→ 13/12/2012 @19:32

Esculturas de fogo e fósforo

Stanislav Aristov, um russo de 29 anos, não cria es­cul­tu­ras no sen­tido em que um dia as po­de­re­mos ver exi­bi­das num mu­seu. Mas cria-as, de qual­quer modo: for­mas efé­me­ras fei­tas de cha­mas e fós­fo­ros de co­zi­nha. Depois fotografa-as re­cor­rendo a uma ob­je­tiva ma­cro para que os fan­tás­ti­cos de­ta­lhes não se per­cam para sempre.

O re­sul­tado?

Stanislav Aristov Stanislav Aristov Stanislav Aristov Stanislav Aristov Stanislav Aristov Stanislav Aristov Stanislav Aristov

É ex­tra­or­di­ná­rio, este tipo.

Stanislav Aristov nas­ceu em Yekaterimburgo – a ci­dade onde em ju­lho de 1918 o úl­timo czar da Rússia, Nicolau II, e toda a sua fa­mí­lia, fo­ram exe­cu­ta­dos. Ainda não teve opor­tu­ni­dade de sair do país e mos­trar as suas fo­tos no es­tran­geiro, como pre­ten­dia. Para com­pen­sar, a Internet deu-lhe uma ex­po­si­ção mundial.

→ 13/12/2012 @11:56

Topless na rua, pancadaria no Parlamento

Genya Savilov

Fotos: Genya Savilov

Enquanto no ex­te­rior do Parlamento, em Kiev, as fe­mi­nis­tas do FEMEN pro­tes­ta­vam de ma­mas ao léu con­tra a cres­cente cor­rup­ção po­lí­tica na Ucrânia e eram ar­ras­ta­das dali para fora, de­pu­ta­dos recém-eleitos da opo­si­ção e do Governo an­da­vam à ba­tata em pleno hemiciclo.

Um grande dia para os fo­tó­gra­fos, portanto:

Sergei Supinsky

Sergei Supinsky

Sergei Supinsky

Sergei Supinsky

A luta co­me­çou quando dois dos de­pu­ta­dos da opo­si­ção – pai e fi­lho, cu­ri­o­sa­mente – ten­ta­ram to­mar posse e fo­ram im­pe­di­dos pe­los pró­prios co­le­gas de par­tido. Porquê? Por sus­pei­ta­rem que aque­les dois eram uns vira-casacas que se ti­nham pas­sado para o lado go­ver­na­men­tal à má fila.

Tal como nos ve­lhos fil­mes de cau­bóis (ou em co­mé­dias), a con­fu­são re­ben­tou, a pan­ca­da­ria alas­trou e o he­mi­ci­clo transformou-se num sa­loon do ve­lho Oeste americano.

Sergei Supinsky

Fotos: Sergei Supinsky

O po­lí­cia nesta úl­tima foto é o ele­mento mais im­pres­si­o­nante de en­tre to­das as ima­gens. Olhem para a sua ex­pres­são. Conseguem escutar-lhe os pen­sa­men­tos? Está a di­zer «Aqueles doi­dos que se en­ten­dam, isto não é nada co­migo, não é nada co­migo, não é nada co­migo…»

→ 12/12/2012 @22:40

Nudez Made in USA

Desde que Eva deu uma trinca na maçã da Ár­vore do Conhecimento que mui­tos dos seus des­cen­den­tes têm um pro­blema: a nu­dez pú­blica é em­ba­ra­çosa. Eu que o diga, pois uma vez ten­tei fa­zer nu­dismo e não fui capaz.

São Francisco, con­tudo, sem­pre foi uma ci­dade li­be­ral até para os pa­drões ca­li­for­ni­a­nos: qual­quer tran­seunte po­de­ria, caso en­ten­desse, es­ten­der a sua op­ção pelo nu­dismo às ruas da ci­dade sem te­mer re­pre­sá­lias legais.

Tudo isso mu­dou quando o Governo de São Francisco apro­vou na terça-feira (seis vo­tos a fa­vor, cinco con­tra) a proi­bi­ção da nu­dez nos es­pa­ços pú­bli­cos. Havia de­ma­si­a­das quei­xas de pes­soas que não gos­ta­vam de ver ho­mens nus a ca­mi­nhar pe­las ruas.

Sendo as­sim, a par­tir de agora, de­cre­tou o Governo, a nu­dez só é per­mi­tida a cri­an­ças com me­nos de cinco anos; as mu­lhe­res po­dem fa­zer to­pless e os gays po­dem ti­rar a roupa du­rante as pa­ra­das – to­das as ou­tras si­tu­a­ções es­tão banidas.

Os adep­tos do nu­dismo con­tes­tam esta me­dida, afir­mando que a ci­dade lhes está a im­por, pela via cri­mi­nal, um có­digo de con­duta do ves­tuá­rio. E quando a de­ci­são foi anun­ci­ada du­rante a ses­são le­gis­la­tiva na sede do mu­ni­cí­pio, mui­tos mar­ca­ram pre­sença de­vi­da­mente ves­ti­dos – para de­pois da­rem larga à sua re­volta mos­trando que le­va­vam este as­sunto a peito.

Justin Sullivan

Justin Sullivan

Fotos: Justin Sullivan

Não foi o peito que a im­prensa mos­trou, con­tudo, mas ra­bos – mui­tos ra­bos. Existe um tabu na im­prensa norte-americana: nunca mos­trar um nu fron­tal, mesmo que a no­tí­cia seja a pró­pria nu­dez e a fron­ta­li­dade dessa nu­dez seja a me­lhor forma de trans­mi­tir a força dessa notícia.

Enquanto os po­lí­cias co­briam apres­sa­da­mente to­dos os pro­tes­tos com gran­des co­ber­to­res, os fo­tó­gra­fos colocavam-se es­tra­te­gi­ca­mente nas cos­tas dos nu­dis­tas para fu­gir ao tabu. Uma du­pla co­ber­tura do acontecimento.

 

Barbies e mor­fo­lo­gias simplificadas

Julie Oliver/The Ottawa Citizen

Julie Oliver/The Ottawa Citizen

Nada como nu­dez e sexo para cau­sar po­lé­mica e ti­rar de­vi­den­dos co­mer­ci­ais. Uma «sex-shop» re­cen­te­mente inau­gu­rada em Otawa, no Canadá – Wicked Wanda´s Adult Emporium –  re­sol­veu co­lo­car bo­ne­cos do Ken e da Barbie em po­si­ções se­xu­ais ins­pi­ra­das numa besta cé­lere da li­te­ra­tura, «50 Sombras de Grey».

Colocar os bo­ne­cos em si­tu­a­ções du­vi­do­sas e com­pro­me­te­do­ras nem se­quer é uma ideia muito original.

A fo­tó­grafa Mariel Clayton trans­for­mou a Barbie e o Ken em per­so­na­gens gro­tes­cas de um en­redo gore; é pos­sí­vel que a se­nhora Ruth Handler, cri­a­dora da bo­ne­cada as­se­xu­ada, te­nha fa­le­cido pela se­gunda vez quando vis­lum­brou a ga­le­ria ma­ca­bra a par­tir da ja­nela da ca­si­nha cor de rosa que o me­nino Jesus lhe mon­tou no Além.

Clayton  in­ven­tou Barbies as­sas­si­nas. Barbies que abor­tam. Kens que vi­o­lam. Kens que se dei­xam so­do­mi­zar. Kens que fa­zem poucas-vergonhas com ou­tros Kens. Clayton irá ar­der nos fo­gos do Inferno.

Resta sa­ber o que in­co­moda os ha­bi­tan­tes da ci­dade na­quela mon­tra: Ken e Barbie em pi­no­cada de­sen­fre­ada ou a ideia de ver bo­ne­cos sem ór­gãos se­xu­ais em pi­no­cada de­sen­fre­ada. Um nu­dista de São Francisco cer­ta­mente es­tra­nha­ria que a ré­plica de um ser hu­mano per­feito sem ór­gãos se­xu­ais fosse vista como «na­tu­ral» para uma cri­ança. Será a Barbie uma ver­são dis­tor­cida da mor­fo­lo­gia sim­pli­fi­cada de que fa­lam os biólogos?

Seja como for – e como Lavoisier nos en­si­nou – «Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se trans­forma». Nem uma es­pé­cie ca­paz de criar uma Barbie é ca­paz de con­tra­riar o facto de fa­zer parte da Natureza.

Por exem­plo, uma equipa che­fi­ada por Gill Bejerano, pro­fes­sor as­sis­tente em Biologia do Desenvolvimento, ex­pli­cou esta se­mana num ar­tigo pu­bli­cado pela Nature que os pé­nis dos ho­mens já ti­nham tido es­pi­nhas de que­ra­tina (uma pro­teína sin­te­ti­zada por mui­tos ou­tros ani­mais) e que a perda de de­ter­mi­na­das sequên­cias no ADN du­rante a evo­lu­ção pro­du­zira uma mor­fo­lo­gia mais sim­pli­fi­cada do ór­gão masculino.

Espinhas, es­tão a ver? Morfologias sim­pli­fi­ca­das. Por ou­tras pa­la­vras: ga­jos como eu, in­ca­pa­zes de pra­ti­car nu­dismo, ainda têm umas quan­tas es­pi­nhas com­pli­ca­das de tirar.

Claro que este tra­ba­lho dos in­ves­ti­ga­do­res não é ra­zão para fi­car­mos en­tu­si­as­ma­dos. Não vai mu­dar nada no nosso dia-a-dia. Ou seja, se por acaso uma bo­nita ra­pa­riga vos sor­rir e pis­car o olho en­quanto diz que pre­fere peixe sem es­pi­nhas, não é acon­se­lhá­vel in­ter­pre­ta­rem a frase do ponto de vista es­tri­ta­mente mor­fo­ló­gico e pu­xa­rem as cal­ças para baixo só para pro­var que o de­vasso do Darwin sem­pre teve ra­zão –  a não ser que a ra­pa­riga seja uma bió­loga es­pe­ci­a­li­zada em em­bri­o­lo­gia, por exem­plo. Nesse caso, força, não se fa­çam de rogados.

Mas é fan­tás­tico como a Evolução pa­rece ter en­vi­ado uma men­sa­gem aos le­gis­la­do­res de São Francisco, como se de facto ti­vesse pre­ten­dido di­zer: «Nus – e daí? É sem es­pi­nhas, pá».

→ 12/12/2012 @1:13

Como se fazem bebés

Quando soube que a mu­lher es­tava grá­vida, o fo­tó­grafo ca­na­di­ano Patrice Laroche, 45 anos, pen­sou que de­via criar uma ses­são de fo­to­gra­fias muito es­pe­cial.  Idealizou en­tão uma sé­rie de ima­gens mos­trando seis fa­ses da gra­vi­dez da mu­lher, Sandra Denis.

Decidiu tam­bém criar a sua pró­pria ver­são de como os be­bés vêm ao mundo – nada de ce­go­nhas, mas um com­pres­sor de ar. Resultado:

Patrice Laroche
0000aa1c_big
0000aa1d_big
0000aa1e_big
Patrice Laroche
0000aa1f_big
0000aa20_big

É certo que nem tudo fo­ram ex­plo­sões e gar­ga­lha­das. Patrick per­deu os seus ócu­los de sol numa das vi­a­gens e foi obri­gado a sa­cri­fi­car a con­ti­nui­dade con­cep­tual à quarta foto. A mu­lher tam­bém teve de se des­cal­çar, pois já não aguen­tava aque­las bo­tas por ter os pés inchados.

As pri­mei­ras qua­tro fo­tos fo­ram ob­ti­das com o tem­po­ri­za­dor mar­cado para os dez se­gun­dos, mas as úl­ti­mas duas – com a bebé Justine – ti­ve­ram de ser ti­ra­das por um amigo.

Mas que in­te­res­sam es­ses de­ta­lhes quando o re­sul­tado é es­pi­ri­tu­oso e cheio de humor?

Patrice par­ti­lhou a sequên­cia no Facebook e o su­cesso foi es­tron­doso. Aconteceu en­tão o ha­bi­tual quando algo se torna vi­ral na Internet: os me­dia tra­di­ci­o­nais re­pa­ra­ram e fi­ze­ram uma re­por­ta­gem. Pouco me­nos de um ano de­pois da pri­meira foto ser ti­rada (27 de de­zem­bro de 2011), o pai ba­bado foi con­tac­tado por Steve Robson, cor­res­pon­dente do Daily Mail em Nova Iorque, in­te­res­sado em apu­rar a história.

A peça foi pu­bli­cada a 8 de de­zem­bro, as fo­tos tornaram-se mun­di­al­mente co­nhe­ci­das e es­tes mo­men­tos de fe­li­ci­dade e or­gu­lho do ca­sal são agora do do­mí­nio público.

→ 11/12/2012 @22:21

As 100 melhores fotos de 2012 (Parte 3)

Esta é uma lista das 100 me­lho­res fo­tos de 2012 apre­sen­ta­das em sete ar­ti­gos – decidi-me por esta di­vi­são por­que 2012 ainda não aca­bou e as­sim te­rei pos­si­bi­li­dade de in­cluir fo­tos ti­ra­das ainda este mês. A pri­meira parte, já pu­bli­cada, está aqui; a se­gunda pode ser vista neste link; a quarta es­tará on­line dia 15; a quinta, 18; a sexta, dia 22. As últi­mas dez fo­tos se­rão as me­lho­res do Desporto e sai­rão dia 29.

Um aviso: passam-me pe­los olhos cen­te­nas de fo­tos por dia das gran­des agên­cias, da Reuters, AFP até à Agência Lusa – al­gu­mas muito per­tur­ba­do­ras. Procuro sem­pre ter cui­dado com as que es­co­lho, mas desta vez devo avisar-vos que al­gu­mas ima­gens po­dem ser muito vi­o­len­tas.

 

Minzayar

Um fo­tó­grafo pode es­tar bem ca­le­jado e re­a­gir ape­nas com a má­quina fo­to­grá­fica a ce­ná­rios muito vi­o­len­tos:  foi o caso do ata­que a um bairro mu­çul­mano na vila pis­ca­tó­ria de Kyaukphyu, na Birmânia, re­sul­tado de ten­sões re­li­gi­o­sas en­tre aquele grupo re­li­gi­oso e os bir­ma­ne­ses de et­nia arracanesa.

Os ata­can­tes ti­nham in­cen­di­ado as ca­sas e feito de­sa­pa­re­cer o bairro da face do mapa, en­quanto os seus ha­bi­tan­tes fu­giam para nunca mais vol­tar – até hoje.

Tudo essa de­vas­ta­ção o fo­tó­grafo Minzayar tes­te­mu­nhara quando lá che­gou, a 6 de no­vem­bro – mas o que o fez pa­rar, sem re­a­ção, «de co­ra­ção par­tido», in­ca­paz de le­van­tar a câ­mara e fo­to­gra­far, foi a vi­são deste ca­chor­rito que se re­cu­sava a aban­do­nar o ca­dá­ver da mãe, morta du­rante o caos e a violência.

Começou a per­gun­tar às pes­soas se al­guém es­ta­ria dis­posto a ado­tar o fi­lhote. Todas mos­tra­ram tris­teza pela si­tu­a­ção, mas re­cu­sa­ram: a vi­o­lên­cia alas­trava na re­gião e ha­via de­ma­si­ada in­cer­teza em re­la­ção às suas pró­prias vidas.

«Pousei as má­qui­nas e fi­quei por ali a ob­ser­var o cão, cheio de tris­teza. Passado um bo­cado, de­cidi que iria ti­rar a fo­to­gra­fia, cus­tasse o que cus­tasse». Fez fes­ti­nhas no ani­mal, ti­rou mais fo­to­gra­fias, ainda pen­sou em levá-lo para o ho­tel e adotá-lo, mas cedo per­ce­beu que tam­bém não es­tava em con­di­ções de o fazer.

Um ho­mem observara-o, mon­tado numa mota, e aproximou-se gen­til­mente. Disse que não po­dia adotá-lo, mas ofereceu-se para o le­var a um mos­teiro pró­ximo. Talvez aí fosse ali­men­tado e pu­desse so­bre­vi­ver. Levaram-no para o mos­teiro e deixaram-no lá. «Fui em­bora pen­sando que aquele tal­vez fosse o me­lhor lo­cal para ele, mas tam­bém la­men­tando não po­der levá-lo co­migo».

«Uns dias mais tarde, já de­pois de pu­bli­cada a foto, al­guém me te­le­fo­nou a per­gun­tar ‘Minzayar, o que acon­te­ceu ao ca­chorro?’. Só posso res­pon­der que lhe sinto a falta. Agora eu sei, o des­tino da­quele ani­mal é um ponto de in­ter­ro­ga­ção im­pos­sí­vel de apa­gar da mi­nha ca­beça. Pode ter so­bre­vi­vido ou não, mas a marca que dei­xou per­ma­ne­cerá para sem­pre». (Tradução li­vre do ar­tigo Best pho­tos of the year 2012, se­le­ção da Reuters)

Alexandre Meneghini

24 de março: Alexandre Meneghini fo­to­grafa o mo­mento em que um cão per­corre o ca­mi­nho que o Papa fará en­tre os fiéis em Guanajuato, no México.

Gary Cosby Jr.

2 de março: um tor­nado des­truiu a casa de Greg Cook, no Alabama, EUA, mas tudo pa­rece es­que­cido quando re­gressa e des­co­bre que o seu cão so­bre­vi­veu. Gary Cosby Jr., do jor­nal The Decatur Daily, re­gis­tou o mo­mento do reencontro.

Aaron Favila

8 de agosto: o fo­tó­grafo da Associated Press Aaron Favila fo­to­grafa um ho­mem car­re­gando ca­chor­ros para den­tro de casa du­rante as inun­da­ções na ci­dade de Marikina, nas Filipinas. Os cães no te­lhado fa­zem com que esta foto seja ver­da­dei­ra­mente especial.

 

STR

É uma fo­to­gra­fia não as­si­nada, mas im­pres­si­o­nante: a po­lí­cia pro­cura re­mo­ver um carro apa­nhado pe­las on­das tra­zi­das pelo tu­fão Bolaven em Qingdao, na China.

Mukesh Gupta

As mon­ções na Ín­dia dão ori­gem a ven­tos e chu­vas in­ten­sas – são tão pre­vi­sí­veis que, de certa forma, os in­di­a­nos as en­ca­ram com a mesma na­tu­ra­li­dade com que os an­ti­gos egíp­cios en­ca­ra­vam as inun­da­ções sa­zo­nais do Nilo.
Estas inun­da­ções tam­bém dão ori­gem a gran­des fo­tos, como é o caso da que o fo­tó­grafo da Reuters Mukesh Gupta ti­rou em Jammu a 19 de agosto: o rio Tawi trans­bor­dou por causa de uma grande carga de água e cer­cou um templo.

Stephen Wilkes

Uma montanha-russa ar­ras­tada para o Oceano Attlântico de­pois da pas­sa­gem do fu­ra­cão Sandy pela costa dos EUA. Esta ima­gem de Stephen Wilkes dá-nos uma boa pers­pe­tiva da enor­mi­dade e força da tempestade.

Robin Utrecht

Impressionante esta foto de Robin Utrecht: não só pelo dra­ma­tismo da si­tu­a­ção – a água está a che­gar à ja­nela da re­si­dên­cia – como pelo facto de ter cap­tado a ex­pres­são pre­o­cu­pada do dono da casa. As chu­vas e os ven­tos que de­ram ori­gem a es­tas inun­da­ções em Dordrecht, na Holanda, ocor­re­ram no prin­cí­pio deste ano.

Filippo Monteforte

Existem mui­tas fo­tos do aci­dente do Costa Concordia, mas esta que o ita­li­ano Filippo Monteforte cap­tou, a 17 de ja­neiro, é uma das mi­nhas fa­vo­ri­tas.
Adoro que o fa­rol te­nha fi­cado no en­qua­dra­mento: não só nos trans­mite o ta­ma­nho des­co­mu­nal da­quele na­vio como a es­tra­nheza de o ver as­sim, der­ru­bado em águas pouco pro­fun­das. O con­traste en­tre o ver­me­lho do fa­rol e o cin­zento es­bran­qui­çado e des­fo­cado do Concordia faz com que este pa­reça um na­vio fan­tasma – e já o é, na verdade.

Dado Ruvic

Antes de um fu­ne­ral co­le­tivo para as úl­ti­mas 520 ví­ti­mas iden­ti­fi­ca­das do mas­sa­cre de Srebrenica, re­lâm­pa­gos ras­ga­ram os céus do Centro Memorial em Potocari – pre­ci­sa­mente onde as ce­ri­mó­nias fú­ne­bres se re­a­li­za­riam no dia se­guinte, coin­ci­dindo com o 17º ani­ver­sá­rio do mas­sa­cre.
Em ju­lho de 1995, mais de 8000 mil bós­nios mu­çul­ma­nos fo­ram mor­tos pe­las for­ças do Exército Bósnio da Sérvia co­man­da­das pelo ge­ne­ral Ratko Mladic. Os re­lâm­pa­gos dão à foto de Dado Ruvic uma res­so­nân­cia quase bíblica.


 

Todos os me­ses a Lua atinge o seu pe­ri­geu – o ponto em que a sua ór­bita se en­con­tra mais perto da Terra. Nem to­dos os me­ses, con­tudo, esse fe­nó­meno na­tu­ral e nada ca­tas­tró­fico coin­cide com uma Lua Cheia – daí a de­sig­na­ção, Super-Lua.

Há 18 anos que não vía­mos uma lua cheia no pe­ri­geu – uma vi­são gran­di­osa nos nos­sos céus que no má­ximo au­men­tará o ní­vel das ma­rés, e pouco mais. Em 2012, ti­ve­mos fi­nal­mente essa opor­tu­ni­dade. E mui­tos fo­tó­gra­fos sou­be­ram aproveitá-la. De to­das as ex­ce­len­tes ima­gens con­se­gui­das, esta foi a que mais me impressionou:

Jim Urquhart

Maravilhosa foto de Jim Urquhart: um ca­va­leiro em Montana, EUA, ca­mi­nha sob o in­tenso luar da Super-Lua.

Ian Hitchcock

Esta é uma foto de um eclipse so­lar — nada a ver com o fe­nó­meno Super-Lua da ima­gem an­te­rior, mas não deixa de ser um mo­mento fan­tás­tico cap­tado por Ian Hitchcock.

Reuters-JAXA

Outra das ima­gens as­tro­nó­mi­cas do ano: a 6 ju­nho, o trân­sito de Vénus le­vou o pla­neta a pas­sar di­re­ta­mente en­tre o Sol e a Terra – uma coin­ci­dên­cia que só se vol­tará a re­pe­tir quanto to­dos nós já es­ti­ver­mos mor­tos e en­ter­ra­dos: no ano 2117. A ima­gem foi cap­tada pela câ­mara a bordo do sa­té­lite ja­po­nês Hinode.

 

Reuters-Beawiharta

Jacarta, Indonésia, 27 de março: um co­que­tail mo­lo­tov é lan­çado por um es­tu­dante du­rante os pro­tes­tos con­tra os pla­nos do Governo de au­men­tar o preço da ga­so­lina. A foto foi dis­tri­buída pela Reuters, mas não está assinada.

Jasper Juinen

Jasper Juinen con­se­gue uma me­mo­rá­vel fo­to­gra­fia de um ca­va­leiro for­çando o ca­valo a atra­ves­sar uma fo­gueira na vila de San Bartolome de Pinares, em Espanha. Esta ca­val­gada so­bre as cha­mas é feita para hon­rar a me­mó­ria de Santo Antão, o Santo Padroeiro dos Animais.

 

→ 08/12/2012 @0:05

As 100 melhores fotos de 2012 (Parte 2)

Esta é uma lista das 100 me­lho­res fo­tos de 2012 apre­sen­ta­das em sete ar­ti­gos – decidi-me por esta di­vi­são por­que 2012 ainda não aca­bou e as­sim te­rei pos­si­bi­li­dade de in­cluir fo­tos ti­ra­das ainda este mês. A pri­meira parte, já pu­bli­cada, está aqui; a ter­ceira es­tará on­line dia 11; a quarta, 15; a quinta, 18; a sexta, dia 22. As últi­mas dez fo­tos se­rão as me­lho­res do Desporto e sai­rão dia 29.

Um aviso: passam-me pe­los olhos cen­te­nas de fo­tos por dia das gran­des agên­cias, da Reuters, AFP até à Agência Lusa – al­gu­mas muito per­tur­ba­do­ras. Procuro sem­pre ter cui­dado com as que es­co­lho, mas desta vez devo avisar-vos que al­gu­mas ima­gens po­dem ser muito vi­o­len­tas.

 

Susana Vera

Não é nor­mal o fo­tó­grafo ser o ob­jeto prin­ci­pal da fo­to­gra­fia, mas foi isso que acon­te­ceu a 12 de ju­lho du­rante o Festival San Fermin em Pamplona: Joseba Etxaburu, da Reuters, des­ceu à arena para se apro­xi­mar do «cen­tro da ação». Vacas sel­va­gens ti­nham sido lar­ga­das an­tes da en­trada dos tou­ros bra­vos e Etxaburu es­tava bem ha­bi­tu­ado à si­tu­a­ção.
Desta vez, como o pró­prio conta, a vaca «topou-me, não gos­tou do que viu e veio di­reita a mim. Ainda ten­tei cor­rer em cír­cu­los, pois elas são de­ma­si­ado rá­pi­das para as ba­ter numa cor­rida em li­nha reta, mas tro­pe­cei e ela apanhou-me. Tive sorte: a única le­são que eu tive foi quando ela me pi­sou o co­to­velo, mas nada de es­pe­cial. A mi­nha maior pre­o­cu­pa­ção era não dei­xar cair a má­quina. Estas má­qui­nas são muito ca­ras!»
Enquanto Etxaburu se de­ba­tia com a vaca, a co­lega de agên­cia Susana Vera, nas ban­ca­das, aca­bou por ti­rar uma das gran­des fo­tos deste ano.

 

Hugo Correia

Um fo­tó­grafo é tam­bém o pro­ta­go­nista nesta foto. A 23 de março, a fo­to­jor­na­lista da Agência France Press, Patrícia de Melo Moreira, foi ata­cada à bas­to­nada por um agente da po­lí­cia em Lisboa du­rante uma ma­ni­fes­ta­ção anti-austeridade. (Sobre este epi­só­dio e os pe­ri­gos de uma câ­mara fo­to­grá­fica, ler o ar­tigo The Fast and the Furious pu­bli­cado no blo­gue.)
Nesse dia, tam­bém o fo­tó­grafo da Agência Lusa José Sena Goulão fi­cou fe­rido à conta do ex­cesso de zelo das au­to­ri­da­des… Hugo Correia, da Reuters, re­gis­tou o mo­mento da agres­são a Patrícia.

 

José Manuel Ribeiro

Seja qual for a nossa opi­nião so­bre as mo­ti­va­ções da ra­pa­riga ou o grau de an­ti­pa­tia pe­los agen­tes da po­lí­cia de cho­que, a foto de José Manuel Ribeiro cor­reu mundo e tem um va­lor ico­no­grá­fico.
Talvez por não de­se­jar­mos in­cen­diar as ruas como os gre­gos e os es­pa­nhóis, tal­vez por ter­mos feito uma re­vo­lu­ção feita com cra­vos nas me­tra­lha­do­ras, tal­vez por­que Adriana Xavier é jo­vem e bo­nita, como a re­vo­lu­ção um dia tam­bém o foi, a foto ga­nhou um va­lor simbólico.

 

AFP/Getty Images

A den­si­dade po­pu­la­ci­o­nal na Ín­dia e um ha­bi­tat na­tu­ral cada vez mais pe­queno le­vou a que um le­o­pardo va­gue­asse por uma área re­si­den­cial em Guwahat e se cru­zasse com se­res hu­ma­nos. O ani­mal en­trou em pâ­nico com a vi­são de tan­tas pes­soas à sua volta e ata­cou: fe­riu três e ma­tou ou­tra.
Pintu Day, o ho­mem na foto (não as­si­nada), foi ata­cado pelo le­o­pardo à porta de casa. É vi­sí­vel que o fe­lino lhe ar­ran­cou parte do es­calpe e que esta im­pres­si­o­nante ima­gem capta esse mo­mento, mas Day con­se­guiu so­bre­vi­ver. Na cama do hos­pi­tal, con­tará aos jor­na­lis­tas que a sua in­ten­ção fora a de sal­var o ani­mal, interpondo-se en­tre este e os po­lí­cias que se pre­pa­ra­vam para ati­rar a ma­tar.
O le­o­pardo aca­bou por ser der­ru­bado por uma es­pin­garda de tran­qui­li­zan­tes e foi le­vado para o zoo lo­cal. Day, 40 anos, pai de dois fi­lhos, pe­diu ajuda ao Governo para pa­gar as con­tas médicas.

 

A re­volta ar­mada na Síria co­me­çou a 15 de março de 2011, con­sequên­cia de pro­tes­tos con­tra o re­gime do pre­si­dente Bashar al-Assad ini­ci­a­dos em ja­neiro desse ano. A re­volta foi in­flu­en­ci­ada pe­los acon­te­ci­men­tos da cha­mada Primavera Árabe (re­vo­lu­ções na Tunísia, Egito e Líbia, e pro­tes­tos ge­ne­ra­li­za­dos em ou­tros paí­ses da região).

Os re­vol­tos afir­mam que­rer de­por Bashar al-Assad e ins­ti­tuir um re­gime de­mo­crá­tico no país;  Bashar al-Assad afirma es­tar a com­ba­ter ter­ro­ris­tas. A Síria não tem petróleo.

Consequência? Segundo in­for­ma­ções de gru­pos ati­vis­tas dos Direitos Humanos, 40 mil mor­tos (me­tade dos quais ci­vis) e 350 mil refugiados.

James Lawler Duggan

22 de agosto: Combatentes do Exército de Libertação da Síria fo­to­gra­fa­dos por James Lawler Duggan en­quanto pro­cu­ram proteger-se de fogo ini­migo na ci­dade de Aleppo.

 Zac Baillie

1 de ou­tu­bro: Zac Baillie fo­to­grafa um re­belde sendo con­du­zido ao hos­pi­tal Dar al-Shifa, no norte de Aleppo, a se­gunda maior ci­dade do país e uma das mais mas­sa­cra­das pela guerra civil.

Javier Manzano

20 de ou­tu­bro: um sol­dado do ba­ta­lhão Al-Baraa bin Malek, do Exército de Libertação da Síria, é atin­gido por um ‘sni­per’ e fica iso­lado dos ca­ma­ra­das. Ferido mas ainda ca­paz de se mo­ver, corre pela rua na di­re­ção do ba­ta­lhão quando é atin­gido pela se­gunda vez. A foto capta o mo­mento em que, sob fogo do ‘sni­per’, os ca­ma­ra­das ten­tam resgatá-lo.
Javier Manzano, o au­tor da foto, afirma que os sol­da­dos con­se­gui­ram re­ti­rar o com­pa­nheiro fe­rido, mas não con­se­guiu sa­ber se o ho­mem sobreviveu.

 

O fu­ra­cão Sandy não atin­giu ape­nas Nova Iorque e Nova Jersey, tam­bém pas­sou por ou­tros lo­cais: ci­da­des na Jamaica, Cuba, Bahamas, Haiti e República Dominicana. A co­ber­tura me­diá­tica, como é ha­bi­tual, centrou-se nos acon­te­ci­men­tos nos EUA.

Não ad­mira por­tanto que en­tre to­das as fo­tos do evento as que mais gos­tei te­nham sido cap­ta­das em Nova Iorque e Nova Jersey.

Timothy A. Clary

Magnífica fo­to­gra­fia de Timothy A. Clary de um tu­rista em Times Square pro­cu­rando si­nais da che­gada do fu­ra­cão a uma Nova Iorque cada vez mais desértica.

Brendan Smialowski

Outra grande foto — as­si­nada por Brendan Smialowski — mostrando-nos um par­que de tá­xis com­ple­ta­mente inun­dado em Nova Jersey.

 

A crise eco­nó­mica na Europa e as me­di­das de aus­te­ri­dade le­va­ram os gre­gos para a rua. Ao con­trá­rio do que tem acon­te­cido em Portugal – por com­pa­ra­ção, as nos­sas ma­ni­fes­ta­ções têm sido re­la­ti­va­mente pa­cí­fi­cas – travaram-se na­quele país, so­bre­tudo em Atenas, au­tên­ti­cas ba­ta­lhas cam­pais en­tre os ma­ni­fes­tan­tes e a po­lí­cia. E os fo­tó­gra­fos, como sem­pre, es­ta­vam no cen­tro da ação.

Aris Messinis

Aris Messinis fo­to­grafa em Atenas um ma­ni­fes­tante en­fren­tando os po­lí­cias du­rante uma greve ge­ral de 24 horas.

John Kolesidis

Durante os vi­o­len­tos con­fron­tos en­tre os po­lí­cias e os ma­ni­fes­tan­tes que pro­tes­ta­vam con­tra a vi­sita de Angela Merkel, um ho­mem con­se­guiu a pro­eza de ar­ran­car aplau­sos de quem pro­tes­tava e de dei­xar sem sa­ber o que fa­zer os po­lí­cias que ma­lha­vam na po­pu­laça. Bastou ti­rar as rou­pas. John Kolesidis, da Reuters, ti­rou um dos me­lho­res ins­tan­tâ­neos deste protesto.

Aris Messinis

Outra fo­to­gra­fia im­pres­si­o­nante de Aris Messinis: um agente em cha­mas de­vido ao lan­ça­mento de ‘cock­tails mo­lo­tov’. A po­lí­cia res­pon­deu com gás lacrimogéneo.

 

Melanie Maps

A foto de Melanie Maps é, tal­vez, uma das mais im­pres­si­o­nan­tes do in­cên­dio que co­lo­cou em risco a po­vo­a­ção de Tavira: um ho­mem ob­serva a apro­xi­ma­ção do fogo a par­tir da va­randa de sua casa.

Pedro Armestre

Pedro Armestre, um dos me­lho­res fo­to­jor­na­lis­tas es­pa­nhóis, dá-nos uma pers­pe­tiva re­a­lista e as­sus­ta­dora da di­men­são do in­cên­dio que os bom­bei­ros ti­ve­ram de com­ba­ter em Alacante.

 

Fabrice Coffrini

Fabrice Coffrini cli­cou no mo­mento certo e con­se­guiu uma fo­to­gra­fia in­vul­gar, jun­tando no mesmo en­qua­dra­mento um caça F/A-18 Hornet e cen­te­nas de pes­soas. Trata-se de um voo de de­mons­tra­ção da Força Aérea Suíça e não do re­trato de um acidente.