→ 28/10/2011 @19:42

Crise? Qual crise?

A Worten man­dou um co­mu­ni­cado anun­ci­ando a co­mer­ci­a­li­za­ção do novo iPhone 4S pela mó­dica quan­tia de 1299 eu­ros — ou seja, vai vendê-lo a mais do do­bro do preço a que o mesmo mo­delo (tam­bém des­blo­que­ado) é ven­dido em Espanha.

Aposto que mesmo as­sim mui­tos fa­rão fila para ale­gre­mente se dei­xa­rem rou­bar, só para usu­fruir da dú­bia van­ta­gem de se­rem os pri­mei­ros em Portugal a ter o pre­ci­oso iPhone. Nunca ten­tem im­pe­dir que um pa­lerma se se­pare do seu di­nheiro, é inútil…

→ 23/10/2011 @23:43

Portem-se bem


Longe de mim que­rer com­pa­rar a ex­pres­são de Passos Coelho à do chefe de co­zi­nha su­eco de Os Marretas ou a se­nhora Merkel à Miss Piggy, mas há ele­men­tos na­quela foto de Benoit Doppagne que me su­ge­rem uma as­so­ci­a­ção en­tre a ci­meira de 27 che­fes de Estado da Europa em Bruxelas e a sé­rie de te­le­vi­são de Jim Henson.

Não sei bem porquê – tal­vez seja uma ques­tão de di­nâ­mica en­tre as figuras.

Por te­rem sido fo­to­gra­fa­dos an­tes da pose ofi­cial – a cha­mada fo­to­gra­fia de fa­mí­lia – os se­nho­res em Bruxelas apa­re­cem de uma forma tão de­sa­li­nhada que me fi­ze­ram lem­brar os ha­bi­tu­ais pla­nos fi­nais de Os Marretas, não sei se re­cor­dam, quando a bo­ne­cada em amena ca­va­queira se reu­nia toda à volta do con­vi­dado especial?

Talvez o pres­sen­ti­mento de que to­dos eles – até a se­nhora Merkel – são ma­ri­o­ne­tas do sis­tema fi­nan­ceiro mun­dial te­nha aju­dado a es­ta­be­le­cer esta associação.

A foto de baixo não é me­nos im­pres­si­o­nante: a pose dos bo­ne­cos faz lem­brar pre­ci­sa­mente o mo­mento em que to­dos os che­fes de Estado se cos­tu­mam reu­nir para a fo­to­gra­fia ofi­cial, to­dos ali­nha­di­nhos e ali­nha­va­dos a en­fren­tar os olhos in­di­fe­ren­tes da opi­nião pú­blica europeia.

Combinadas as duas ima­gens, fico com a des­con­for­tá­vel ideia de não sa­ber em qual das re­a­li­da­des me devo en­cai­xar. Não sei se a foto de cima re­pre­senta o fi­nal de um epi­só­dio de Os Marretas ou se a ou­tra em baixo é a fo­to­gra­fia ofi­cial da Cimeira de Bruxelas.

Talvez a as­so­ci­a­ção en­tre um evento para adul­tos e um pro­grama para cri­an­ças se deva a umas de­cla­ra­ções re­cen­tes do pre­si­dente fran­cês Sarkosy: «Portugal está no bom ca­mi­nho», disse ele, referindo-se à forma como es­ta­mos a cum­prir o que acor­dá­mos com a troika.

Ao ler es­tas de­cla­ra­ções imaginei-o sor­ri­dente e bem dis­posto, aca­ba­di­nho de sair do hos­pi­tal onde a primeira-dama deu à luz, a dar uma fes­ti­nha na ca­beça deste Portugal dos pequeninos.

Esqueçam a Arte, a Cultura, a História — so­mos pe­que­ni­nos por­que não te­mos dinheiro.

Talvez es­teja a exa­ge­rar, mas quan­tas ve­zes nas úl­ti­mas se­ma­nas te­mos es­cu­tado elo­gios se­me­lhan­tes em tom e con­teúdo da se­nhora Merkel, da diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, e de mais não sei quan­tos es­tran­gei­ros de quem nunca ou­vi­mos fa­lar mas que fa­lam de nós como se nos co­nhe­ces­sem desde sempre?

Portugalzinho já não está na cauda da Europa, está no canto da Europa, vi­rado de cos­tas a con­tem­plar o oce­ano – não é para ex­plo­rar, é por es­tar de castigo.

Mas te­nha­mos es­pe­rança em re­creios me­lho­res e mai­o­res por­que os nos­sos ir­mãos mais ve­lhos da Europa, sem­pre com­pre­en­sí­veis e com fes­ti­nhas de in­cen­tivo, acham que nos es­ta­mos a por­tar bem.

→ 20/10/2011 @23:35

Khadafi e a bala

E pronto, o mundo livrou-se de mais um ditador.

Khadafi aca­bou co­berto de san­gue e de­sonra, um pa­lhaço de­cré­pito amar­ro­tado en­tre uma mul­ti­dão de «ra­ta­za­nas» em jú­bilo, de­se­jo­sos de lhe lim­par o sebo.

Os ví­deos do co­ro­nel «Cão Raivoso» ar­ras­tado pe­los re­bel­des quando es­tava semi-vivo e exi­bido nas ruas já de­pois de morto an­dam a ser mos­tra­dos pe­los me­dia on­line e te­le­vi­sões sem gran­des pu­do­res, mas es­tas coi­sas são as­sim: to­das as his­tó­rias têm um prin­cí­pio, meio e fim, esta foi uma longa no­vela e a malta pre­ci­sava mesmo de um fi­nal apoteótico.

Seria muito abor­re­cido pro­lon­gar este circo com jul­ga­men­tos e obri­gar as Democracias oci­den­tais a as­sis­tir à pe­nosa ten­ta­tiva de Khadafi de evo­car os bons ve­lhos tem­pos que pas­sou na com­pa­nhia dos ex-amigos eu­ro­peus. Estes con­de­na­rão a exe­cu­ção su­má­ria, como manda o có­digo da boa pos­tura, mas já não te­rão ata­ques de di­ar­reia ou su­o­res frios du­rante a noite ao pen­sar nos tem­pos em que de­ram umas pal­ma­di­nhas nos om­bros do co­ro­nel assassino.

O povo lí­bio, sub­ju­gado du­rante dé­ca­das pelo dés­pota, não anda com pa­ci­ên­cia para sub­ti­le­zas e fes­teja a exe­cu­ção como um ato de Justiça. Tudo está bem quando acaba bem.

Joe Heller

Levou um tiro nos cor­nos e vai pa­rar ao Inferno, é certo. Tenho tanta pre­o­cu­pa­ção pelo des­tino do crá­pula como vo­cês, mas tam­bém não te­nho grande sim­pa­tia pela bala que o matou.

Ao con­trá­rio do Khadafi, cujo corpo se vai des­fa­zer em pó e misturar-se no de­serto, a bala que o ma­tou está viva, de boa saúde e recomenda-se.

Não se sabe bem de onde veio esta, mas é muito pro­vá­vel que te­nha sido fa­bri­cada e for­ne­cida por um dos paí­ses que ar­ma­ram Khadafi ao longo de vá­rios anos: Estados Unidos, Rússia, Áus­tria, Bélgica, Reino Unido, Bulgária, República Checa, França, Alemanha e Itália.

E não deixa de ser uma do­lo­rosa iro­nia do des­tino que a Amnistia Internacional, pou­cas ho­ras an­tes de Khadafi ser exe­cu­tado, te­nha de­nun­ci­ado to­das aque­las na­ções como as for­ne­ce­do­ras de «ar­mas, mu­ni­ções e o equi­pa­mento mi­li­tar e po­li­cial», desde pelo me­nos 2005, às «di­ta­du­ras» do Egito, Bahrein, Líbia, Síria e Iémen – pre­ci­sa­mente os paí­ses onde o povo se re­be­lou con­tra a repressão.

Ninguém pode di­zer que esta gente não sabe fa­zer bons ne­gó­cios: arma-se o opres­sor e os que de fu­turo se re­be­la­rão con­tra o opres­sor. Entre mor­tos e fe­ri­dos, ví­ti­mas e car­ras­cos, lucra-se sem­pre. E agora que o ne­gó­cio Khadafi foi con­cluído com uma bala na ca­beça, esperam-se no­vas e ex­ci­tan­tes opor­tu­ni­da­des de ne­gó­cio para to­dos os investidores.

→ 12/10/2011 @19:10

Acabou-se a pera doce

Sete me­ses e dez dias de­pois de ter caído na Internet a pri­meira foto da Scarlett a fa­zer bei­ci­nho com as ná­de­gas, o FBI anun­ciou a de­ten­ção do prin­ci­pal sus­peito pelo ga­manço das fo­tos no iPhone da atriz e de vá­rias ce­le­bri­da­des americanas.

A ope­ra­ção dos Serviços Secretos foi de tal monta que até teve di­reito a uma de­sig­na­ção es­pe­cial: Operação Hackerazzi. Tanta efi­ci­ên­cia leva-me a pen­sar nas mo­ti­va­ções dos ho­mens do bu­reau. Se eu fosse agente do FBI, es­ta­ria de­se­joso de re­co­lher e ava­liar cui­da­do­sa­mente as pro­vas do crime.

Bem, vo­cês sa­bem o que isso sig­ni­fica, não é? Acabou-se a mama. E a ná­dega, tam­bém. Pior: tão cedo se­rei ca­paz de in­ven­tar um pre­texto para co­lo­car aqui uma foto da Scarlett. Isto não se faz aos blo­gues sé­rios e respeitáveis.

→ 07/10/2011 @9:35

Cagaços, Lda

O que mais im­pres­si­ona neste hi­la­ri­ante con­junto de fo­tos é a quan­ti­dade de ve­zes que ve­mos ma­chos graú­dos to­dos bor­ra­dos de medo, escondendo-se atrás das «frá­geis» com­pa­nhei­ras re­pre­sen­tan­tes do «sexo fraco».

Mas este post é todo ele ima­gem, por isso passo a ex­pli­car as cir­cuns­tân­cias em que es­tas fo­to­gra­fias fo­ram ti­ra­das: es­tes são os vi­si­tan­tes de uma das mais fa­mo­sas e con­cor­ri­das «ca­sas as­som­bra­das» do mundo, a Nightmare Fear Factory, lo­ca­li­zada perto das ca­ta­ra­tas do Niágara, no Canadá.

Portanto é malta que sabe como divertir-se, vejam

e pronto.

A Nightmare Fear Factory é uma em­presa fa­bri­cante de ca­ga­ços e tem uma pá­gina no Flickr com uma co­le­ção de cli­en­tes de­vi­da­mente as­sus­ta­dos – ou seja, sa­tis­fei­tos. Esta é ape­nas uma pe­quena parte de uma ga­le­ria de fo­tos de gente à beira de um ata­que de ner­vos… Vale a pena ver, claro. (Gamado aqui)

→ 04/10/2011 @22:19

Aqui também se fala do novo iPhone

Os ge­eks da mi­nha ti­me­line no Twitter pu­la­ram de ex­ci­ta­ção pe­rante a pos­si­bi­li­dade de a Apple apre­sen­tar hoje o iPhone5, mas afi­nal de con­tas anun­ciou o iPhone 4S.

Os nerds de Portugal po­dem con­tar com toda a sim­pa­tia e so­li­da­ri­e­dade do Bitaites: deve ser ter­rí­vel es­pe­rar um 5 e aca­bar com um 4S. Um cinco é mais bo­nito, mo­derno, tem mais pinta, é mais con­clu­dente e pos­sui mais ló­gica: a se­guir ao 4 cos­tuma vir um cinco.

Se os fan­boys da Apple vi­ves­sem no mundo mais cin­zento dos PC já es­ta­riam bem pre­pa­ra­dos para es­tas re­vi­ra­vol­tas: não se es­que­çam que mui­tos de nós, os ti­pos dos PC – ir­re­me­di­a­vel­mente feios, bar­ri­gu­dos e ves­ti­dos com fa­tos da Maconde – tes­te­mu­nha­ram in loco a pas­sa­gem do Windows 98 para Windows 98SE e, fi­nal­mente, Windows Me.

Do Me pas­sá­mos para o 2000, do 2000 para o XP, do XP para o Vista e do Vista para o Seven. Há quem diga que tem sido uma ex­pe­ri­ên­cia con­fusa e traumatizante.

Mas a Apple é de­ma­si­ado cool para se guiar pela ló­gica do 1, 2, 3, 4, 5 e muito me­nos pe­las tro­pe­lias da Microsoft, e de­cre­tou, para enorme sur­presa dos en­tu­si­as­tas, que a se­guir ao 4 vem um S.

E em­bora o novo gad­get es­teja cheio de ape­ti­to­sas no­vi­da­des tec­no­ló­gi­cas, não con­sigo dei­xar de as­so­ciar esta de­sig­na­ção 4S às ve­lhi­nhas Renault que cir­cu­la­ram nas es­tra­das a par­tir da se­gunda me­tade do sé­culo passado.

Mas não pen­sem que lá por ser re­la­ti­va­mente imune à ten­ta­ção da maçã es­crevo este post para des­va­lo­ri­zar o iPhone 4S.

Na ver­dade, se al­guma vez na vida um geek olhou em­be­ve­cido para o seu gad­get e bal­bu­ciou, como um pai ba­bado, «só lhe falta fa­lar», a Apple tem uma grande sur­presa: o novo iPhone já fala.

Chama-se Siri e foi-nos apre­sen­tada como uma as­sis­tente pes­soal de voz.

Sendo da Apple, gosto de imaginá-la como uma ra­pa­riga muito ele­gante e jeitosinha.

A pres­tá­vel Siri diz-nos como está o tempo, ativa-nos o des­per­ta­dor, dá-nos di­re­ções e lo­ca­li­za­ções e pon­tos de in­te­resse, res­ponde a men­sa­gens e só não nos apalpa o cu por­que até a Apple con­si­dera que de­vem exis­tir li­mi­tes para o grau de so­ci­a­li­za­ção de um nerd com o seu iPhone.

É en­gra­çado, mas esta so­lu­ção já ti­nha sido pre­vista pela pró­pria Apple em 1987, se­gundo ga­rante o au­tor deste post, quando a em­presa criou um ví­deo onde se de­mons­trava o con­ceito do que se­ria «um fu­turo com­pu­ta­dor da Apple»: há 24 anos, já se ima­gi­nava um tou­chs­creen e um as­sis­tente de voz, o Knowledge Navigator.

Eu mantenho-me longe da Apple e re­la­ti­va­mente in­sen­sí­vel às suas ma­ra­vi­lhas – perdoem-me a he­re­sia –, mas as­sumo a mi­nha cos­tela geek e es­pero que me con­ti­nuem a acom­pa­nhar neste post.

Já re­pa­ra­ram com cer­teza na­quele mag­ní­fico sou­tien equi­pado com os bo­tões da Nintendo. Quantas ve­zes não de­se­já­mos pas­sar uma noite in­teira na jogatana?

E este con­junto de lin­ge­rie ins­pi­rado no mí­tico Pac-Man?

Quem nunca fi­cou com cara de Pac-Man ao se apro­xi­mar de um belo par de ma­mi­nhas que le­vante a mão (mas não use aquela em que está a se­gu­rar o iPhone 4S!)