→ 18/05/2013 @0:42

Paneleirossauros

Paneleirossauros

Os ig­nó­beis so­ci­a­lis­tas e blo­quis­tas vão le­var ama­nhã mais uma vez a adop­ção de cri­an­ças por duas pes­soas ho­mos­se­xu­ais do mesmo sexo que vi­vam jun­tas, ao Parlamento. Não se en­ga­nem, to­das as ma­nifs, to­dos os Grandolas Vilas Morenas, to­dos os Galambas e Dragos, to­dos os ac­tos de ter­ro­rismo de in­ter­rup­ção de mem­bros do Governo em ac­tos pú­bli­cos, têm um único ob­jec­tivo “dar cri­an­ças aos homossexuais”.

Maria Teixeira Alves, no Corta-Fitas

 

Graças à jor­na­lista Maria Teixeira Alves, aca­bei de des­co­brir que o 25 de Abril foi obra de gays.

Não acre­di­tem se os vos­sos pro­fes­so­res de História vos dis­se­rem que na­quele fa­tí­dico dia de 1974 o povo saiu à rua – em pri­meiro lu­gar, por­que são com cer­teza la­ri­las in­fil­tra­dos no sis­tema edu­ca­tivo; em se­gundo, por­que não foi o povo quem saiu à rua, fo­ram os paneleiros.

O povo é quem mais or­dena? Isso é grito de sado-masoquistas, de certeza.

As pes­soas acham que foi uma re­vo­lu­ção, mas foi uma pa­rada gay — uma cons­pi­ra­ção com o ob­je­tivo de do­mi­nar ho­mos­se­xu­al­mente este país e le­ga­li­zar a so­do­mi­za­ção de cri­an­ci­nhas recém-adotadas.

E aposto que os mi­li­ta­res que a or­ga­ni­za­ram usa­vam cu­e­cas de fio den­tal sob aque­les uni­for­mes – em cada Salgueiro Maia, não se es­que­çam, há um bai­la­rino dos Village People em po­tên­cia. Em cada re­vo­lu­ci­o­ná­rio, um ho­mo­cons­pi­ra­dor de­se­joso de en­fiar a pa­lhi­nha no rabo da revolução.

Nem quero ima­gi­nar o que a po­bre mu­lher deve ter sen­tido quando al­guém se lem­brou de me­ter um cravo no cano de uma me­tra­lha­dora – por mais que me es­force, não con­sigo ima­gi­nar nada mais gay do que isso. Ainda por cima usa­ram uma cri­ança como sím­bolo, os por­ca­lhões, o que só prova que em cada ma­ri­cas há sem­pre um pe­dó­filo a es­prei­tar por baixo das saias da Anita.

Somos to­dos fi­lhos de uma re­vo­lu­ção de ra­be­tas – isto é mesmo pior do que pen­sá­va­mos. E até Zeca Afonso, revelar-nos-á a Alves um dia, gos­tava de se dis­far­çar de loira dos Abba en­quanto can­tava o Grândola Vila Morena di­ante do espelho.

Um dia a Teixeira Alves che­gará à con­clu­são de que os di­nos­sau­ros não se ex­tin­gui­ram por causa da queda de um as­te­roide; os bi­chos co­me­ça­ram a enrabar-se uns aos ou­tros no pe­ríodo Cretáceo e, pronto, aca­ba­ram por de­sa­pa­re­cer. Qualquer bió­logo vos dirá que uma ex­tin­ção em massa co­meça sem­pre com uma apal­pa­dela no cu e só Deus sabe o que vai ser de nós, po­bres hu­ma­nos, se per­sis­tir­mos neste com­por­ta­mento. A Natureza está atenta e não per­doa os in­di­gen­tes mo­rais, diga lá o que dis­ser o pa­ni­las do Darwin.

É pre­ciso ver que os ca­sais he­te­ros­se­xu­ais tam­bém têm muita culpa no car­tó­rio: afi­nal, quem os man­dou ge­rar fi­lhos gays? Não há uma lei que proíba isso? Se não há, de­via ha­ver. Existirá al­gum ví­rus da pa­ne­lei­rice aguda que os pa­dres ainda não con­se­gui­ram iden­ti­fi­car nos la­bo­ra­tó­rios que mon­ta­ram nas sa­cris­tias? Que ter­rí­vel cons­pi­ra­ção é esta e por que ra­zão mais pes­soas nor­mais não se afli­gem como a Teixeira Alves?

Está de­ci­dido. Como me­dida pro­fi­lá­tica, pro­po­nho que do­ra­vante to­dos os pais se­jam obri­ga­dos a pro­var que não são ma­ri­cas an­tes de se­rem au­to­ri­za­dos a procriar.

→ 15/05/2013 @18:17

Special Two

Virginie CapriceEsta ra­pa­riga chama-se Virginie Caprice, é uma atriz de fil­mes porno e, nas ho­ras va­gas, gosta de con­tra­riar a sa­be­do­ria fu­te­bo­lís­tica que afirma «prog­nós­ti­cos, só de­pois do jogo».

Virginie é es­pe­cial e gosta que os prog­nós­ti­cos se­jam fei­tos an­tes. Parece-me uma op­ção vá­lida, so­bre­tudo tendo em conta que ela co­loca o Benfica a con­quis­tar a Liga Europa.

O Benfica, a glo­ri­osa ma­moca di­reita, marca dois go­los; a da es­querda, um. Um par de ma­mas trans­for­mado em orá­culo – eis o que um adepto de fu­te­bol pre­cisa para ser feliz.

Virginie tam­bém é co­nhe­cida como Vivi La Pieuvre – o que sig­ni­fica, em por­tu­guês, Vivi, o Polvo. Não sei se o nome está re­la­ci­o­nado com o facto de fa­zer prog­nós­ti­cos, como os pol­vos dos mun­di­ais e eu­ro­peus, ou se tem a ver com al­guma ca­rac­te­rís­tica única na arte de re­pre­sen­tar. Seja qual for a ra­zão, gosto.

Só um por­me­nor me pre­o­cupa: a nossa Vivipolvina tro­cou as co­res dos clu­bes: Benfica a azul, Chelsea a vermelho.

Não me lem­bro de uma única vez em que o azul te­nha sido be­né­fico para nós, pelo que es­pero que ela seja me­lhor a pre­ver os re­sul­ta­dos dos clu­bes do que a distinguir-lhes as co­res. E juro pela saúde dos meus egré­gios avós que se ela es­ti­ver certa na pre­vi­são nunca mais vou di­zer mal de pol­vos ar­ma­dos em adi­vi­nhos, te­nham eles ten­tá­cu­los ou mamilos.

→ 19/04/2013 @13:02

Post número 4108

Smiley N. Pool

George Bush pai com as recém-eleitas che­er­le­a­ders Houston Texans (Foto: Smiley N. Pool)

→ 15/04/2013 @2:40

O raio da melga

A na­tu­reza é o único li­vro que ofe­rece um con­teúdo va­li­oso em to­das as suas fo­lhas, es­cre­veu Goethe. É uma frase bo­nita, mas aposto que esse ta­len­toso ra­paz ale­mão nunca teve di­ante do na­riz uma melga com me­tade do ta­ma­nho da mão de um ho­mem adulto.

Aposto que nunca se sen­tou di­ante de um mo­ni­tor para es­cre­ver um post para o blo­gue e se de­pa­rou com um mons­tro a pou­sar in­de­co­ro­sa­mente as pa­tor­ras so­bre um parágrafo.

Aposto que nunca deu um pulo da ca­deira como se ti­vesse ou­tra vez 15 anos e sal­tasse ao tram­po­lim na aula de gi­nás­tica. Garanto que nunca foi for­çado a gas­tar quase toda a tes­tos­te­rona do corpo só para não gri­tar como uma pré-adolescente assustada.

E te­nho a cer­teza de que nunca teve de se ar­mar em cam­peão dos ex­ter­mi­na­do­res só para não as­sus­tar ainda mais os pu­tos, aca­ba­di­nhos de en­trar de rom­pante na sala, a pen­sar que eu ti­nha de­sa­bado da ca­deira e que saí­ram a cor­rer como se ti­vés­se­mos sido in­va­di­dos por zom­bies.

Mostrem-me o li­vro da Natureza do Goethe, digam-me onde está a pá­gina da melga e seus de­ri­va­dos, e eu arranco-a já.

Desfaço a por­ca­ria da fo­lha em mil pe­da­ci­nhos e queimo cada um des­ses mil pe­da­ci­nhos até ter a cer­teza de que nem uma des­sas cri­a­tu­ras irá re­nas­cer das cin­zas. Tanta gente reza a Deus por coi­sas su­pér­fu­las como su­cesso ou di­nheiro, não per­cebo por que ra­zão não se im­plora ao Pai Nosso que es­tais no Céu que nos pro­teja a to­dos e de­crete o ge­no­cí­dio à chi­ne­lada des­sas dan­ça­ri­nas de ca­baré demoníaco.

Que ca­pri­cho cós­mico foi este que de­ter­mi­nou a ex­tin­ção de um bi­cha­roco tão ado­rá­vel como o di­nos­sauro e per­mi­tiu que san­gues­su­gas so­bre­vo­ando as nos­sas ca­be­ças como aviões stu­kas da II Guerra Mundial in­fes­tem este po­bre pla­neta nos úl­ti­mos 225 mi­lhões de anos?

E agora? Como me li­vro do bi­cho pa­pão com um mí­nimo de dig­ni­dade masculina?

Quando a melga tem o azar de poi­sar na pa­rede, dou-lhe uma chi­ne­lada com ta­ma­nha força que os vi­zi­nhos pen­sam que es­tou a pre­gar um qua­dro na pa­rede. A his­tó­ria da mi­nha vida está re­pleta des­sas obras-primas do es­ma­ga­mento. Hoje a si­tu­a­ção é di­fe­rente: não posso cor­rer o risco de es­pa­ti­far um mo­ni­tor que me cus­tou os olhos da cara.

Isto re­quer uma ação mais de­li­cada. Talvez possa pri­meiro ti­rar uma fo­to­gra­fia para ilus­trar o post que ine­vi­ta­vel­mente aca­ba­rei por es­cre­ver? Não vale a pena. Estou de tal ma­neira ner­voso que a foto vai sair toda tre­mida. Os meus fi­lhos acham que eu tam­bém es­tou com medo e es­prei­tam do cor­re­dor, du­vi­dando da mi­nha ca­pa­ci­dade de res­tau­rar a paz paterna.

Que ideia! Nós, os adul­tos, nunca te­mos medo, só sen­ti­mos al­gum re­ceio. E se a pa­la­vra re­ceio não for apro­pri­ada por es­tar­mos com su­o­res frios na palma da mão, di­ze­mos que é por ter­mos nojo – na ver­dade sig­ni­fica que es­ta­mos cheios de ca­gufa, mas ga­ranto que tam­bém não é hoje que lhes vou ex­pli­car o sig­ni­fi­cado da pa­la­vra eufemismo.

E agora? Posso enxotá-la, mas não vou apro­xi­mar a mi­nha mão da­quilo.

Esperem! Já sei! Vou ali à co­zi­nha (res­pi­rar fundo, be­ber água) pro­cu­rar um pano. Depois agito-o di­ante da­quilo como se fosse um es­tan­darte real e ti­vesse um exér­cito de ca­va­la­ria pres­tes a ata­car. Pode ser que o mons­tro pa­tudo se as­suste e voe dali para fora, pou­sando na pa­rede e aca­bando os seus mi­se­rá­veis dias pre­gado à sola do meu chinelo.

A es­tra­té­gia deu re­sul­tado: o boi-melga le­van­tou voo, con­fuso, an­dou às mar­ra­das pela pa­rede até sos­se­gar no teto.

«Vai bus­car um banco, pai» — gri­tou a mi­nha cla­que­zi­nha, cheia de esperança.

Percebo a ideia. Já não te­nho corpo para sal­tos de bas­que­te­bo­lista, pelo que su­bindo ao banco posso fi­car cara-a-cara com o bi­cho e esmagá-lo.

Excelente es­tra­té­gia, mas nem pen­sar. Sentir-me-ia como se ti­vesse sido co­lo­cado em cima de um arame a mi­lha­res de me­tros de al­tura: se fa­lhasse o alvo e o bi­cho vo­asse em di­re­ção à mi­nha cara, o mais certo se­ria desequilibrar-me e par­tir as cos­te­las no chão.

Não, isto re­quer uma arma mais so­fis­ti­cada como, por exem­plo, um mís­sil. «Vão bus­car a vas­soura, de­pressa!»

Eles obedeceram-me com tanta pron­ti­dão que por bre­ves se­gun­dos ainda con­si­de­rei o po­ten­cial va­lor pe­da­gó­gico da melga. «Se não fo­res já para a cama, vou di­zer ali à melga» — es­tão a ver, coi­sas par­vas deste género.

E foi as­sim que nos li­vrá­mos do in­va­sor, à vas­sou­rada. Devo ter ma­no­brado a vas­soura como um jo­ga­dor de bi­lhar pres­tes a ex­pe­ri­men­tar a pri­meira ta­cada, por­que acer­tei à pri­meira e ela caiu, ino­fen­siva como um fio de lã. Vitória! Poderei ter re­gres­sado à co­zi­nha mon­tado na vas­soura como um Dom Quixote, com dois pe­que­nos Sanchos sal­ti­tando de alí­vio à mi­nha frente, mas sou ca­paz de es­tar a exagerar.

A fo­bia, con­tudo, não é exa­ge­rada. É caso para o divã do se­nhor Jung. Ou ses­são de hip­no­tismo. Aranhas? Mantenho uma cor­dial dis­tân­cia: elas te­cem as suas teias, eu teço as mi­nhas. Osgas? Beijinho ne­las. Ratos? Até lhes dou de co­mer à mão, se pro­me­te­rem não me mor­der um dedo. Tigres? Gatinhos gran­des, uns fo­fos. Elefantes? São os mai­o­res. Melgas-boi? Um la­men­tá­vel erro que a Natureza de­ve­ria cor­ri­gir o mais de­pressa pos­sí­vel. Que re­ceio, per­dão, que nojo!

Esta his­tó­ria tem um lado po­si­tivo: de­pois de ter um mons­tri­nho da­que­les di­ante do na­riz, todo e qual­quer mos­qui­to­zi­nho que se apre­sente nesta casa será re­ce­bido com toda a cordialidade.

→ 09/03/2013 @17:06

O professor Paunocu

A olho nu não se vê, mas de cer­teza que tem um pau a entrar-lhe pelo cu e a sair-lhe pela boca. Anda e articula-se como se algo mais lhe atra­ves­sasse a es­pi­nha para além da pró­pria es­pi­nha. Talvez por­que esta não existe: na­quela al­tura de gente não osso.

Parece um bo­neco, em­bora en­gra­va­tado como um ad­mi­nis­tra­dor de em­pre­sas. E quando a glote lhe ar­re­donda as pa­la­vras, um bo­neco con­ti­nua a pa­re­cer. Tem voz de Pinóquio, em­pres­tada de um ven­trí­lo­quo que tam­bém não é vi­sí­vel. Será de pre­su­mir que tal acon­tece por não a usar muito: re­gra ge­ral, está ca­lado. Tem ten­dên­cia para di­zer dis­pa­ra­tes. Daqueles com cheiro a alho, à labrego…

Aliás, das pou­cas ve­zes que fala per­ce­be­mos que anda por ali um per­tur­ba­dor com­plexo de in­fe­ri­o­ri­dade so­cial: o seu cur­rí­culo pode ser o de um ca­te­drá­tico, mas a con­versa que ar­risca, mis­tu­rando ver­bos e sa­liva seca, é a de um pes­ca­dor que se en­ver­go­nha das suas origens.

Diz-se um ho­mem de vi­sões lar­gas, mas afi­nal o que o ca­rac­te­riza é uma es­tra­nha re­ceita para re­sol­ver os seus con­fli­tos in­te­ri­o­res: pro­fessa o ca­pi­ta­lismo po­pu­lar. O seu ideal é um país em que to­dos jo­guem na Bolsa, uma so­ci­e­dade de pro­le­tá­rios acionistas.

Como, em vez de apos­tar­mos na ro­leta eco­nó­mica, va­mos a pouco-e-pouco per­dendo os em­pre­gos, tende a fechar-se. Não en­tende o que se passa, anda con­fuso e an­gus­ti­ado. Se ca­lha pôr a ca­beça fora da porta, não é ca­paz de di­ri­gir ao mundo mais do que um sor­riso atrapalhado.

Esse es­gar com den­ti­nho de fora he­sita en­tre o pa­té­tico e o si­nis­tro: ora sus­cita pena, ora de­nun­cia um se­creto Mefistófeles. O coi­tado diz que o di­nheiro não lhe chega até ao fim do mês e que fez mal em ter tro­cado o or­de­nado a que ti­nha di­reito por uma hu­milde pen­são. Mas quando es­ta­mos quase, quase a comiserar-nos com o po­bre, des­con­fi­a­mos. Os olhi­nhos de boi que se en­co­vam no seu rosto pa­ra­le­le­pí­pedo só po­dem es­con­der marosca.

O pior é que, como bons por­tu­gue­ses que so­mos, o pé atrás ape­nas con­tri­bui para ser­mos as­so­ber­ba­dos por cruéis sen­ti­men­tos de culpa. Sobretudo quando lhe go­za­mos a mar­quise, a pos­tura rí­gida e auto-repressiva de múmia.

Por isso, lá vai ele fi­cando es­con­dido e si­len­ci­oso, feito em­blema da me­di­o­cri­dade e da inér­cia na­ci­o­nais. Não é nin­guém em es­pe­cial, ape­nas um pro­fes­sor chico-esperto, mas o pior é que tam­bém é nós to­dos, co­le­ti­va­mente em­pa­la­dos por nos­sas pró­prias mãos de­pois de sé­cu­los de os­te­o­po­rose mental.

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