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→ 16/02/2012 @0:36

ACTA em estado de coma? Que pena.

A confirmar-se a providencial sentença de Joseph Daul, líder do conservador PPE – «ACTA, c’est fini» – é bem possível que todos os defensores da Internet como espaço de liberdade e partilha venham nas próximas horas a comemorar uma importante vitória.

Esta declaração junta-se às críticas feitas segunda-feira pelo presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, ao considerar que o acordo ACTA não equilibrava a proteção dos direitos de autor e a liberdade dos cibernautas.

O PPE tinha votado contra a resolução crítica que há dois anos muitos deputados do Parlamento Europeu tinham submetido – com a declaração do líder Joseph Daul e a consequente nega dos conservadores ao ACTA, é muito provável que o império do copyright venha a perder mais esta batalha.

Não será a última. A guerra pela submissão deste espaço livre e descentralizado está longe de terminar. Nos dias que correm, a desatenção é um luxo. Chegarão novos ACTAS.

→ 13/02/2012 @18:08

Resistência

Talvez no futuro os hacktivistas do Anonymous queiram largar a máscara de Guy Fawkes made in Hollywood e adotar o rosto de Manolis Glezos. Fará muito mais sentido.

Glezos tem 89 anos e esteve ontem na primeira linha dos protestos contra a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional, e o que milhares de gregos vêm como um ataque à soberania económica do país.

Este guerreiro de 89 anos só foi silenciado com gás lacrimogéneo. O polícia que o lançou ainda não tinha nascido e já Glezos fora condenado à morte por ousar desafiar a ditadura do Regime dos Coronéis, que governou o país até 1974. A sentença não foi executada devido à forte pressão da opinião pública internacional.

A coragem de Glezos não deve espantar ninguém. A 30 de Maio de 1941, aos 18 anos, trepou ao monumento da Acropolis com um amigo da Resistência Grega, Apostolos Santas. Ali fizeram em pedaços a bandeira nazi que a Wehrmacht hasteara aquando da ocupação do país, em Abril desse ano.

Ao todo, Glezos passou 11 anos e quatro meses da sua vida preso, e mais 4 anos e seis meses no exílio. Foi torturado pelos nazis e pelas forças fascistas de Mussolini.

E ontem, 12 de Fevereiro de 2011, ali estava ele: o maior símbolo vivo da resistência grega.

→ 12/02/2012 @3:05

Pixar, uma história exemplar

Um utilizador do YouTube, NkMcDonalds, decidiu homenagear os 25 anos da Pixar e fez uma colagem de mais de cinco minutos com todos os filmes, das primeiras curtas-metragens aos mais recentes – e fez o upload para o YouTube. O vídeo começou a ter sucesso entre os fãs.

Que fez a Pixar quando tomou conhecimento? Intimou o YouTube a apagar todo aquele material protegido por direitos de autor, como fazem os outros idiotas?

Os mentecaptos que esfregam as mãos na expectativa de ver aprovado o fascizante acordo ACTA teriam aprovado uma ação repressiva do género, mas o que se segue demonstra o que pode acontecer quando as vicissitudes deste meio são geridas com inteligência e bom senso.

A Pixar mandou uma mensagem ao próprio NkMcDonalds dizendo que tinha adorado a homenagem. Como agradecimento, a empresa ainda enviou um pacote com 11 filmes da Pixar em Blu-Ray, DVDs com todas as curtas-metragens, um casaco com o logótipo da Pixar, uma t-shirt com os personagens de Toy Story III e um livro enorme com desenhos mais elaborados de Toy Story.

E assim não perdeu a oportunidade de reforçar a sua boa imagem junto dos fãs. Quanto vale fazer parte da vida das pessoas?

É assim a Internet para quem não a teme, idiotas do ACTA.

→ 10/02/2012 @0:38

Quando todos te disserem que estás errado


Conta-lhes a história de August Landmesser, o homem que cruzou os braços enquanto todos os outros faziam a saudação nazi.

→ 08/02/2012 @3:55

Mudam-se os tempos

R.J. Shaughnessy, da série Deathcamp (2000-2006)

George W. Gardner: Naked City, Indiana, 1973 (America, 1960-1985)

Getty Images

Cornell Capa (California, 1960)

Nan E. Elliot (1979) Picturing the Century

→ 05/02/2012 @18:32

Porque deves assinar a petição anti-ACTA

Já escrevi dois posts sobre o acordo ACTA – eis o primeiro e o segundo, se estiverem interessados –, mas deixo aqui uma versão resumida das principais razões que têm levado milhões de pessoas a mobilizar-se contra esta nova ameaça à nossa liberdade e privacidade.

 

O que é?

O ACTA é um acordo comercial global para tornar mais inflexível o combate à contrafação, violação de patentes e direitos de autor. O acordo foi negociado em sigilo, à revelia dos cidadãos e dos seus representantes democraticamente eleitos.

 

Porque devo ser contra?

Para lutar contra a contrafação, o ACTA dará às grandes corporações o poder de atuar sobre a distribuição de medicamentos genéricos vitais para a vida de milhões de pessoas – basta que tais medicamentos violem alguma patente.

Para combater a pirataria, o ACTA prevê responsabilizar os ISP pelos que os seus utilizadores fizerem online. Isto significa que para evitar processos em tribunal movidos pelas poderosas indústrias do copyright, os ISP terão de monitorizar e vigiar tudo o que fazes na rede, perdendo a tua privacidade.

 

Mas eu sou contra a pirataria!

Ser contra a pirataria não implica concordar com o ACTA. Combater este acordo não significa apoiar a pirataria. O que é mais importante e valioso para ti, ajudar o senhor Rupert Murdoch a aumentar os seus lucros ou lutar pela tua privacidade e pelo teu direito à livre expressão?

A Universal Group intimou o YouTube a apagar um vídeo de 29 segundos que uma mãe colocara do seu bebé de 18 meses dançando ao som de Prince. Se os detentores do copyright já movem ações prepotentes deste tipo agora, que restará da tua liberdade de expressão se puderem transformar as empresas que prestam serviços de partilha na Internet no seu próprio corpo policial privado?

 

Como travar o ACTA

A escolha é simples: é a escolha entre a Internet que tu conheces – um mecanismo global de partilha e conversação – e a Internet proposta pelo ACTA, um mecanismo global de vigilância e repressão. Assinar a petição será a forma mais rápida e eficaz de dizer aos deputados do Parlamento Europeu que não queres que este acordo seja ratificado.

Adenda: a Maria João Nogueira compilou os nomes (e respetivos emails) dos deputados portugueses que assinaram, em Julho de 2010, uma declaração na qual manifestavam reservas quanto à transparência do processo e dúvidas quanto ao conteúdo do acordo. Também reuniu os nomes dos eurodeputados que preferiram não assinar esta declaração. Link

→ 04/02/2012 @23:26

Pela Europa, em 2007

Estas fotos são do Verão de 2007, um mês antes de começar o meu estágio na Agência Lusa, onde continuo a trabalhar.

Levei a minha Canon 1D Mark II N com uma 50mm F.1.4 e disparei até mais não, com o meu irmão Alexandre. Sinto falta de fotografar assim, de forma livre, sem preocupações excessivas se as linhas estão direitas, o foco está perfeito, o enquadramento é o aceite…

Aqui ainda fotografava sem qualquer condicionamento. Via uma coisa de que gostava e tentava mostrá-la tal e qual a estava a ver.

Acho que com o tempo tenho perdido isso, estou demasiadamente formatado com o estilo de Agência: pouco de meu vejo nas fotos que tiro, hoje em dia. E não gosto. Haja tempo para fazer imagens para as quais, anos depois, ainda me dê gozo olhar.

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