abrires o browser e fazeres-te à Net. Parto uma vez mais do princípio de que já o fizeste e tudo correu bem, senão não estarias aí a amaldiçoar a hora em que o sacana decidiu escrever aquela merda e não, não penses que te pago o almoço.

Dado que usas o Firefox, declaro publicamente que não te considero um caso totalmente perdido. A rapariga concorda, mas diz que só tem olhos para o meu Firefox. Desculpa…

Sendo assim, prossigo este guia com a confiança de que um belo dia, quando acordares com uma disposição mais benevolente, irás consultar aquela merda de post que o sacana escreveu e não, mesmo que o guia resulte não te pago o almoço – um cafezinho e já vais com sorte.

 

E agora, o guia pepe-rápido

1. Vai sacar o Foobar
Ao princípio poderá parecer-te que te está a escapar qualquer coisa – como as músicas listadas neste screen. Fiz de propósito: estava a experimentar o blur do Photoshop e lembrei-me que ao deixá-lo assim desfocado seria um símbolo perfeito da tua relação com os PC.
Também não ficarás impressionado com a sua aparência, mas não te preocupes: o Foobar pode ser feio por fora, mas é bonito por dentro. O Foobar é como eu, tirando aquela parte de ser feio por fora. É o canivete-suíço do áudio em Windows, assim é que está certo. Tão bom que nem em Linux eu prescindo dele.
É este o programa que vais usar para ouvir e «ripar». Se tiveres um ícone do Windows Media Player no teu ambiente de trabalho, esta é uma boa altura para o apagares.

2. Instala o Foobar
Como eu já te conheço, aconselho-te a memorizares a pasta para onde descarregaste o programa. O Windows 7 tem uma chamada Downloads e o Firefox, por norma, guarda aí.

3. Corre o Foobar

Quando correres o Foobar pela primeira vez, irá aparecer-te uma janela (esta aqui em cima) para definires o layout e as cores a teu gosto; vai experimentando até encontrares uma combinação que te agrade. Isto não é importante para ripares o MP3. Terás tempo de sobra para testares essas mariquices.

4. Vai sacar um codec MP3

O que é um codec, perguntas tu?
É o software que permite converter uma faixa de um dos teus preciosos CD num MP3 que poderá ser ouvido pela malta no Bitaites. Agora presta atenção: podes sacar o de 32 bits ou o de 64, dependendo se o teu sistema operativo é de 32 bits ou de 64.

 

Como é que eu sei se o Windows é de 32 ou 64, perguntas tu?
É simples: vais ao Start Menu, Computer, clicas com o botão direito do rato, escolhes Properties e aparece-te uma janela com informação básica do teu computador; mesmo por baixo da informação de memória RAM instalada (só explico o que é a RAM se me pagares o almoço) tens lá o tipo de sistema, 32 ou 64 bits.
Agora já sabes? Então inspira profundamente e sente o agradável aroma da aprendizagem. Escolhes o codec correspondente e sacas.

5. Cria uma pasta chamada codec (ou qualquer nome que preferires)

6. Mete o ficheiro zip que sacaste dentro dessa nova pasta

7. Extrai o ficheiro

8. Mete um dos teus magníficos CD no leitor do teu computador
Creio que não terás qualquer problema neste passo, mas um colega meu uma vez mostrou ter algumas dificuldades. Estava eu a ajudá-lo a instalar o Windows via telefone quando, logo ao princípio, o gajo começou a vociferar: «Dizes-me para eu meter o CD mas esta merda não dá!»
Depois de uma longa e penosa sessão de perguntas e respostas e berrarias ao telefone, acabei por perceber que ele estava a tentar enfiar um CD na ranhura das disquetes – é uma história antiga, mas verídica. Ao pé dele, tu és um utilizador avançado. Anima-te, pá!

No Foobar, vais ao menu superior File e escolhes Open audio CD… (Claro que o programa pode ser definido para o fazer automaticamente, mas por agora não vamos perder tempo). É verdade, para este guia escolhi um disco do Frank Zappa – sabes que eu faço sempre questão de surpreender com as minhas escolhas musicais.
Já que estás com a mão na massa, convém reconhecer o nome das faixas. Seleciona todas as faixas do CD (basta clicares uma vez no título do disco ou fazeres Ctrl+A) e, com o botão direito do rato, selecionas tagging e get tags from freedb. Pronto, agora já é mais fácil reconhecer a faixa que desejas «ripar».

9. Converte uma faixa do CD para MP3
Selecionas a faixa a converter. Com o botão direito do rato, escolhes Convert. Na nova janela (Converter Setup), carregas em Output Format. Na lista que te aparece, selecionas MP3 (LAME) e, em baixo, no botão Edit. Regula a qualidade para a opção Best Quality. Dá um OK. Carrega no botão Back. Clica em Convert.
Agora o Foobar quer saber onde vais guardar o MP3 que pretendes converter. Se eu fosse a ti escolhia o Ambiente de Trabalho ou a pasta My Music. Eu sei que nestas coisas de «guardar música» só pensas em estantes, mas desta vez é diferente.
Depois… Lembras-te da pasta para onde extraíste os ficheiros do codec? O Foobar também vai querer saber onde é que isso fica. Encaminha-o para essa pasta, entra na pasta e escolhe o ficheiro executável chamado lame. Confirma. Pronto!

Aqui em baixo: estás a ver?

Todas estas operações irão eventualmente dar origem a um final feliz:

Baril, hã? Aproveita e ouve o Mestre, só te faz bem.

 
10. Telefonas-me
«Marco, és o maior! Finalmente deixei de ser totó, já consigo ripar um MP3 para o Bitaites!»

11. Escolho eu o restaurante.

→ 21/11/2011 @23:56

1 chocho e 10 dias a bater com pinguins na parede

Escrever não é muito diferente de qualquer outro exercício: se não o fizeres durante muito tempo, acabas por perder o ritmo.

Considerem este post um pequeno exercício de recuperação. Um pequeno jogging de palavras em passo de corrida até terminar uma frase. Parar durante uns dias deveria ser suficiente para fazer definhar alguns dos enormes egos da blogosfera portuguesa: o mundo continua a girar, indiferente à sua esplêndida existência.

O tempo livre disponível foi gasto à volta do Linux – de vários linuxes. À exceção de Fedora, Mandriva e Debian, não houve distribuição que não experimentasse. Tudo isto a propósito da minha embirração com o Unity, a shell da versão 11.10 do Ubuntu.

Tirando estas aventuras maníacas, o tempo restante à volta do computador foi a gerir a homepage do Sapo (em Windows). Ultimamente ando com a mania de ouvir músicas delicodoces enquanto trabalho. Cat Stevens a cantar Morning Has Broken ao mesmo tempo que o ministro das Finanças discursa no Parlamento faz milagres. Aconselho-vos Cat Stevens como medida terapêutica. Se estiverem mesmo furiosos, podem optar por terapias mais radicais e ouvir o Jesus Christ Superstar. Se estiverem com vontade de morder um ministro, oiçam o Evita.

Nada foi capaz de me fazer desligar da minha obsessão compulsiva com os linuxes. Nem a fotomontagem publicitária da Benetton com o Papa Bento XVI a dar um chocho a Ahmed Mohamed el-Tayeb, imã sunita numa mesquita do Cairo, foi capaz de me fazer acordar para o blogue. Mas a foto ainda vou a tempo de mostrar: quem disse que o Photoshop não faz milagres?

Não me vou alongar mais sobre as avé-marias homofóbicas do Vaticano. Este é um post para geeks!

 

E agora, a geekalharia toda

É pena ser um bocado burro no que respeita a computadores. Já lá vai o tempo em que me dispunha a perder todas as horas necessárias a aprender qualquer coisa. Agora prefiro bater com a cabeça nas paredes e gozar o sentimento de alívio quando finalmente paro.

O que se segue é uma pequena aventura em simultâneo nas minhas duas máquinas: o desktop e o portátil.

A Gnome-shell é linda, desde que não se queira trabalhar no computador

A visualização das aplicações minimizadas

O menu de aplicações adotou uma espécie de estética iPhone em tamanho gigante

Se fosse esperto como os putos que nasceram entre computadores tinha instalado a minha primeira escolha – o Arch Linux – e era agora um feliz rapaz com um sistema operativo fantástico. Infelizmente, instalar o Arch no meu sistema implicaria, segundo percebi (e não garanto nada), incorporar um módulo RAID qualquer no kernel, à pata.

Claro que eventualmente acabaria por googlar a resposta e atirar-me à linha de comandos com as ganas do Robert de Niro no Touro Enraivecido, mas é como já vos disse: estou a ficar velho e sem pachorra.

Ainda pensei em escrever na linha de comandos sudo apt-geta-me lá isso, mas acho que não teria resultado.

Experimentei então uma distribuição que muito me impressionou: o OpenSuse. Da instalação à liberdade e transparência na escolha de software, pareceu-me perfeita.

Infelizmente, por mais voltas que desse, nunca cheguei a conseguir que a renderização das fontes tivesse a qualidade vista no Ubuntu, incluindo mesmo a última versão. Uma merda. O que é uma pena: se não tivesse esse problema – crucial para mim – teria escolhido OpenSuse sem hesitar.

Por esta altura já tinha experimentado o Xubuntu. O ambiente XFCE, embora leve e simples, fez-me lembrar um avozinho do Gnome 2. Kubuntu nem valia a pena, pois não gosto do KDE. Não é o meu tipo de eye-candy.

Pensei então que se o problema era o Unity, podia experimentar uma distro baseada em Ubuntu que contivesse apenas a Gnome Shell – para a minha forma de trabalhar, apesar dos seus óbvios problemas, o novo Gnome 3 continua a fazer mais sentido do que o Unity. Além disso, sempre poderia instalar uma miríade de extensões capaz de lhe dar uma flexibilidade que o Unity não tem.

Nesta debanda acabei então por descobrir, descarregar e instalar uma distro menos conhecida que me propunha precisamente isso, um Ubuntu «livre do Unity»: Ubuntu GNOME Shell Remix.

Tudo correu bem até abrir o Software Center para instalar o Thunderbird (não gosto do Evolution): tudo aquilo desabou como um castelo de cartas, um crash gelado à boa maneira do Windows dos maus velhos tempos. Adeus.

Experimentei então as distros baseadas no Ubuntu que se foram tornando muito populares: Linux Mint e Pinguy OS.

Fiquei impressionado com o trabalho e dedicação, mas no caso sobretudo do Pinguy OS fiquei a olhar para uma miríade de aplicações do mesmo tipo empacotadas em duplicado ou triplicado, mais uma data de tralha eye-candy que dispenso e não estava para perder tempo a desinstalar. O Mint é melhor, mas pareceu-me instável e com um design inconsistente. Obrigado, mas também não.

Poupo-vos também à exaustiva descrição de todas as minhas tentativas de me habituar ao Unity e as horas que eu perdi a tentar fazer com que a minha placa de som M-Audio 24/96 Audiophile – comprada de propósito para o Linux – funcionasse no Ubuntu 11.10. Em anteriores versões a placa funcionava às mil maravilhas.

Também prefiro não me alongar na descrição das estúpidas horas que passei à procura de todos os truques possíveis e imaginários para fazer a Gnome Shell funcionar com os controladores da minha placa gráfica da ATI/AMD. Pura e simplesmente, não dá.

Finalmente, acabei por experimentar a Caixa Mágica no meu portátil e sem qualquer tipo de problemas. O Gnome Shell não é o velhinho e confiável Gnome 2, mas prefiro-o mil vezes ao Unity.

A minha má experiência com a distribuição portuguesa era antiga, ainda dos tempos em que se baseava em Mandriva, pelo que deitei fora as desconfianças e arrisquei. Ganhei.

Tanto a versão 16 como a versão 17 beta que instalei se baseiam em Ubuntu. E são, também, «Unity free». Se alguém procura uma distribuição Ubuntu estável e já muito amadurecida, aconselho vivamente a Caixa Mágica.

No meu PC-Desktop, acabou por ficar a versão 10.10 do Ubuntu, a última em que tudo funcionava às mil maravilhas e que me levara a deitar fora o Windows sem olhar para trás.

→ 06/11/2011 @17:09

Ubuntu Linux? não me parece.

Não gosto do novo Ubuntu Linux. Nada a fazer.

O Ubuntu está cada vez mais parecido com o Windows, no sentido em que se torna necessário aplicar mil e um truques e tweaks para ter o sistema operativo e o GUI a funcionar como eu quero – e não como «eles» querem.

Ora, eu não tenho computadores para perder tempo com computadores.

Raios, até para mudar uma porcaria de uma fonte nos menus tenho de andar a chafurdar no Google para ver como se faz porque no Unity só vejo opção para mudar o wallpaper. Não, obrigado.

A porcaria da dock do lado esquerdo tem de ficar no lado esquerdo – não há qualquer opção para a mudar de lugar.

A qualidade na renderização das fontes era superior em versões anteriores do Ubuntu, o que para mim é mesmo muito chato: 90 por cento do meu tempo ao computador é a ler e escrever.

Para estar a aborrecer-me com porcarias destas fico-me pelo Windows 7 x64, que domino completamente e está mais ou menos estável. Mas gosto de Linux, adoro a filosofia Open Source, e procuro alternativas livres. Sugestões?

→ 29/10/2011 @11:37

iPhonix!

Atau Tanaka (Foto: Frauke Behrendt)

A propósito de iPhones…

Ontem mesmo (sexta-feira, 28 de Outubro), à noite, a dupla Atau Tanaka / Adam Parkinson apresentou-se no Atmosferas do IPA, ao Cais do Sodré, num concerto em que utilizaram apenas quatro iPhones (dois cada um). Foi de deixar cair o queixo.

O japonês e o britânico têm estado ultimamente a desenvolver este projeto e vieram até Lisboa por iniciativa da associação Granular para conduzirem um workshop e realizarem esta performance.

Com base na manipulação de Pure Data, e contornando as limitações funcionais impostas pela Apple sem propriamente traficarem as suas iThings, transformaram os telemóveis em instrumentos musicais, apresentando o tipo de trabalho que estão a explorar como «post-laptop music».

Já desde a década de 1980 que Tanaka vinha lidando com sensores de movimento que traduziam a sua acção no palco em sons, constituindo esta nova etapa num radical enfoque desse tipo de investimento. Pioneiro nesta área, fez o seu nome nos circuitos do experimentalismo e do noise.

Muito mais jovem, Parkinson tem ganho projecção na electrónica de dança, entre o techno, o disco-pop e o dubstep, mas também na música improvisada mais extrema.

Juntos, fizeram processamentos ao vivo com as suas próprias vozes e utensílios simples como copos e colheres, realizaram operações de síntese granular, dispararam samples e demonstraram como o movimento dos braços, das mãos e dos dedos se traduzia em específicas moldagens sonoras. Sempre aliando beleza com energia e requintadas harmonizações com ruído

Na primeira parte da sessão, atuou a solo o pianista Rodrigo Pinheiro (Red Trio) com o seu próprio iPhone. Foi um dos alunos do workshop e apenas no dia anterior começara a entrar nos domínios Pure Data. Como comentou depois Atau Tanaka, os seus dois dias de trabalho mais pareciam dois anos, tal o sucesso da prestação.

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Para mim, este foi um dos grandes concertos de 2011. Quem não esteve lá nem imagina o que perdeu, mesmo que veja e oiça este vídeo…

Dizer NÃO à taxa