→ 28/01/2012 @16:34

Migalhas para os artistas, bolinhos para nós

Tozé Brito, ad­mi­nis­tra­dor da Sociedade Portuguesa de Autores

Eles não es­tão só in­te­res­sa­dos em pro­te­ger os di­rei­tos de au­tor. Também es­tão mui­tos in­te­res­sa­dos nos di­rei­tos dos ta­xis­tas. Não fi­ques pa­rado e con­tri­bui tam­bém. Ajuda a pa­gar as vi­a­gens de táxi do Tozé Brito e não fa­ças ab­so­lu­ta­mente nada para com­ba­ter o pro­jeto de lei 118.

A ler, no Aventar: A lei da có­pia pri­vada, a ár­vore das pa­ta­cas e a ética da SPA

→ 27/01/2012 @21:38

Photoshop ou uma grande carvalhada da SIC?

Veredicto: uma enorme car­va­lhada.

→ 26/01/2012 @19:29

Erro de sistema (*)

(*) José Cid tam­bém quer ser pago por cada có­pia que fi­zer­mos das nos­sas fotos.

→ 26/01/2012 @10:54

Paparazzis lunares

Um dia vou ter de criar uma ru­brica no blo­gue cha­mada tre­ta­to­lo­gia da se­mana, pois to­dos os dias en­con­tro uma.

E com o sen­tido crí­tico que ca­rac­te­riza o jor­na­lismo quando se trata de di­vul­gar ale­ga­ções de ma­nía­cos pseudo-científicos, tanto o Correio da Manhã como o Jornal I di­vul­ga­ram hoje uma nova no­tí­cia: «pa­rap­si­có­lo­gos» ga­ran­tem que os as­tro­nau­tas John Young e Charles Duke, da mis­são Apollo 16, vi­ram ves­tí­gios de uma nave ex­tra­ter­res­tre que se des­pe­nhou na Lua.

O Jornal I es­creve: «De acordo com as cons­ta­ta­ções de seis es­pe­ci­a­lis­tas da Transception Incorporation, com base na téc­nica de vi­su­a­li­za­ção re­mota, John Young e Charles Duke re­al­mente con­se­gui­ram ver ex­tra­ter­res­tres».

Estão a ver o que quero di­zer quando me queixo desta au­sên­cia de sen­tido crítico?

O que raio é uma «téc­nica de vi­su­a­li­za­ção re­mota»? Se um mi­rone com­prar uns bi­nó­cu­los para ob­ser­var a vi­zi­nha do lado a ex­pe­ri­men­tar co­le­ções de biquí­nis, tam­bém es­tará a uti­li­zar uma «téc­nica de vi­su­a­li­za­ção re­mota»? Será esta téc­nica a mesma que cos­tu­má­va­mos or­ga­ni­zar nas ca­ça­das aos gam­bo­zi­nos? E es­tes seis «es­pe­ci­a­lis­tas» da Transception Incorporation especializaram-se em quê, no ter­ceiro filme dos Transformers? No tra­ba­lho dos fo­tó­gra­fos pa­pa­razzi?

 

Esperem, nem tudo é mau

Se as téc­ni­cas de vi­su­a­li­za­ção re­mota mos­tram que os as­tro­nau­tas vi­ram ET’s na Lua, en­tão isso sig­ni­fica que afi­nal de con­tas sem­pre fo­mos lá, não é tanga!

Como re­sol­ver o pa­ra­doxo? Será pos­sí­vel criar um ca­len­dá­rio es­pe­ci­fi­ca­mente para cren­tes em te­o­rias da cons­pi­ra­ção anti-NASA?

Por exem­plo, à se­gunda e terça acre­di­tar que as mis­sões Apollo são uma farsa dos ame­ri­ca­nos, à quarta e quinta ju­rar a pés jun­tos que a NASA es­con­deu os ET’s na Lua, e dei­xar a sexta-feira para a con­sulta no psicólogo?

→ 24/01/2012 @10:40

SPA e o mistério das aspas

A SPA (Sociedade Portuguesa de Autores) pu­bli­cou um do­cu­mento in­ti­tu­lado «Dez coi­sas que de­ve­ria sa­ber so­bre a Lei da Cópia Privada». O PDF pode ser lido aqui, se quiserem.

O texto está di­vi­dido em dez pon­tos, dez per­gun­tas com as res­pe­ti­vas res­pos­tas. As per­gun­tas fo­ram ela­bo­ra­das pela pró­pria SPA, obe­de­cendo ao ve­lho pa­ra­digma se que­res dar as me­lho­res res­pos­tas pos­sí­veis, certifica-te de que és tu a fa­zer as per­gun­tas.

O do­cu­mento tam­bém faz um uso muito pe­cu­liar das as­pas. E é ape­nas so­bre as as­pas que quero fa­lar. Porque as as­pas da SPA dão-me tanta in­for­ma­ção como o do­cu­mento in­teiro, ela­bo­rado com base em coi­sas, coi­si­nhas e petas. (*)

 

Aspas en­tre aspas

Security Guard, {link url=“http://www.unnecessaryquotes.com/”}The Book of ‘Unnecessary’ Quotation Marks{/link}

As as­pas apa­re­cem logo a se­guir à per­gunta nú­mero 1: «Qual é o mo­tivo pelo qual a ta­rifa tem que ser apli­cada aos equi­pa­men­tos e su­por­tes se os mes­mos tam­bém po­dem ser usa­dos ape­nas para fins pes­so­ais?»

Resposta: «os ca­sos par­ti­cu­la­res de equi­pa­men­tos ex­clu­si­va­mente uti­li­za­dos para a re­pro­du­ção e ar­ma­ze­na­gem de “con­teú­dos” pró­prios não são um “comportamento-padrão”»

Não per­cebo as as­pas à volta da pa­la­vra con­teú­dos. Teria a SPA a gen­ti­leza de ex­pli­car a di­fe­rença en­tre con­teú­dos e “con­teú­dos”, en­tre comportamento-padrão e “comportamento-padrão”?

Talvez não se­jam as­pas, mas pinças.

Os con­teú­dos in­de­pen­den­tes pro­du­zi­dos pe­los ci­da­dãos que não es­tão sob a al­çada da SPA são dis­fun­ções no­jen­tas no sis­tema na­ci­o­nal de re­co­lha de fun­dos a que cha­ma­ram pro­jeto lei 118.

Deve-se por­tanto pe­gar nessa pa­la­vra com pin­ças es­te­ri­li­za­das, tal como se deve fa­zer o mesmo com os ex­tra­ter­res­tres ma­nho­sos que pro­du­zem tais con­teú­dos: fo­tó­gra­fos, ci­ne­as­tas, mú­si­cos, es­tu­dan­tes, de­sig­ners, ilus­tra­do­res, essa cam­bada toda que anda a po­luir a net com li­cen­ças in­fec­ci­o­sas da Creative Commons.

Também pode dar-se o caso de as as­pas não se­rem pin­ças, mas brin­cos ou pi­er­cings.

Se for as­sim, en­tão é ób­vio que “con­teúdo” sig­ni­fica que a SPA acha que é tudo tanga, a malta anda toda a ar­ma­ze­nar con­teúdo pi­rata; e que o “comportamento-padrão” des­ses pro­du­to­res in­de­pen­den­tes é o dos mar­gi­nais que an­dam na má vida do down­load ile­gal. É uma vi­são pre­con­cei­tu­osa da so­ci­e­dade, um bo­ca­di­nho bota de elás­tico, mas é tam­bém uma es­tra­té­gia de Relações Públicas.

Menções mais ou me­nos ve­la­das à pi­ra­ta­ria têm sido fei­tas e con­ti­nu­a­rão a ser fei­tas pe­los de­fen­so­res deste acordo, mesmo que o as­sunto nada te­nha a ver com a có­pia pri­vada: é uma forma fá­cil de a SPA se ele­var mo­ral­mente numa dis­cus­são di­ante de ci­da­dãos me­nos informados.

Se a SPA é ca­paz de ti­pi­fi­car e iso­lar com­por­ta­men­tos so­ci­ais usando ape­nas umas sim­ples as­pas, o que po­derá fa­zer com pa­la­vras e fra­ses inteiras?

Resposta: «os ca­sos par­ti­cu­la­res de equi­pa­men­tos ex­clu­si­va­mente uti­li­za­dos para a re­pro­du­ção e ar­ma­ze­na­gem de “con­teú­dos” pró­prios não são um “comportamento-padrão”. Os no­vos su­por­tes e equi­pa­men­tos são hoje uti­li­za­dos, mai­o­ri­ta­ri­a­mente e em larga es­cala, para ar­ma­ze­nar e re­pro­du­zir obras e pres­ta­ções pro­te­gi­das».

Estão a ver? Com as as­pas, isola com­por­ta­men­tos in­di­vi­du­ais; com uma frase, a SPA já é ca­paz de de­fi­nir o com­por­ta­mento de uma so­ci­e­dade inteira.

 

Sim, é extorsão

Estamos to­dos sob o jugo do prin­cí­pio da cul­pa­bi­li­dade, em­bora por au­sên­cia de es­tu­dos cre­dí­veis seja pre­fe­rí­vel chamar-lhe prin­cí­pio do ovo no cu da ga­li­nha. E ga­li­nhas se­re­mos nós, se os dei­xar­mos le­var por di­ante este ela­bo­rado es­quema de extorsão.

A Internet dá a mi­lhões de pes­soas a opor­tu­ni­dade de par­ti­lhar e dis­tri­buir os seus pró­prios con­teú­dos: as pes­soas fazem-no em blo­gues, no YouTube, no SoundCloud, nas re­des so­ci­ais. Este pro­cesso ca­rece de me­di­a­do­res e es­tes ar­tis­tas não pre­ci­sam de representação.

Como não é pos­sí­vel fe­char a Internet ou obri­gar as pes­soas a pres­cin­dir das suas li­vres es­co­lhas, en­tão resta à SPA mi­ni­mi­zar pu­bli­ca­mente a sua im­por­tân­cia e nú­mero, e trans­for­mar os dis­po­si­ti­vos de ar­ma­ze­na­mento numa nova joia de ins­cri­ção: mesmo que te­nhas de­ci­dido não registar-te na SPA, tens de pa­gar para gra­var o que é teu.

Se fi­ze­res parte dos ami­gui­nhos da SPA en­tão já po­de­rás ser re­co­nhe­cido como le­gí­timo pro­du­tor au­di­o­vi­sual ou ar­tista (sem en­fren­tar um in­ferno bu­ro­crá­tico) e fi­car isento de taxa. É uma oferta que nin­guém pode recusar.

 

(*) Para uma aná­lise mais acu­ti­lante e as­ser­tiva a todo o do­cu­mento, pre­firo encaminhá-los para o post da Maria João Nogueira: é as­sim a Net, uma di­nâ­mica de par­ti­lha imparável.

Também não fui o único — nem o pri­meiro — a es­tra­nhar as as­pas da SPA. Leiam este ex­ce­lente post n’A Loja do Mestre João: «10 coi­sas que a SPA não sabe so­bre a lei da Cópia Privada».

→ 23/01/2012 @19:18

Esta foto precisa urgentemente de uma legenda

Foto: Leonardo Negrão/Global Imagens

Não sei quem é o au­tor desta foto e quando foi ti­rada, in­fe­liz­mente, mas não re­sisti em mostrá-la aqui por cap­tar um mo­mento extraordinário.

Das duas uma: a pos­tura robô­que­que do mi­nis­tro Gaspar é ape­nas pose de Estado e no fundo o ho­mem é um bo­na­chei­rão amante da farra; Passos Coelho co­me­teu a pro­eza de des­co­brir a me­lhor ane­dota do mundo e re­sol­veu contá-la ali mesmo. Sugestões?