Arquivos da(s) tag(s): Jornalismo
→ 26/01/2012 @10:54

Paparazzis lunares

Um dia vou ter de criar uma rubrica no blogue chamada tretatologia da semana, pois todos os dias encontro uma.

E com o sentido crítico que caracteriza o jornalismo quando se trata de divulgar alegações de maníacos pseudo-científicos, tanto o Correio da Manhã como o Jornal I divulgaram hoje uma nova notícia: «parapsicólogos» garantem que os astronautas John Young e Charles Duke, da missão Apollo 16, viram vestígios de uma nave extraterrestre que se despenhou na Lua.

O Jornal I escreve: «De acordo com as constatações de seis especialistas da Transception Incorporation, com base na técnica de visualização remota, John Young e Charles Duke realmente conseguiram ver extraterrestres».

Estão a ver o que quero dizer quando me queixo desta ausência de sentido crítico?

O que raio é uma «técnica de visualização remota»? Se um mirone comprar uns binóculos para observar a vizinha do lado a experimentar coleções de biquínis, também estará a utilizar uma «técnica de visualização remota»? Será esta técnica a mesma que costumávamos organizar nas caçadas aos gambozinos? E estes seis «especialistas» da Transception Incorporation especializaram-se em quê, no terceiro filme dos Transformers? No trabalho dos fotógrafos paparazzi?

 

Esperem, nem tudo é mau

Se as técnicas de visualização remota mostram que os astronautas viram ET’s na Lua, então isso significa que afinal de contas sempre fomos lá, não é tanga!

Como resolver o paradoxo? Será possível criar um calendário especificamente para crentes em teorias da conspiração anti-NASA?

Por exemplo, à segunda e terça acreditar que as missões Apollo são uma farsa dos americanos, à quarta e quinta jurar a pés juntos que a NASA escondeu os ET’s na Lua, e deixar a sexta-feira para a consulta no psicólogo?

→ 21/01/2012 @17:18

Criaturas em Vénus, ceticismo na Terra

Se ainda não deram com a notícia, deixem estar, a notícia irá dar convosco.

E a notícia é a seguinte: cientista russo encontrou seres vivos nas fotos do planeta Vénus. O cientista chama-se Leonid Ksanfomaliti, é Doutor em Ciências Físicas e Matemática, escreveu já mais de 300 artigos científicos e trabalha no Instituto de Estudos Espaciais da Academia Russa de Ciências.

O artigo no qual defende esta hipótese publicou-o numa revista de Astronomia russa, Astronomicheskiy Vestnik.

Não sei se Ksanfomaliti descobriu criaturas venusianas. O que se conhece são excertos do artigo divulgados nos media. O cientista afirma – depois de ter analisado fotografias panorâmicas da sonda Venera 13 – ter descoberto «objetos de um tamanho entre 10 a 50 centímetros que apareciam, desapareciam ou sofriam mutações».

«A presença desses objetos nas imagens», conclui Ksanfomaliti, «dificilmente pode ser explicado por interferências».

Se esses «objetos» não podem ser explicados por interferências, então só podem ser criaturas extraterrestres – certo?

O escorpião venusiano

Ksanfomaliti está convencido que sim. Nos nove panoramas transmitidos pela Venera em março de 1982, vislumbrou um objeto semelhante a um «disco», outro parecia «uma mancha preta» e um terceiro fazia lembrar um «escorpião».

«Pondo de parte os conceitos atuais de que não pode existir vida nas condições de Vénus, vamos audaciosamente sugerir que as características morfológicas desses objetos nos permitem dizer que estão vivos», escreve Ksanfomaliti.

 

Fantástico, só falta verificar e provar tudo

O artigo de Ksanfomaliti pode bem vir a ser a descoberta ou o engano do século; em última análise, poderá ser um bom princípio de discussão sobre os nossos velhos preconceitos biológicos quando reduzimos as possibilidades de vida extraterrestre à «vida tal como a conhecemos» – não é, de forma nenhuma, o anúncio de uma descoberta de seres vivos em Vénus.

Afirmações extraordinárias exigem provas extraordinárias, dizia Sagan; da mesma forma, títulos extraordinários exigem factos extraordinários. Até ver, as únicas criaturas venusianas que conheço são os oucher-poucher.

→ 13/01/2012 @23:53

Virgulino e Maria sem TV


Setúbal: Virgolino de Almeida e Maria de Andrade ficaram sem televisão após o sinal analógico ter sido desligado para ser substituído pela Televisão Digital Terrestre.

→ 25/11/2011 @9:40

As 100 melhores fotos de 2011

A Reuters decidiu antecipar-se e escolheu as melhores 100 fotografias publicadas pelos fotojornalistas da agência em 2011. Normalmente este tipo de listas costuma surgir só em Dezembro.

As melhores fotos de 2011

28 de Janeiro: manifestante diante de uma barricada de chamas no Cairo, Egito (Foto: Goran Tomasevic)

As melhores fotos de 2011

13 de Março: um símbolo do sofrimento em Natori, uma das cidades japonesas devastada pelo terramoto e tsunami (Foto: Toshiyuki Tsunenari)

As melhores fotos de 2011

5 de Junho: encontro entre cinzas e eletricidade no vulcão Puyehue, sul do Chile (Foto: Carlos Gutierrez)

As melhores fotos de 2011

10 de Setembro: um avião voa através do «Tributo de Luzes» montado em Nova Iorque em homenagem às vítimas do 11 de Setembro (Foto: Eric Thayer)

As melhores fotos de 2011

17 de Maio: uma mulher de 22 anos em vestido de noiva tenta suicidar-se lançando-se de um prédio de sete andares, mas foi agarrada a tempo. O noivo acabara uma relação de quatro anos (Foto: Li Ping/China Daily)

As melhores fotos de 2011

20 de Março: aviões aliados atacam uma coluna de veículos das forças de Khadafi (Foto: Goran Tomasevic)

As melhores fotos de 2011

12 de Outubro: «Occupy Wall Street», Nova Iorque (Foto: Lucas Jackson)

As melhores fotos de 2011

16 de setembro, Grécia: um homem de 55 anos entrou no banco para tentar renegociar uma dívida e não perder a casa. A renegociação foi-lhe recusada e ele imolou-se como um monge tibetano (Foto: Nodas Stylianidis)

As melhores dotos de 2011

29 de Maio: em Coimbra, todo o Paulo Portas se encontra em campanha. Todo? Talvez não - o seu cotovelo foi apanhado desprevenido por uma manápula do Zé Povinho (Foto: Rafael Marchante)

As melhores fotos de 2011

31 de Agosto, na China: mirones e polícias apanhados pela fúria do mar (Foto: Wang Xinke/China Daily)

As melhores fotos de 2011

25 de Fevereiro: um londrino observa um momento de oração muculmana. Esta podia ter sido tirada por Robert Doisneau! (Foto: Kieran Doherty)

As melhores fotos de 2011

28 de Agosto: o colapso da atleta neozelandesa Nikki Hamblin devido ao calor (Foto: David Gray)

As melhores fotos de 2011

1 de Maio: Obama e o staff presidencial acompanham a operação para matar Osama bin Laden (Foto: Pete Souza)

As melhores fotos de 2011

12 de Junho: disparos de artilharia norte-americana no Afeganistão (Foto: Baz Ratner)

As melhores fotos de 2011

10 de julho: o ciclista Johnny Hoogerland, depois de uma queda (Foto: Lucas Bettini)

Estas fotos são uma pequena amostra: no blogue da agência podemos vê-las todas, acompanhadas do testemunho escrito de cada fotógrafo explicando o acontecimento e as circunstâncias em que a imagem foi captada.

→ 12/11/2011 @15:59

Post número 3496

Foto: Ammar Awad/Reuters

→ 05/11/2011 @5:28

Remember, Remember, the 5th of November

A máscara estilizada do rosto de Guy Fawkes está em todo o lado – vemo-la nos «cartazes» do grupo de «hackers» e ativistas Anonymous e em manifestantes do Occupy Wall Street, o movimento que protesta contra a tirania do grupo dos 1 por cento.

Agora vamos recuar 406 anos para conhecer o verdadeiro Guy Fawkes, o homem por detrás da máscara, de todas aquelas máscaras: também ele deverá ter visto o seu papel como o de alguém que procurava libertar o seu país da opressão.

O grupo de conspiradores católicos do qual fez parte era liderado por um nobre chamado Robert Catesby, que perdera a esperança de obter do rei maior tolerância para a religião católica na Inglaterra.

O grupo considerava que a única forma de libertar o reino inglês do jugo protestante seria fazer explodir o edifício do Parlamento, o próprio rei, Jaime I, o seu filho, príncipe Henrique, e todos os membros das Câmaras.

Feito o «atentado» e consumada a matança, Catesby seguiria para o norte do país, onde fomentaria uma sublevação católica, organizando um exército capaz de marchar sobre Londres.

Este episódio da história ficou conhecido como a conspiração da pólvora.

Fawkes era um soldado mercenário inglês especialista em explosivos – assim se explica a importância crucial do seu papel na preparação e execução do golpe. Era também um devoto da causa católica, o que ajudou a conquistar a confiança do nobre Catesby e dos restantes conspiradores.

Fawkes lutara ao lado dos católicos espanhóis contra os protestantes holandeses com a vã esperança de que a Inglaterra seria também «libertada» pelos espanhóis. Nada disto acontecera. Frustrado mas nunca vencido, regressara ao seu país após dez anos de lutas e combates.

Um dos conspiradores alugou uma casa diante do edifício do Parlamento. Esta casa tinha uma enorme adega que se estendia até debaixo do edifício. O plano consistia em encher a adega com 36 barris de pólvora para que Guy Fawkes, o técnico de explosivos do grupo, a fizesse explodir de manhã e mandar o edifício abaixo, quando o rei lá estivesse dentro a iniciar os trabalhos do Parlamento.

A data estabelecida para a «revolução» foi a de 5 de Novembro de 1605. Há mais de 400 anos o senhor da máscara estaria a comemorar o sucesso de uma operação que a nossa sociedade atual classificaria como «terrorista».

 

O triste fim de Guy Fawkes

Infelizmente para Guy Fawkes e companheiros, um dos elementos do grupo conspirador temeu pelo destino da minoria de parlamentares católicos que inevitavelmente seria aniquilada.

Enviou então uma carta anónima a um cunhado, avisando-o do golpe. Este fez chegar a missiva às mãos do rei. E dizem as crónicas que o rei terá comentado: «Isto cheira-me a pólvora».

À meia-noite do dia 4 de Novembro, os serviços de segurança reais entraram de rompante na adega e apanharam Fawkes com a mão no rastilho. Preso e torturado, confessou todos os crimes. Os conspiradores foram mortos (o nobre Catesby foi um deles) ou capturados (sofrendo o mesmo destino de Fawkes).

A 31 de Janeiro de 1606, começou o espetáculo. Guy Fawkese e os conspiradores que restavam, foram arrastados pelas ruas em trenós até serem colocados na forca – mas não mortos.

Seguir-se-ia o castigo que a Inglaterra daqueles tempos reservava aos «traidores»: seriam deitados num estrado de madeira para serem cortados às postas e, enquanto resistissem, forçados a observar os seus membros decepados sendo lançados em enormes caldeirões de água a ferver.

Fawkes escapou a este destino, pois apesar de estar fraco por causa das sessões de tortura ainda arranjou forças para se lançar da forca, partindo o pescoço e, à sua maneira, libertando-se do horror.

O corpo foi esquartejado à mesma; a cabeça, espetada numa lança e exibida aos londrinos, para que nenhum súbdito de Sua Majestade se esquecesse do tratamento reservado aos traidores da Coroa.

Depois do golpe falhado de 5 de Novembro, o rei passou (até hoje) a abrir a sessão parlamentar apenas uma vez por ano; e ainda se mantém, nos tempos atuais, a tradição de revistar os subterrâneos do edifício antes dessa sessão anual.

A Noite das Fogueiras é celebrada a 5 de Novembro com a queima de esfinges de Guy Fawkes e o lançamento de fogo de artifício.

E ainda hoje se declama nessa noite o falhanço da conspiração da pólvora: Remember, remember, the 5th of November/The gunpowder, treason and plot;/I know of no reason, why the gunpowder treason/Should ever be forgot. (Lembrai, lembrai, o 5 de novembro/A pólvora, traição e conspiração;/Não vejo razão para que a traição da pólvora/Seja alguma vez esquecida)

 

O alegre reinício de Guy Fawkes

Não sei até que ponto os que se manifestam com a máscara de Fawkes têm ideia de quem foi o homem que a inspirou e qual o seu terrível destino, mas de qualquer modo essa identificação não é importante para quem protesta. Fawkes é agora um símbolo, uma ideia, uma representação.

A máscara esconde a identidade do indivíduo e transforma-o num ator com algo de muito importante para dizer. A aldeia global é o seu palco e o que lhe importa é representar uma ideia. Uma ideia de si próprio e do mundo.

O tipo da máscara é o libertário que luta contra a opressão e a injustiça, aquele que carrega um símbolo de união universal e do poder dos povos, o revolucionário, a célula anarquista.

É também mais influenciado pelo «super-herói» Guy Fawkes do filme «V de Vendetta» – e a máscara faz parte do franchising desse filme – do que propriamente pela figura histórica.

E não deixa de ser uma ironia do destino que os manifestantes que protestam contra «o poder das grandes corporações» o façam comprando máscaras à Warner Brothers, distribuidora do filme e subsidiária da Time Warner, uma das maiores corporações da indústria dos media e do entretenimento…

 

Fontes: Guy Fawkes and Bonfire Night | Occupy Wall Street: Vendetta Masks Become Symbol Of The Movement | Wikipédia

→ 16/10/2011 @23:18

Romaria

Autor: Marco Marilungo Pictor

Dizer NÃO à taxa