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→ 13/02/2012 @2:23

Kim Jong Um, o inovador

As imagens fornecidas à Reuters pelos orgulhosos serviços noticiosos da babada Coreia do Norte não me deixam mentir: Kim Jong Un – o filho do Querido Líder recentemente falecido – continuou a gloriosa tradição iniciada pelo quase-insubstituível pai de se deixar fotografar a olhar para as coisas.


Não é minha intenção julgar o filho do Querido Líder de forma negativa, pois ainda há lugar para iniciativas inovadoras. Ora observem:



Nada mau. Além de olhar para as coisas, como fazia o pai, ele também aponta para as coisas. Macacos me mordam se isto não é um novo estilo de liderança, mais arrojado, mais moderno.

→ 11/02/2012 @4:02

Para acabar de vez com os contos de fada

O francês Thomas Czarnecki diz que a ideia é criar um «choque cultural». E eu penso imediatamente que é um belo post para se escrever às três e meia da manhã de uma noite fria e com insónias. Um choque vem a calhar. Pelo menos um sorriso.

Que choque deseja provocar este fantástico doido? Mudar o destino de personagens do imaginário infantil (Pequena Sereia, Cinderela, Branca de Neve, Bela Adormecida, Pocahontas, Alice) e dar-lhe um toque de realismo fatal. Ora vejam cinco exemplos:

Capuchinho Vermelho em coma alcoólico depois de uma noite de farra com o lobo

A Pequena Sereia descobriu demasiado tarde que o seu príncipe encantado se chamava Patrick Bateman

A Alice no País dos Sem-Abrigo faz lembrar o fantasma do filme The Ring

Cinderella queria regressar a casa, mas tropeçou e partiu o pescoço, como aquele padre do Exorcista

Pocahontas como escrava sexual (ou depois de ver o Avatar: neste caso, quem a carrega é James Cameron)

Chocados? Czarnecki é um diretor artístico bem conhecido no mundo publicitário – isto já explica alguma coisa do «choque» que pretende provocar.

Elabora um bocadinho mais sobre este trabalho em declarações ao Daily Mail, ao explicar a intenção de pôr em «em confronto o universo ingénuo e inocente dos contos de fada» e a «realidade, mais sombria, mas igualmente parte da nossa cultura».

E pronto, quinze minutos para as quatro da manhã. Não te esqueças de tomar o comprimido para dormir, Bela Adormecida.

→ 04/02/2012 @12:21

Bardamerda ou não, eis a questão

Não sei se será tecnicamente correto dizer a uma cooperativa «Olhe, vá bardamerda». Ainda não tenho a certeza se deverei utilizá-la, mas não encontro melhor expressão para manifestar o meu descontentamento face à concepção maniqueísta dos últimos comunicados. Nem falo das ameaças.

Não quero que se pense que estou a ser excessivamente agressivo ou a desejar-vos mal. Em termos astronómicos, o meu bardamerda é um pequeno meteorito cujo impacto seria quase todo absorvido pela atmosfera, incendiando-se logo a seguir.

É como se dois dos vossos ilustres membros da direção vigiassem os céus das nossas consciências à cata de neurónios conspiradores no Planeta Copyright e, de repente

«Olha, mandou-nos bardamerda»
«Quem? Onde?»
«Já não foste a tempo, passou tão depressa».

Estão a ver? A vida são dois dias. Tivesse a bardamerda que vos lanço a dimensão do asteróide que aniquilou os dinossauros e já teriam toda a razão para protestar e imaginar conspirações de proporções bíblicas. Tendo em conta a devastação que causou, admira-me até que essa montanha espacial não tenha sido apelidada, muito justamente, de Asteróide Bardamerda. Do ponto de vista de um dinossauro, teria feito todo o sentido.

 

Retiro já o que não disse

Chateia-me que uma cooporativa que representa alguns autores de que tanto gosto e respeito seja despachada desta maneira. Rejeito então mandar-vos bardamerda e proponho, como alternativa, o mais civilizado «Vão-se catar».

Este «vão-se catar» tem a óbvia vantagem de nos libertar do mundo dos reptéis e elevarmos a conversa ao nível dos primatas. Passo então a imaginar-vos como seres ágeis e curiosos, inteligentes, saltando de link em link na World Wide Web e catando piratas em vez de piolhos.

Parece-me uma imagem mais agradável, até porque já sabemos como esta história acaba: um dia, mais tarde ou mais cedo, quer queiram ou não, o despertador tocará para anunciar, numa voz estridente, acordem, meus senhores, são oito da manhã do dia 4 de Fevereiro de 2012 do século XXI.

 

E depois do adeus

Nada tenho contra o princípio de uma sociedade representativa dos artistas, nada mesmo. Longa vida à SPA, digo eu, longa vida com brinde e vénia e tudo, como a gente vê nos filmes dos reis e dos plebeus, desde que não queiram obrigar a inscrever-me, mediante pagamento de uma pesada taxa obrigatória, numa Sociedade Protetora da Sociedade Portuguesa dos Autores. O país está em crise. Andamos todos a contar os tostões. Sejam poupadinhos. E ganhem vergonha na cara.

Por esta altura até vocês terão percebido que a proposta de lei 118 já teve dias de maior pujança – na verdade, nem sequer contavam com qualquer oposição.

Vá, não se apoquentem e recordem comigo estas palavras de «E Depois do Adeus», soberbamente cantadas por um dos «subscritores» do vosso ‘comunicado de apoio inequívoco à Lei da Cópia Privada’, Paulo de Carvalho: Quis saber quem sou, o que faço aqui, quem me abandonou, de quem me esqueci. Perguntei por mim, quis saber de nós. Mas o mar não me traz a tua voz.

A sério. Vocês publicaram aquela lista enquanto ouviam esta canção, não foi?

→ 28/01/2012 @19:22

Sobre as ameaças

As ameaças, diretas ou veladas, só enervam nos primeiros minutos. Enervam porque crescemos convencidos de que Portugal é uma Democracia e a nossa liberdade de expressão se encontra constitucionalmente protegida.

Existem várias formas de limitar esta liberdade sem passar por déspota aos olhos da opinião pública: uma delas, talvez a mais usada, é tentar convencer a voz incómoda a calar-se. Quando não se tem poder para o fazer de forma direta, procura-se fazê-lo de forma indireta.

Nesse processo de domesticação de vozes incómodas não se ouvem gritos ou palavras agressivas, apenas amigáveis e polidas sugestões. Às vezes a estratégia resulta, outras falha redondamente; quando resulta, nunca se chega a conhecer a origem da ameaça – faz parte do acordo; quando falha, ficamos a saber um bocadinho mais sobre a natureza dos cavalheiros que combatemos.

A liberdade de expressão é terrível de aceitar para os velhos do Restelo e os parasitas que os apoiam, sobretudo quando é exercida online. Graças à Internet e à sua extraordinária vocação para diluir fronteiras, classes e géneros, todos podemos participar na grande conversação, como lhe chamou o jornalista Giuseppe Granieri, e esperar que uma única voz seja ouvida por milhares.

Para que isso aconteça não é necessário, sequer, o encantamento de uma voz famosa: basta que a causa seja válida e justa, e muitas outras pessoas se identifiquem com as posições defendidas.

Sem que os cretinos consigam compreender o fenómeno, a não ser quando é demasiado tarde, uma voz pequena multiplica-se por milhares de outras vozes pequenas até formar um coro insuportável e impossível de silenciar que os mesmos cretinos acabarão por interpretar como «campanhas orquestradas».

E chega invariavelmente o momento em que uma pessoa – ou várias, ou milhares – se vê forçada a responder às ameaças da forma mais simples que lhe é possível: «Enganaram-se outra vez, idiotas! Não é medo que temos, é razão».

→ 28/01/2012 @16:34

Migalhas para os artistas, bolinhos para nós

Tozé Brito, administrador da Sociedade Portuguesa de Autores

Eles não estão só interessados em proteger os direitos de autor. Também estão muitos interessados nos direitos dos taxistas. Não fiques parado e contribui também. Ajuda a pagar as viagens de táxi do Tozé Brito e não faças absolutamente nada para combater o projeto de lei 118.

A ler, no Aventar: A lei da cópia privada, a árvore das patacas e a ética da SPA

→ 27/01/2012 @21:38

Photoshop ou uma grande carvalhada da SIC?

Veredicto: uma enorme carvalhada.

→ 26/01/2012 @19:29

Erro de sistema (*)

(*) José Cid também quer ser pago por cada cópia que fizermos das nossas fotos.

Dizer NÃO à taxa