→ 16/11/2012 @23:28

Moscas no Twitter

Fly Tweet

Que po­de­rão es­cre­ver as mos­cas no Twitter?

Se al­guma vez pen­sa­ram no as­sunto (es­tou certo que sim), en­tão esta ins­ta­la­ção do ame­ri­cano David Bowen dar-vos-á to­das as res­pos­tas de que ne­ces­si­tam, 140 ca­ra­te­res de cada vez.

As men­sa­gens são en­vi­a­das para o Twitter de acordo com as ati­vi­da­des de um grupo de vul­ga­res mos­cas do­més­ti­cas. As mos­cas vi­vem no in­te­rior de uma es­fera em acrí­lico. À me­dida que se mo­vem e in­te­ra­gem den­tro de «casa», voam e ca­mi­nham so­bre as teclas.

Estes mo­vi­men­tos são re­gis­ta­dos em tempo real num sis­tema de ví­deo. Quando uma de­ter­mi­nada te­cla é ati­vada pe­las mos­cas, a le­tra cor­res­pon­dente é in­se­rida numa caixa de texto, acumulando-se até o li­mite de 140 ca­ra­te­res ser atin­gido (ou uma mosca pou­sar na te­cla Enter). A men­sa­gem é en­tão en­vi­ada para o Twitter.

E se al­guma vez de­se­ja­ram sa­ber que tipo de men­sa­gem po­derá en­viar uma co­mu­ni­dade de mos­cas do­més­ti­cas, basta segui-las.

→ 12/11/2012 @17:30

Para quem procura por vaginas e outras coisas

Crazy Horse

Ufa! Bateu com força e de­mo­rou a pas­sar. Lá se foi a pro­messa feita há uns me­ses de não dei­xar pas­sar um dia sem atu­a­li­zar o blo­gue. Uma gripe deixou-me sem ener­gia até para re­fres­car ga­le­rias de fo­tos, quanto mais escrever.

Antes de cair no sofá, do­en­ti­nho, entretivera-me a con­sul­tar fra­ses que as pes­soas cos­tu­mam es­cre­ver no campo de busca do Google an­tes de vi­rem cá pa­rar. Os re­sul­ta­dos fo­ram épi­cos e te­ne­bro­sos, mas só agora te­nho ener­gia e pa­ci­ên­cia para os revelar.

Muitas pes­soas des­co­bri­ram o Bitaites por te­rem es­crito no Google va­gina, va­gi­nas, ga­jos bons, ga­jos to­dos bons, lu­ci­ana abreu, vi­deo so de mu­lhe­res com pica de plas­ticomas­tur­ba­to­rio – esta é a lista mais re­cente de ter­mos de busca, mas é ape­nas uma pe­quena amostra.

De uma ma­neira ge­ral, a quan­ti­dade de pes­soas que aqui vem à pro­cura de va­gi­nas é sur­pre­en­dente. E a mai­o­ria não busca por ne­nhuma em par­ti­cu­lar, mas por va­gi­nas mais ge­né­ri­cas: va­gi­nas gran­des, va­gi­nas pe­que­nas, a maior va­gina do mundo e até va­gina de mu­lher.

Dilemas exis­ten­ci­ais pre­ci­sam de ser re­sol­vi­dos, parece-me ób­vio. E foi a pen­sar em to­das es­sas pes­soas que re­solvi es­cla­re­cer, as­sim que me senti me­lhor da gripe, as dú­vi­das que me pa­re­ce­ram mais pertinentes.

Aqui fi­cam al­guns exemplos:

as,maiores,conas,do,mudo

Crazy Horse, Paris

Ainda bem que fa­lou nisso. Monsieur Mudo é uma fi­gura len­dá­ria no ca­baré pa­ri­si­ense e, in­fe­liz­mente, de­ma­si­a­das ve­zes ne­gli­gen­ci­ada. A sua du­pla de bai­la­ri­nas, Miss Consoante e ‘Lady’ Vogal, não só eram a prin­ci­pal atra­ção do Crazy Horse como ti­nham as me­lho­res vír­gu­las da cidade.


sig­ni­fi­cado de meterosexsual

O me­te­ro­sex­sual é um se­nhor com fe­ti­che por bo­le­tins me­te­o­ro­ló­gicos. Geralmente é ino­fen­sivo, mas se ele lhe pis­car o olho en­quanto diz «Prevê-se uma ocor­rên­cia de pre­ci­pi­ta­ção em forma de agua­ceiro», fuja o mais de­pressa possível.


os ti­pos de va­gi­nas que existem

Vagina Dentata

Existem dois: as va­gi­nas ve­ge­ta­ri­a­nas (ino­fen­si­vas: só se ali­men­tam de to­ma­tes e pe­pi­nos) e as car­ní­vo­ras. As va­gi­nas car­ní­vo­ras não têm den­tes (a va­gina den­tata é um mito ur­bano), mas po­dem ser ex­tre­ma­mente pe­ri­go­sas por­que con­se­guem atrair pe­que­nos ani­mais (bre­ga­lhos, be­su­gos, sa­bor­da­lhões, en­tre ou­tros), aprisioná-los e comê-los vi­vos pro­du­zindo umas en­zi­mas di­ges­ti­vas cha­ma­das en­gi­nas lu­bri­fi­ca­tis. Nunca se apro­xime destas!


mu­lhe­res com a va­gina de fora

Com cer­teza já ou­viu as mu­lhe­res queixarem-se de como nós, ho­mens, te­mos a vida fa­ci­li­tada quando que­re­mos dar uma mija. «Qualquer pa­rede ou ár­vo­res vos serve», cos­tu­mam elas di­zer. Pois não acre­dite em nada disto, es­tão na brin­ca­deira con­sigo. As mu­lhe­res sa­cam da va­gina cá para fora, fa­zem o que têm a fa­zer, sacodem-na muito bem e metem-na lá den­tro ou­tra vez.


quero ver var­gina aberta

Vargina

Não existe ne­nhum res­tau­rante, café ou far­má­cia com essa de­sig­na­ção, pelo que não po­de­rei ajudá-lo. O es­cri­tor Júlio Verme es­cre­veu uma vez um li­vro cha­mado Volta ao Mundo em Oitenta Varginas – é isto que pro­cura? Neste caso está com sorte: um li­vro não tem ho­rá­rios, abre sem­pre que você qui­ser.
No caso de não ser isto que pro­cura, o ho­rá­rio de fun­ci­o­na­mento da Vargina não deve ser di­fe­rente do de ou­tros es­ta­be­le­ci­men­tos co­mer­ci­ais: a par­tir das oito cos­tuma es­tar aberta.


sou ho­mem e quero usar cal­ci­nha com qual devo ir ao ser­viço hoje

Sugiro umas cu­e­qui­nhas de fio den­tal, mo­delo José Castelo Branco.


o que fa­zer mu­lher sen­tir tezao

É sim­ples: basta descobrir-lhe o ponto Z.


como ti­rar os ca­be­los da vagina

Barbie

Em pri­meiro lu­gar, va­gina não tem ca­be­los nem usa pe­ruca. Em se­gundo, não tire! Já não basta as mu­lhe­res so­fre­rem hor­ro­res com a de­pi­la­ção, ainda que­rem in­ven­tar mais onde de­pi­lar? Só de pen­sar nisso fico ar­re­pi­ado. Entre a es­té­tica Courbet e a es­té­tica Barbie, a es­co­lha é ób­via. Sou com­ple­ta­mente a fa­vor dos en­can­tos de uma cona oitocentista.


ho­mem chega ao clitoris

Running man

Não se sabe ao certo quem foi o pri­meiro ho­mem a che­gar ao cli­tó­ris. Existem vá­rias ver­sões: se­gundo al­guns his­to­ri­a­do­res da Antiga Grécia, ter-se-á or­ga­ni­zado uma pri­meira prova de cor­rida no ano 776 a.C. A prova con­sis­tia em ter dez ho­mens em dez pis­tas se­pa­ra­das e fazê-los cor­rer na di­re­ção de dez cli­tó­ris co­lo­ca­dos no fim de cada pista; o pri­meiro a che­gar, ga­nhava. Outros es­tu­di­o­sos afir­mam que o ho­mem só des­co­briu o cli­tó­ris no sé­culo XVII, com a in­ven­ção da luneta.


mu­lhe­res com cli­to­rios pa­re­sendo penis

Um tra­vesti é o que você está re­al­mente à pro­cura, certo?


dá pra­zer to­car na va­gina da esposa

Dá sim se­nhor, mas de­pende de como lhe to­car. Dar-lhe umas pan­ca­di­nhas ami­gá­veis com a mão en­quanto diz «Então, isso vai ou não vai?» é pouco re­co­men­dá­vel.
E não lhe chame va­gina. É um tra­ta­mento de­ma­si­ado for­mal. Eu pre­firo chamar-lhe pa­ta­reca, mas há gos­tos para tudo.


mu­lhe­res que tr­sao so com ho­mens do pe­nes grande

Uma pene

Você está com sorte. Homens de pe­nes grande são uma ra­ri­dade. O seu pe­nes pode não ser tão maior como de­se­ja­ria, mas é único. Existem ou­tros ti­pos de pe­nes: pe­nes USB da Vodafone, TMN, por aí fora, mas ge­ral­mente têm to­dos o mesmo tamanho.


pq al­gu­mas mu­lhe­res mi­jam quando gozam

Chiça, pe­nico! Que per­gunta. Bem, de­viam es­tar à ras­qui­nha para man­dar uma queca.


E pronto. Tentei res­pon­der da me­lhor ma­neira pos­sí­vel às dú­vi­das exis­ten­ci­ais des­tes vi­si­tan­tes. Espero que a par­tir de agora to­dos pos­sam be­ne­fi­ciar des­tas res­pos­tas. Parte-me o co­ra­ção de­ce­ci­o­nar esta gente.

→ 17/10/2012 @19:45

A saga de Cecilia, ainda inacabada

Ecce Homo

Lembram-se? O tra­ba­lho de res­tau­ra­ção do qua­dro de Elías García Martínez que pou­cos co­nhe­ciam fez da se­nhora Cecilia Giménez, 81 anos, uma es­trela das re­des sociais.

Uma pro­du­tora de vi­nhos, Bodegas Aragonesas, apro­vei­tou a opor­tu­ni­dade e lan­çou um vi­nho Ecce Home – o nome do qua­dro de Martínez pen­du­rado no Santuário da Misericórdia, em Borja. As re­cei­tas da venda do vi­nho re­ver­tem para ins­ti­tui­ções de ca­ri­dade, ga­rante a em­presa, mas não men­ci­o­nou pos­sí­veis re­cei­tas in­di­re­tas ge­ra­das pela ope­ra­ção de mar­ke­ting.

A Bodegas Aragonesas in­cluiu no ró­tulo uma ver­são res­tau­rada de Ecce Homo, mas não a mun­di­al­mente cé­le­bre ver­são da se­nhora Cecilia: a ques­tão dos di­rei­tos de au­tor é de­ma­si­ado com­plexa e a in­clu­são pro­vo­ca­ria mais cha­ti­ces que benefícios.

Será que um dia a res­tau­ra­ção de Cecilia será mais va­li­osa do que o qua­dro ori­gi­nal? Mais va­li­osa em ter­mos me­diá­ti­cos já o é, se­gu­ra­mente: o mé­todo Cecilia Giménez de res­tau­ra­ção foi tão apli­cado nas re­des so­ci­ais que se che­gou a fa­zer uma pe­quena ex­po­si­ção dos me­lho­res tra­ba­lhos, como se pode ver nes­tas fo­tos de Anthony Coyle:

Cecilia Giménez

Cecilia Giménez

Cecilia Giménez

Cecilia Giménez

E o que foi feito de Cecilia? A se­nhora co­me­çou por cair à cama, der­ru­bada pe­los ata­ques de an­si­e­dade que a re­per­cus­são mun­dial do caso lhe provocou.

Depois re­cu­pe­rou, deu al­gu­mas en­tre­vis­tas, deixou-se fil­mar e fo­to­gra­far. Deverá mesmo ter tido co­nhe­ci­mento de uma pe­ti­ção para man­ter a sua ver­são do qua­dro: até hoje, re­co­lheu mais de 23 mil assinaturas.

Poderá ter ou­vido di­zer que já an­da­vam a compará-la ao len­dá­rio Banksy. É pro­vá­vel que até te­nha visto t-shirts com re­pro­du­ções do seu Ecce Homo e, por baixo, a frase «Não te dei­xa­ram acabá-lo».

Talvez Cecilia te­nha con­si­de­rado que a di­fe­rença en­tre res­tau­ra­ção e au­to­ria, no seu caso, já não se aplicava.

Por isso, a 20 de se­tem­bro, o jor­nal El Correo no­ti­ciou uma exi­gên­cia: a se­nhora quer agora uma parte do di­nheiro – mais de 2000 eu­ros – que a Igreja do Santuário da Misericórdia jun­tou por co­brar en­trada aos tu­ris­tas que qui­se­ram ver a obra «res­tau­rada». Abram alas, che­ga­ram os ad­vo­ga­dos para res­tau­rar a situação.

→ 14/10/2012 @16:27

Educação e non-sense

Piratas

Procura o sig­ni­fi­cado das pa­la­vras pi­ratapi­ra­tear no di­ci­o­ná­rio. Debate com os teus com­pa­nhei­ros acerca das ações dos pi­ra­tas na atu­a­li­dade: se­ques­tros de bar­cos e aviões, roubo de obras de arte (mú­sica, ci­nema…), de da­dos pes­so­ais na Internet…  Que pen­sas da­que­les que «pi­ra­teiam» mú­sica ou fil­mes? Gostavas que «pi­ra­te­as­sem» o teu trabalho?

 

Este screen da pá­gina de um li­vro do Grupo Anaya para alu­nos da pri­má­ria – 4ª classe – foi en­vi­ado via twit­ter ao pro­fes­sor e blog­ger es­pa­nhol Enrique Dans.

Nem a ACAPOR te­ria feito me­lhor tra­ba­lho de ma­ni­pu­la­ção: com­pa­rar as ações de cri­mi­no­sos que se­ques­tram bar­cos ou aviões aos que des­car­re­gam fil­mes ou mú­si­cas na Internet e apresentá-las como um facto a cri­an­ças, é uma ig­no­mí­nia, uma per­ver­são, uma fi­lha da pu­tice de todo o tamanho.

O teu rato é uma pis­tola, a Magnum 44 de Dirty Harry; já não cli­cas no bo­tão down­load, pre­mes o ga­ti­lho. E os teus dis­pa­ros cri­mi­no­sos se­rão es­cu­ta­dos por to­dos aque­les que de­se­jam vi­ciar a dis­cus­são em torno dos di­rei­tos de autor.

Felizmente para cri­an­ças e adul­tos, a Internet não é ape­nas um sí­tio de mi­lhões de se­ques­tra­do­res, mas um meio de co­mu­ni­ca­ção onde im­pe­ram os mais di­ver­sos pon­tos de vista. Basta não acei­tar que os in­te­res­ses eco­nó­mi­cos de uma mi­no­ria san­gues­suga se­jam apre­sen­ta­dos como fac­tos éti­cos in­con­tes­tá­veis: nem to­dos os atos de par­ti­lha im­pli­cam ven­der CD’s na Feira da Ladra, cretinos.

→ 08/10/2012 @21:56

Ikea Meme

A Internet é im­pa­rá­vel nos me­mes. E não perdoa.

Lembram-se da his­tó­ria? A em­presa su­eca Ikea man­dou pu­bli­car um ca­tá­logo de ven­das na Arábia Saudita re­mo­vendo a mu­lher de uma foto em que mos­trava uma fa­mí­lia na cozinha.

Quando a mon­ta­gem foi de­nun­ci­ada pelo jor­nal Metro, a Ikea co­me­çou por di­zer que res­pei­tava as tra­di­ções e leis de cada país. Asneira. Ao per­ce­ber que esse res­peito im­pli­cava neste caso apa­gar mu­lhe­res das fo­tos, pe­diu desculpas.

Tarde de­mais.

Agora o meme co­me­çou, imparável.

Fotografias e ima­gens es­tão a ser re­to­ca­das à ma­neira da Ikea, subs­ti­tuindo mu­lhe­res por pro­du­tos da em­presa, como acon­tece com a cé­le­bre fo­to­gra­fia ti­rada por Alfred Eisenstaedt (1898 – 1995) na Times Square a 15 de agosto de 1945, no dia em que se co­me­mo­rava a vi­tó­ria dos Aliados na II Guerra Mundial.

Mas há mais.