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→ 09/02/2012 @23:58

A atriz de Hollywood que nos deu o telemóvel

Em 1933 aparece nua e tem um orgasmo. Esta é uma época em que falar abertamente de sexo num filme mainstream é impensável, quanto mais representá-lo.

No mesmo ano casa com um marido possessivo e controlador que mantém negócios com Hitler e outros altos oficiais nazis. Foge para Paris, daí voa para os Estados Unidos.

Na década de 40 patenteia o sistema de espalhamento espectral que formará a base da tecnologia usada em telemóveis e routers wireless, entre muitas outras aplicações.

Até meados da década de 40 é considerada uma das grandes atrizes de Hollywood, embora seja vista como pessoa demasiado independente e de temperamento difícil.

A Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) vende-a como a mulher mais bela do mundo.

Walt Disney inspira-se nela para desenhar Branca de Neve. Muitos anos depois, a Corel faz do seu rosto a imagem de marca do software CorelDraw.

Nasce a 9 de Novembro de 1914, em Viena. Dão-lhe o nome de Hedwig Kiesler, mas nos Estados Unidos ressurge como Hedy Lemarr. Assim é apresentada à América. Nos dez anos seguintes, reina na mecca do Cinema como «uma diva de mármore frio», segundo a própria. Tão cedo Hollywood conhecerá mulher tão inteligente e peculiar.

Segue-se uma breve história dos seus feitos, tumultos e contradições.

 

Em êxtase

Hitler saudado por apoiantes em Berlim

1933. O ano da derradeira ascenção dos nacionais-socialistas ao poder na Alemanha. Enquanto Hitler presta juramento como chanceler na Câmara do Reichstag, uma jovem aspirante a atriz aceita participar numa produção arriscada para lançar a carreira.

Hitler desfila pelas ruas de uma Alemanha falida e deprimida em paradas gloriosas e cheias de orgulho nacionalista.

Em breve, todos os partidos políticos são proibidos, exceto o nazi. Em breve, a ocupação militar das zonas desmilitarizadas da Alemanha, a anexação da Ãustria e da Checoslováquia, a invasão da Polónia, a guerra mundial e os milhões de mortos.

Lemarr é ainda Hedwig Eva Maria Kiesler, filha de judeus convertidos ao Catolicismo. O pai é um banqueiro austríaco bem sucedido. A mãe é uma pianista húngara, razoavelmente liberal para os padrões da época e culturalmente evoluída.

Depois de uma passagem por uma escola de teatro em Viena, a  ambiciosa Hedwig frequenta em Berlim as aulas do realizador Max Reinhardt, para quem vem a trabalhar como assistente de direção e atriz secundária em dois dos seus filmes.

Os dois papéis não deixam grandes recordações entre os cinéfilos.

 

Um orgasmo para a história

À «mulher mais bonita da Europa», como já lhe chama um babado Reinhardt, é então proposto o papel principal no filme do realizador, ator e argumentista checoslovaco Gustav Machatý, «Ecstasy».

Hedwig tem 19 anos e o mundo a seus pés, se aceitar despir-se.

Vai fazer de jovem mulher insatisfeita com o marido, um sujeito mais velho e sem grande apetência para os assuntos da cama. Ela acaba por conhecer um homem mais novo e descobrir o sexo.

É uma história típica sobre a perda da inocência, mas a ausência de julgamentos moralistas sobre a liberdade sexual feminina  e a independência conquistada pela mulher torna-o num filme único.

«Ecstasy» entra para a história como o primeiro filme não-pornográfico a incluir abertamente cenas de sexo.

Apenas se usam grandes planos dos rostos, mas o da bela Hedwig – gozando um orgasmo – mostra expressões suficientemente explícitas para provocar escândalo e ser censurado em muitos países, incluindo os Estados Unidos. E também para a tornar famosa. Ler mais »

→ 21/01/2012 @15:09

Sem o Citador não sei o que seria deste post XXIX

Por vezes a curiosidade abre novos horizontes, quando não, acende a chama do entusiasmo para procurá-los.

- Rabi Yaacov ben Shimon

→ 19/01/2012 @2:17

Sem o Citador não sei o que seria deste post XXVIII

Cada livro queimado ilumina o mundo.

- Ralph Waldo Emerson

→ 08/01/2012 @4:34

Sem o Citador não sei o que seria deste post XXVII

Não são incompatíveis muita ciência e pouco juízo.

- Marquês de Maricá

→ 17/12/2011 @22:38

Ela e ele, ele e ela

A fotógrafa canadense (canadense?) Hana Pesut (uma auto-didata, afirma) mostra-nos que partilhar a intimidade física de uma mulher (ou homem) não inclui forçosamente despir-se a roupa, mas vesti-la. E o que vale para eles também vale para elas. Vejam:

O resultado desta epifania fotográfica – à qual Hana chamou de Switcheroo – é realmente hilariante: uma longa coleção de imagens de casais e namorados e amigos na pele uns dos outros. (Obrigado ao Carlos Paes pela dica)

→ 13/12/2011 @9:21

Vaginas: muitas muitas muitas

Não era para recuperar o texto que se segue, mas recebi um email do co-autor deste blogue, Rui ‘Foobar’ Paes, sugerindo que eu devia escrever qualquer coisa sobre esta lista.

A lista foi elaborada no BuzzFeed e consiste numa galeria de fotos – estão aqui duas – mostrando as melhores e piores tatuagens vaginais de sempre.

«Este post tem a tua cara», escreveu o engraçadinho do REP.

Mas sobre esse delicado e importante assunto das vaginas já eu escrevi no blogue, caso o engraçadinho não saiba; pelo que em vez de estar a escrever larachas sobre vaginas tatuadas, que nem são propriamente muito sexys, prefiro recuperar um texto que escrevi sobre patarecas – estas, sim, merecedoras de destaque.

 

Importante reflexão existencial sobre a patareca

Há muitas formas populares de designar o órgão sexual feminino: cona, pipi, pito, pirona, rata, vagina, ninho, parreco, racha, febra, entrefolhos, mexilhão, ostra, greta, pachacha, patareca, crica e aranha são algumas das mais conhecidas.

A minha preferida, em termos de sonoridade, é patareca. Ó minha linda patareca. Dava uma bela cantiga de amor ou um fado de Coimbra. Experimentem dizê-la em voz alta: nunca mais querem outra coisa.

Patareca está para vagina como sarapitola está para masturbação. Têm o mesmo significado que os seus equivalentes politicamente corretos, mas o calão é mais profundo e reúne, numa única palavra, intimidade e sentido de humor – duas forças extremamente poderosas, sobretudo quando colocadas frente a frente, de forma descomplexada, sem tentarem eliminar-se uma à outra. Saber rir da nossa própria intimidade, diante do outro, parece-me um sublime ato de entrega.

Tenham em atenção, contudo, pois patareca é uma palavra especial que designa algo de sagrado e portanto não deve ser usada em vão. Podem pensar que é engraçado batizar a vossa cadelinha de Patareca só porque é uma palavra simpática que vos soa bem; compreendo que seja tentador que a Patareca venha a correr na vossa direção, abanando-se toda contente e saltitante, sempre que a chamarem, e se vá embora, já disposta a perdoar-vos, quando dela não precisem. Mas só as vaginas se comportam assim.

Não, não fumei nenhuma substância proibida – além das patarecas, também gosto de palavras. Como dizia o grande George Carlin, as palavras podem dizer-nos muito mais do que o seu significado mais restrito. Por exemplo, de acordo com o dicionário da Priberam entrefolhos são indigestões crónicas no folhoso dos ruminantes; contudo, tenho a certeza absoluta de que o génio que inventou a expressão entrefolhos do cu não estava a pensar em perturbações digestivas.

Há palavras que não ofendem os bons costumes, mas pura e simplesmente não prestam justiça ao ato. Masturbação, por exemplo. Nenhum tipo saudável se masturba; masturbação é ato solitário, deprimente, triste, desesperado, egocêntrico; masturbação é, na melhor das hipóteses, palavra para consultório médico ou salões pudicos.

Um tipo mentalmente são esgalha o pessegueiro, bate uma sarapitola porque, para esse, a punheta envolve sempre a presença de alguém. Para conseguir imaginar alguém quando na verdade esse alguém não se encontra fisicamente presente, é necessário atingir a simbiose perfeita entre intimidade e sentido de humor para que a sarapitola não se transforme em masturbação.

O mesmo princípio se aplica à crica dos nossos sonhos. Conseguem imaginar uma vagina aos saltos? Eu não. Vagina é estática, fria, seca, estendida para ser observada através das lentes de um microscópio até mirrar de desconforto. A vagina não se ama, disseca-se; só uma patareca se pode pôr aos saltos de alegria, desejo e emoção, e manter a independência e personalidade que a tornam única. Uma vagina até se cumprimenta com respeito e deferência; uma patareca é para se beijar calorosamente.

→ 09/12/2011 @19:23

Sem o Citador não sei o que seria deste post XXV

A mulher considerar-se-ia desgraçada, se a natureza a tivesse feito como a moda a faz andar.

- Julie de Lespinasse

Dizer NÃO à taxa